11 de setembro: da "Guerra ao Terror" à segurança máxima, 25 factos sobre o evento que mudou o mundo há 25 anos

Há 25 anos, quatro aviões comerciais foram sequestrados por membros da organização terrorista Al-Qaeda, nos Estados Unidos (EUA). Dois deles colidiram com as duas torres do World Trade Center, em Nova Iorque, um com o Pentágono, em Washington DC, e o outro despenhou-se na Pensilvânia. Morreram 2.977 pessoas, entre elas os 19 terroristas que executaram o plano, e as consequências políticas foram duradouras. Desde então, iniciaram-se guerras, ocorreram outros ataques e a segurança nos aeroportos nunca mais foi igual. Conheça a seguir 25 factos sobre o maior ataque terrorista em solo americano.

Atentado fez quase 3 mil mortos

Atentado fez quase 3 mil mortos

1. Quem eram os atacantes?

Ao todo, 20 terroristas preparavam-se para executar o plano orquestrado por Osama Bin Laden, líder da Al-Qaeda, naquela terça-feira. Os procedimentos de segurança nos aeroportos não tinham o nível de exigência hoje conhecidos, o que permitiu que os membros do grupo terrorista entrassem em quatro aviões, nos aeroportos de Boston, Dulles e Newark. 15 dos atacantes eram da Arábia Saudita, dois eram dos Emirados Árabes Unidos, um do Egito e um do Líbano.

O 20.º membro, e único sobrevivente, o francês Zacarias Moussaoui, acabou por não embarcar no quarto avião. Está preso até hoje numa prisão de segurança máxima, no Colorado, nos Estados Unidos. A Al-Qaeda culpou os EUA e respetivos aliados pelos conflitos em países do Médio Oriente.

2. Cronologia dos ataques

O primeiro avião saiu de Boston naquela manhã e, pelas 8:46 (hora local), colidiu com a torre norte. Pelas 9:03, o segundo avião, que também partiu de Boston, atingiu a torre sul. Às 9h37, um terceiro avião saído de Dulles, na Virgínia, caiu sobre o Pentágono, a sede do Departamento de Defesa, em Washington D.C. Às 9:59, a segunda torre atingida colapsou. E às 10h03, o quarto avião, que partiu de Newark, na Nova Jersey, despenhou-se na Pensilvânia.

Supõe-se que esse último avião se dirigia ao Capitólio (sede do poder legislativo federal do Estado americano) ou à Casa Branca (residência do presidente, à data George W. Bush). Às 10h28, a segunda torre colapsou também. Passaram 102 minutos desde o primeiro ataque até ao colapso das duas torres. Os passageiros do quarto avião souberam que os ataques estavam a acontecer antes ainda de levantar voo, o que levou muitos a fazer chamadas para a família a despedir-se. Durante o voo, terão sido os passageiros a impedir que o avião chegasse ao destino.

3. Presidente lia para crianças

No momento dos ataques, George W. Bush estava numa sessão de leitura para crianças, numa escola na Flórida. O assessor, Andrew Card, informou-o do primeiro ataque e, momentos depois, do segundo: “Um segundo avião atingiu a segunda torre. A América está sob ataque."

George Bush estava numa escola na Flórida quando soube dos ataques George Bush estava numa escola na Flórida quando soube dos ataques AP Photo/Doug Mills

4. Quase 3 mil mortes

Das 2.977 vítimas mortais, 343 eram bombeiros, 23 eram agentes da polícia nova-iorquina e 37 eram agentes da Autoridade Portuária de Nova Iorque e Nova Jersey. Só no ataque ao Pentágono, 184 pessoas morreram. Na Pensilvânia, nenhum dos 40 passageiros e membros da tripulação sobreviveu. A colisão do último avião não fez, porém, vítimas além dos integrantes do voo.

As vítimas eram de 93 nacionalidades diferentes. Perderam a vida nove portugueses e luso americanos. As idades variam entre os 2 e os 85 anos. Até hoje, nem todas as vítimas foram identificadas e o processo continua a decorrer a conta gotas. Em 2025, foram reconhecidas mais três pessoas.

5. Ataque mais mortífero da história dos Estados Unidos

O atentado tornou-se no mais mortífero que já aconteceu em solo americano, ultrapassando o ataque de Pearl Harbor, 60 anos antes, que fez mais de 2 mil mortos.

6. Pentágono ficou sem trabalhadores

O avião que colidiu com o Pentágono matou todas as pessoas que lá trabalhavam, mas há uma exceção. Um dos trabalhadores encontrava-se em viagem de trabalho, o que lhe poderia ter salvo a vida. No entanto, coincidentemente, estava num dos aviões sequestrados que colidiram com as torres.

7. Ondas sísmicas sentiram-se a centenas de quilómetros

De acordo com a União Geofísica Americana, os ataques geraram ondas sísmicas comparáveis a terramotos de magnitudes 0,9 e 0,7 na escala de Richter. Já o colapso das torres produziu ondas que chegaram aos 2,1 e 2,3 de intensidade, sentidas a centenas de quilómetros.

8. Building 7 também colapsou

No mesmo dia, já por volta das 17h00, o Building 7, também no World Trade Center, colapsou. Não foi atingido por nenhum avião, mas o abalo das torres gémeas fragilizou a estrutura do edifício de 47 andares.

9. “Esvaziem o céu”

“Esvaziem o céu. Aterrem todos os voos. Rápido.” Estas foram as indicações dadas pela Federação Administrativa de Aviação ao controlo de tráfego aéreo. A decisão foi tomada depois do terceiro avião ter atingido o Pentágono e, em cerca de quatro horas, não havia aviões a circular no espaço aéreo americano.

10. Maior evacuação de sempre

Cerca de 500 mil pessoas foram evacuadas de Manhattan, nas nove horas que sucederam ao ataque. O resgate foi feito, em grande parte, por barco, ultrapassando o número da segunda guerra mundial (339 mil). O ferry de Staten Island fez incontáveis viagens de ida e volta, apoiado pela Guarda Costeira e por todos que tivessem meios para realizar a travessia.

11. Cobertura mediática tornou-se monotemática

O atentado foi o evento com cobertura mediática ininterrupta mais longa da história americana. Durante dias, não havia outro tema nas emissões. Aliás, a colisão da segunda torre foi vista em direto por milhões de espetadores Algumas das maiores estações televisivas tiveram emissões monotemáticas de mais de 90 horas seguidas.

As estações também optaram por não emitir anúncios publicitários durante dias, algo apenas visto anteriormente no homicídio de John F. Kennedy, em 1963.

12. Incêndios estenderam-se por três meses

Os ataques também resultaram em múltiplos incêndios, que só foram totalmente apagados a 19 de dezembro, 99 dias depois do atentado.

13. Limpeza da área demorou meses

A remoção de todos os destroços demorou oito meses. Foram reunidas 1,8 milhões de toneladas de lixo, durante 3,1 milhões de horas de trabalho, com um custo de 750 milhões de dólares (645.776.250 euros). 

14. Ergueu-se um memorial das vítimas

No espaço onde ficavam as torres gémeas, foi inaugurado o memorial e museu em homenagem a todas as vítimas. A "Torre da Liberdade", erguida no lugar da torre norte, tem 541 metros, mais do que a original, que tinha 417 metros. 

Já o Pentágono esteve em obras de reconstrução durante menos de um ano e voltou a entrar em funcionamento em agosto de 2002. 

15. Nuvem tóxica do colapso das torres provocou cancro

Nos anos que se seguiram ao ataque, um número crescente de pessoas que estiveram nas imediações desenvolveu algum tipo de cancro. Estima-se que cerca de 50 mil pessoas tenham apresentado sintomas resultantes da exposição à nuvem tóxica libertada pelo colapso das torres. O número de mortes em consequência de doenças causadas pelo atentado já ultrapassou o número de mortos diretos pelo ataque. No total, estima-se que 400 mil pessoas tenham sido expostas às toxinas, entre quem vivia, trabalhava, estudava ou passeava nas imediações.

16. Fundo de Compensação das Vítimas continua a receber pedidos

Logo após os ataques foi criado um fundo de apoio a vítimas, que funcionou até 2004 e pagou 7,49 mil milhões de dólares (6.435.482.900 euros) às famílias e aos feridos. Em 2011, o Congresso americano criou o Fundo de Compensação das Vítimas (FCV) e já pagou 8,56 mil milhões de dólares (16 mil milhões de euros), em mais de 77 mil processos. Até hoje, o FCV continua a receber, em média, 25 pedidos de apoio por dia. São cerca de 750 por mês, de pessoas que continuam a ver surgir sintomas provocados por aquele dia.

17. Suspeitou-se do sequestro de outras aeronaves

No mesmo dia, o Departamento de Defesa dos EUA examinou cerca de 20 aeronaves como possíveis alvos. Houve relatos também do sequestro de outros aviões, mas sem outros ataques registados nesse dia. 

18. Londres e Madrid também foram alvo de ataques

Depois do 11 de setembro, seguiram-se outros ataques terroristas, também na Europa. A 11 de março de 2004, 193 pessoas morreram em Madrid, Espanha, e quase 2 mil ficaram feridas depois da explosão de dez bombas nos comboios suburbanos. O ataque também foi perpetrado pela Al-Qaeda. A 7 de julho de 2005, a explosão de quatro bombas na rede de transportes da cidade matou 52 pessoas e feriu 770.

19. Pessoas passaram a recear andar de avião

Em 2006, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês) calculou que as companhias aéreas com voos comerciais nos EUA registaram uma quebra nas receitas de cerca de 10 mil milhões de dólares (8.592.100.000 euros) por ano, entre 2001 e 2006. Um estudo de 2005 da Universidade Cornell revela que os americanos passaram a optar por viagens de carro, sempre que possível. Por conseguinte, nos cinco anos que sucederam o atentado, registaram-se 1.200 mortes a mais por acidentes rodoviários.

20. Governo reforçou a segurança

Em resposta ao ataque, os EUA criaram o Departamento de Segurança Interna e aprovaram o Ato Patriótico, de modo a combater o terrorismo. O decreto permite, entre várias medidas, que órgãos de segurança e de inteligência dos EUA intercetem ligações telefónicas e e-mails de organizações ou pessoas suspeitas de terrorismo, mesmo que não tenham autorização do Departamento de Justiça.

21. Procedimentos nos aeroportos mudaram em todo o mundo

A segurança nos aeroportos foi reforçada não apenas nos Estados Unidos, mas também por todo o mundo. Se antes se conseguia entrar num avião em 20 minutos, esse processo passou a demorar cerca de duas horas. Tudo porque os terroristas do 11 de setembro conseguiram chegar ao avião sem ter apresentado a documentação devida, enquanto transportavam itens cortantes e pequenas facas. A ocorrência de outros ataques (ou tentativas) terroristas, ainda que em menor escala, ao longo dos anos seguintes, também fez reforçar as normas de segurança.

Os EUA criaram a Administração de Segurança de Transporte (TSA, em inglês), logo em 2001, responsável por monitorizar o cumprimento das novas regras de segurança. Passou a ser obrigatório apresentar um documento de identificação pessoal com fotografia e o acesso às portas de embarque passou a ter mais controlo. Surgiram os objetos proibidos, como lâminas, spray ou líquidos além dos 100 mililitros. Os mecanismos de identificação de itens perigosos têm sido permanentemente modernizados e, atualmente, é comum os passageiros terem de tirar peças de roupa ou calçado para serem analisadas.

Dentro do avião, o acesso ao comando de controlo, onde fica o piloto, tornou-se mais difícil. Agora, o espaço está fechado e revestido por paredes blindadas. A comunicação entre piloto, tripulação e passageiros passou a ser feita através do sistema de som. Também foi reforçada a vigilância, através de câmeras, nos aeroportos e aviões. Os procedimentos em caso de emergência são agora mais exigentes e melhor comunicados aos passageiros.

A “No Fly List” estendeu-se. Trata-se de uma lista de pessoas impedidas pelo governo de um país de embarcar em aviões. A União Europeia introduziu um regulamento que obriga a que a pessoa que vai embarcar seja a mesma que despacha a bagagem. Anos mais tarde, também foram adotados mecanismos como identificação por impressão digital ou digitalização da retina e da íris.

22. “Guerra ao Terror”

O governo declarou a "Guerra ao Terror" contra a Al-Qaeda e grupos considerados aliados. A primeira ação foi a invasão do Afeganistão, em 2001, que tinha como objetivo derrubar os talibãs, regime que abrigava Osama Bin Laden. Ainda que os EUA tenham alcançado essa meta, não conseguiram estabilizar um governo no país. 20 anos depois, em 2021, as tropas americanas deixaram o território e os talibãs voltaram ao poder.

Fome, pobreza e mulheres sem liberdade: o retrato do Afeganistão após cinco anos de controlo dos talibãs

Em 2003, começou a guerra no Iraque. Saddam Hussein foi acusado de manter armas de destruição em massa e de ter ligações com a Al-Qaeda. Nenhuma dessas acusações foi comprovada, mas a invasão resultou na queda do ditador, que acabou por ser capturado e condenado à morte em 2006.

23. Guerras somam biliões de dólares em custos 

Depois do 11 de setembro, os EUA gastaram mais de 8 biliões de dólares (6.873.680.000 euros) em despesas direta ou indiretamente relacionadas com as guerras, de acordo com o The US Budgetary Costs of the Post 9-11 War. Além do investimento em defesa, os cálculos incluem os custos com cuidados de saúde dos lesados e esforços de prevenção e combate ao terrorismo.  

Custo das guerras pós 11 de setembro Custo das guerras pós 11 de setembro The U.S. Budgetary Costs of the Post-9_11 Wars

24. Osama Bin Laden assume responsabilidade pelos ataques

Em outubro de 2004, é divulgado um vídeo em que Osama Bin Laden assume a responsabilidade pelos ataques. O líder da Al-Qaeda afirma que a ideia do atentado surgiu em consequência da “opressão e tirania da coligação americano-israelita contra o nosso povo na Palestina e no Líbano”. 

A 2 de maio de 2011, morreu após ser baleado por membros dos Navy SEALs dos EUA (força de operações especiais da Marinha) durante uma operação secreta no Paquistão. 

25. Julgamento marcado para 2028

Passados 25 anos desde os atentados, o processo em tribunal continua longe de estar terminado. O julgamento está marcado para 5 de junho de 2028. O arguido é Khalid Sheikh Mohammed, atualmente com 61 anos. Terá sido ele a propor a Osama Bin Laden a ideia de treinar pilotos para sequestrarem aviões comerciais e usarem-nos como mísseis contra edifícios americanos.

Mohammed foi capturado pela CIA no Paquistão, em 2003, e passou três anos escondido em prisões secretas da agência. Em 2006, foi transferido para a base militar de Guantánamo, em Cuba, onde permanece preso com outros três cúmplices. O processo já foi suspenso várias vezes e está atolado em recursos devido à validade das provas. Muitas delas terão sido, alegadamente, obtidas através de tortura. Chegou a haver um acordo de confissão de culpa, no ano passado, para evitar a pena de morte, mas um tribunal de recurso acabou por anular o acordo. Os próximos dois anos destinam-se a discussões pré-processuais.

Já Zacarias Moussaoui, o único envolvido que foi condenado, cumpre pena perpétua nos Estados Unidos. Foi detido ainda em 2001 e condenado em 2006. A 4 de setembro, pediu para cumprir o resto da pena em França. A solicitação baseia-se num acordo bilateral entre os dois países.

O advogado de defesa elencou vários motivos para sustentar o pedido: alega que os documentos relacionados com o 11 de setembro deixaram de ser secretos em 2021, o que constitui "uma violação dos direitos de Moussaoui, uma obstrução do direito à defesa"; que o condenado, há muito referido como o alegado 20.º pirata do ar, "não tinha o objetivo de participar no 11 de setembro, mas sim numa operação subsequente"; realçou os "direitos familiares" e as "condições de vida desumanas" do condenado, que se encontra em regime de isolamento desde que foi detido; e a mãe, que só viu Zacarias Moussaoui três vezes em 25 anos, "já não consegue viajar para o Colorado por razões económicas e de saúde", disse à AFP. 

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