O presidente de Ceuta, Juan Vivas, acusou esta segunda-feira o Governo espanhol de manter uma “passividade quase absoluta” perante a crise migratória que se vive na cidade autónoma e ameaçou recorrer às instâncias judiciais se a situação não mudar nos próximos 30 dias.
Numa conferência de imprensa citada pelo El País, Vivas afirmou que Ceuta vive atualmente um estado de exceção e anunciou a intenção de transmitir a situação à presidente do Supremo Tribunal, Isabel Perelló, e ao presidente do Tribunal Constitucional, Cándido Conde-Pumpido, caso estes magistrados aceitem recebê-lo. “O poder judicial é a pedra angular do Estado de Direito. Ceuta vive um estado de exceção“, afirmou o líder conservador (PP), que está no cargo há mais de 25 anos.
Vivas acusou o Governo de Pedro Sánchez de ter tentado “maquilhar a realidade” ao afirmar, no início de agosto, que a cidade tinha recuperado a normalidade após a entrada em massa de migrantes no dia 31 de julho. “Depois, houve uma passividade quase absoluta na hora de tomar decisões para chegar à normalidade. Não é nenhum exagero, nem existe qualquer intenção de alarmar de forma intencional, injustificada ou indevida”, explicou.
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O presidente da cidade autónoma sugeriu ainda que poderá existir uma intenção do Governo central de não restabelecer a situação anterior “até à queda definitiva [de Ceuta]”, acrescentando: “Espero que não seja esta a razão“.
“Os cidadãos de Ceuta não se vão render. O Governo é uma parte muito importante do Estado, mas não é todo o Estado. Temos a firme determinação de continuar a insistir com outras instâncias públicas e com a sociedade espanhola. Vamos recorrer a outras instâncias do Estado: Cortes Gerais, poder judicial, comunidades autónomas, federação de municípios e Europa”, avisou, dando ao Governo um prazo máximo de 30 dias para alterar a situação.
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Ministra da Saúde “não pode vir dar lições de humanidade”
Durante a conferência de imprensa, Vivas comentou ainda as declarações da ministra da Saúde, Mónica García, que no domingo tinha pedido ao Governo da cidade que disponibilizasse espaços para acolher os migrantes. O presidente de Ceuta acusou a ministra de tentar “desviar o foco” e considerou o seu comportamento “incorreto”.
“Não pode vir dar lições de humanidade. Se há um território onde as pessoas sofrem com o sofrimento dos outros, independentemente da origem da pessoa, é Ceuta e os cidadãos de Ceuta. Lições, nenhuma“, afirmou.
De acordo com fontes do Governo de Ceuta, o executivo central propôs vários locais para instalar temporariamente os migrantes. A autarquia diz que não se opôs a todos os espaços sugeridos, mas rejeita a utilização da Fábrica de Harinas de Otero (propriedade do Ministério da Defesa) para receber migrantes por estar numa zona “central” da cidade e por existirem queixas de moradores.
“Há locais com os quais os moradores não estão de acordo. Devemos pensar nos imigrantes, mas temos de pensar nos cidadãos de Ceuta“, notou Vivas.