Acordar mais cedo do que as crianças ao fim de semana para ver os desenhos animados, só mesmo os avós durante toda a semana. E embora não seja com o mesmo objetivo, também nem sempre é por excesso de tarefas. Mas há uma explicação cientifica!
Especialistas do sono adiantam ao Huff Post que também não é por falta de sono, "acordar mais cedo faz parte do processo natural de envelhecimento".
Sairam Parthasarathy, diretor do Centro de Ciências do Sono e Circadianas da Universidade de Ciências da Saúde de Arizona explica que os delimitadores de tempo, como o pôr do sol, horas das refeições, interações sociais e atividades físicas ficam cada vez menos nítidos, ou seja, passa a existir uma dificuldade crescente para estas pessoas conseguirem localizar-se no momento do ciclo circadiano de 24 horas.
À semelhança de outros aspetos da nossa saúde física e mental, o cérebro torna-se menos reativo à medida que envelhecemos: "A capacidade de resposta do cérebro deixa de estar tão apurada, por isso, não reage a alguns estímulos tão bem quanto deveria".
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Segundo Parthasarthy, esta incapacidade do cérebro perceber os marcadores de tempo é uma das razões pelas quais as pessoas mais velhas tendem a cansar-se antes dos filhos ou netos e, como resultado, "acordam também mais cedo".
Não obstante, este fenómeno pode prender-se com outras condições de saúde. Uma professora de psicologia da Universidade de Michigan, Cindy Lustig, explica à mesma fonte que "a luz que os nossos olhos absorvem também influencia nesse processo".
A especialista refere que "as mudanças na visão que vêm com a idade reduzem a intensidade do grau de estimulação luminosa que o nosso cérebro recebe e que desempenha um papel importante no ajuste do nosso relógio circadiano" e que, consequentemente o ajuda a manter "no caminho certo".
Mas afinal, em que é que isso se reflete?
Parthasarathy explica que para pessoas com cataratas, esta condição que provoca sintomas de "visão embaçada, visão dupla e dificuldade geral na visão", pode interferir com os ritmos do sono.
"Para quem tem cataratas, a luz do entardecer não entra tanto nos olhos, então, para o cérebro, o pôr do sol acontece mais cedo do que o momento em que realmente se pôs", descreve o médico.
A essa hora, existindo menos luz a entrar nos olhos, "o corpo começa a libertar melatonina (a hormona do sono) antes do que deveria", enquanto para pessoas mais jovens, a melatonina "começa a aumentar logo após o pôr do sol".
Estes especialistas sublinham a necessidade de procurar ajuda médica se sentir que os sintomas de cansaço e alterações de horário se tornam acentuadas.

3 hábitos comuns de sono foram ligados ao envelhecimento do cérebro
Um estudo concluiu que o sono tem um papel importante na saúde. Os investigadores descobriram que fatores comuns como dormir poucas horas e fazer sestas frequentes estavam associados ao envelhecimento cerebral.
Mariline Direito Rodrigues | 21:56 - 08/07/2026