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O Rio Grande do Sul voltou a enfrentar um cenário desolador, infelizmente, comum nos últimos anos. Chuvas intensas deixaram ao menos 461 pessoas desabrigadas em dez municípios, principalmente no Vale do Taquari, onde os rios continuam subindo e o risco de inundação permanece muito alto. Embora os impactos sejam incomparavelmente menores do que os registrados nas enchentes históricas de 2024, o novo episódio reforça uma preocupação crescente entre meteorologistas e hidrólogos: os temporais extremos estão se tornando mais frequentes e concentrados.
As chuvas foram provocadas pela passagem de uma frente fria associada a um corredor de umidade que encontrou ar quente e úmido sobre o Sul do país. O resultado foram tempestades persistentes, com volumes excepcionais em poucas horas. Em municípios das cabeceiras da bacia do Taquari, como Paraí, Marau e Passo Fundo, os acumulados ultrapassaram 150 milímetros em menos de 12 horas, chegando a superar 170 milímetros em alguns pontos. Toda essa água escoa pelos afluentes até o Rio Taquari, provocando uma elevação rápida do nível do rio nas cidades do Vale.
O episódio desta semana foi provocado pela combinação de quatro fenômenos atmosféricos que passaram a atuar simultaneamente sobre o Sul do país: uma frente fria, um bloqueio atmosférico, um corredor de umidade vindo da Amazônia — conhecido como jato de baixos níveis ou “rio atmosférico” — e uma área de baixa pressão sobre a Argentina. Isoladamente, nenhum deles explicaria volumes tão elevados de chuva. O problema é que eles passaram a atuar de forma sincronizada, alimentando tempestades durante vários dias.
A frente fria que provocou os maiores acumulados começa a perder força e a baixa pressão associada se afasta para o oceano. Com isso, a chuva diminui bastante de intensidade e passa a ocorrer apenas de forma isolada em algumas regiões do Estado.
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