A Colômbia fica localizada numa região altamente sísmica, onde ocorre a maioria dos terramotos, a nível mundial. O ‘anel de fogo do Pacífico’ é uma linha de falhas sísmicas que circunda o Oceano Pacífico, ao longo de cerca de 40 mil quilómetros, passando pela costa colombiana. O sismo de magnitude 7,4 na escala de Richter que abalou o país na segunda-feira deve-se à “complexidade da região em termos tectónicos”, explica à SÁBADO o sismólogo João Duarte Fonseca.
Anel de fogo circunda o oceano Pacífico em cerca de 40 mil quilómetros DR
O anel de fogo do Pacífico concentra cerca de 75% a 90% da atividade sísmica e vulcânica do planeta, caracterizada por “magnitudes elevadas e muitas erupções”. Consiste em “locais de convergência de placas tectónicas, normalmente uma continental e outra oceânica”, avança o sismólogo.
Foi formado ao longo de milhões de anos devido aos movimentos das placas e “resulta da subducção”, processo em que as placas mais densas mergulham sob placas menos densas – “normalmente ocorre o mergulho de crosta oceânica sob a crosta continental. Como a oceânica é mais densa tem tendência a afundar-se sob a outra”. O anel estende-se pela costa das Américas, leste da Ásia até à Oceania.
Esta linha de falhas sísmicas também está relacionada com a atividade vulcânica. Aliás, o próprio nome “anel de fogo” deve-se ao “processo de afundamento que origina a formação de vulcões”. “Quando a crosta oceânica se afunda para o interior da terra, há componentes mais voláteis que fundem a temperaturas mais baixas e que vão migrar para a superfície - é o magma”, explica João Duarte Fonseca.
O terramoto de segunda-feira deve-se também a uma característica rara da Colômbia: situa-se numa região onde três placas tectónicas se encontram. A movimentação das placas e a proximidade ao anel de fogo do Pacífico tornam o território propício a sismos, explica o especialista.
A parte continental da Colômbia está sobre a placa sul-americana; as ilhas de Gorgona e Malpelo estão sobre a placa de Nazca; e San Andrés e Providencia estão sobre a placa das Caraíbas. A proximidade entre as três placas provoca movimentos constantes no subsolo, o que leva à acumulação de grandes quantidades de energia, que podem libertar-se na forma de terramoto. O sismo desta segunda-feira foi causado pelo avanço da placa de Nazca em direção ao continente, que acabou a mergulhar sob a placa sul-americana.
Este sismo tem, no entanto, uma particularidade: “É um processo complexo que tem a ver com dois efeitos. Em primeiro, a placa oceânica afunda-se por efeito do peso, acaba por dobrar e afundar. A fratura da placa devido ao peso difere do típico sismo por subducção, causado pelo atrito entre as placas. E o segundo efeito é o bloco do Panamá empurrado para sul que também colide com a placa de Nazca. A sismicidade nesta região ocorre com uma profundidade intermédia. Não é tão próximo da superfície como os sismos da Venezuela, em junho.” A Venezuela, aliás, não tem fronteira com o anel de fogo. Trata-se de um fenómeno “surpreendente dado o valor da magnitude, muito elevado para um sismo de profundidade média” e “complexo”, que será alvo de análise para se compreender melhor o que aconteceu.
A ocorrência desta segunda-feira já fez, pelo menos, 294 mortos e 3.935 feridos, de acordo com o mais recente balanço da Unidade Nacional de Gestão de Riscos de Desastres, da Colômbia. O rasto de destruição revela centenas de edifícios desabados, onde decorrem operações de busca e resgate aos cidadãos que ficaram presos sob os escombros.
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