O grupo parlamentar do Chega apresentou, esta quinta-feira, um requerimento para ouvir, com "caráter de urgência", o ministro da Administração Interna (MAI), Luís Neves, e a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, na Comissão Permanente da Assembleia da República. O partido propõe ainda que esta comissão seja convocada para 4 e 5 de agosto, terça e quarta-feira da próxima semana.
De acordo com um comunicado a que o Notícias ao Minuto teve acesso, este pedido tem em vista o escrutínio das polémicas "que envolvem Luís Neves enquanto diretor da Polícia Judiciária [PJ]".
No documento assinado pelo líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, o partido detalha que quer ouvir Luís Neves "sobre os diversos pontos das explicações acima referidas e que afetam a sua credibilidade/ autoridade/ idoneidade para o exercício das funções que lhe estão adstritas". Quanto à ministra da Justiça, a sua audição é pedida por forma a esclarecer os deputados "sobre factos relacionados com o ponto acima e que estão sob tutela do seu ministério".
Na nota, é ainda recordado que ainda ontem, "em espaço aberto televisivo, o líder parlamentar do Partido Social Democrata, deputado Hugo Soares" afirmou que "que a maioria que sustenta o Governo apenas se opôs à convocação da Comissão Permanente para ouvir o Ministro da Administração Interna por entender que este deveria, em primeiro lugar, prestar esclarecimentos em conferência de imprensa própria".
Face à situação, a nota aponta que os esclarecimentos prestados pelo MAI na quarta-feira foram "manifestamente insuficientes, contraditórios e, em alguns casos, configurando até a confissão de ilegalidades praticadas".
Defende ainda a nota que esta convocação surge também na sequência de terem surgido "novos factos suscetíveis de levantar graves suspeitas sobre o ministro visado, os quais não foram, manifestamente, objeto de esclarecimento".
Também a Iniciativa Liberal já tinha requerido uma reunião extraordinária da Comissão Permanente do Parlamento com a presença de Luís Neves, pedido indeferido pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.
O Chega já formalizou igualmente o requerimento para que o Parlamento constitua uma comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária, entre 2018 e este ano.

Chega avança com Comissão de Inquérito a Luís Neves. "Podridão"
O presidente do Chega anunciou hoje que o seu partido vai forçar a constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária (PJ) no arranque da próxima sessão legislativa, em setembro.
Natacha Nunes Costa | 11:32 - 24/07/2026
A polémica relacionada com o ministro da Administração Interna teve início a 10 de julho, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro da Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira a empresa Construbarcelos, anteriormente responsável por obras na PJ, quando Luís Neves era diretor nacional.
Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado dias depois pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.
Entretanto, o Ministério Público recusou, pelo menos por agora, atribuir à PJ a investigação relacionada com um atrelado encontrado junto da Construbarcelos, que tinha sido apreendido na Operação Pacoba, uma operação da PJ realizada na zona Oeste do país que permitiu desmantelar "um dos maiores laboratórios de droga da Europa", em dezembro de 2024.
A investigação sobre o que se passou "encontra-se a cargo do Ministério Público deste departamento e não será, por ora, delegada em qualquer órgão de polícia criminal", detalhou a Procuradoria-Geral da República, em comunicado enviado na altura às redações, após questionamento.
Segundo adiantou no passado dia 19 o Correio da Manhã, a Marinha solicitou à PJ a retirada urgente das suas instalações do atrelado com produtos químicos, uma vez que haveria risco de explosão. Em causa estavam os bidões no interior do atrelado, que continham produtos químicos usados para processar droga, antes de serem apreendidos. Devido ao calor, haveria esse risco de explosão.
Com o adensar da polémica, Luís Neves referiu que ia esclarecer todas as questões relacionadas com o caso e levou alguns a reunir documentos, passo este que disse precisar para poder prestar todas os esclarecimentos "ponto por ponto". A conferência aconteceu na quarta-feira e os esclarecimentos dados podem ser recordados aqui.
[Notícia atualizada às 11h18]
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