Na reta final de preparação para o Enem, saber quais assuntos aparecem com mais frequência em ciências humanas pode ajudar a organizar os estudos, mas não basta transformar os temas em uma lista para decorar.
Em história, geografia, filosofia e sociologia, a prova cobra a aplicação de conceitos, a habilidade de interpretar e de relacionar acontecimentos históricos com questões contemporâneas e uma análise sobre a sociedade e seus processos de transformação.
Rodrigo Magalhães, professor de geografia da Plataforma AZ, afirma que o estudante precisa entender os processos por trás dos conteúdos, em vez de apenas memorizar.
"Não é só decorar que ano Getúlio Vargas chegou ao poder, por exemplo. O estudante precisa entender o contexto, como estava o Brasil naquele momento, o que era a política do café com leite, como o Vargas ascendeu ao poder naquele momento", explica.
O conteúdo aparece aplicado no dia a dia
A relação entre conteúdos das áreas de ciências humanas e atualidades é importante. Acompanhar notícias não significa tentar prever o que vai cair, mas ampliar o repertório para compreender como os conceitos estudados aparecem no mundo.
Por isso, utilizar filmes, músicas e podcasts não apenas mantém o foco, mas também amplia o repertório do estudante.
Em geografia, Magalhães aponta temas presentes no cotidiano do noticiário e que também são abordados pelo exame nacional, como desmatamento da Amazônia, transição energética, exploração de petróleo e descarbonização da economia.
Outro exemplo é a sociologia, que aborda debates sobre o mundo do trabalho, como uberização e fim da escala 6x1.
"O Enem não é uma prova de atualidade. Mas esses debates que estão acontecendo nos últimos anos são contextualizações muito possíveis de serem trazidas", explica o professor.
Márcia Abdo, professora de geografia do Colégio Bandeirantes, recomenda fazer a mesma relação a partir de acontecimentos do cotidiano.
Uma notícia sobre um terremoto, por exemplo, pode levar o estudante a retomar o tema de placas tectônicas. "Para cada fato que acontece, o estudante pode tentar fazer essa relação com aquilo que ele aprendeu", afirma Márcia.
Principais temas de história, geografia, sociologia e filosofia
Em história, os conteúdos do Brasil representam quase metade das questões. Temas como Era Vargas e ditadura militar aparecem com frequência, mas não de forma isolada. Eles podem ser relacionados a debates contemporâneos sobre democracia, liberdade de expressão e direitos.
A escravidão, por exemplo, pode aparecer em questões sobre o racismo na sociedade atual. O mesmo vale para a colonização, que pode entrar em discussões sobre a situação e as reivindicações dos povos indígenas.
Em geografia, a prova também aproxima os conteúdos dos problemas contemporâneos. Geopolítica, migrações e geografia agrária estão entre os temas recorrentes e podem aparecer em questões sobre conflitos por terra no Brasil ou transformações na economia global.
Filosofia concentra questões ligadas principalmente à política e à ética, enquanto sociologia aborda com mais frequência temas como movimentos sociais e diversidade cultural. Juntas, as duas áreas ajudam o estudante a interpretar relações sociais, conflitos, valores e diferentes formas de organização da sociedade.
Gestão do tempo na prova
A área de ciências humanas divide o primeiro dia com linguagens e a redação. Por isso, a orientação é evitar ficar preso a questões difíceis. Magalhães sugere resolver primeiro os itens em que o estudante consegue avançar e deixar os demais para depois.
"Achou a questão fácil? Achou a questão tranquila? Conseguiu chegar na resposta? Marca e passa para a próxima. Não conseguiu? Pula. Importante é garantir que vai conseguir fazer todas as questões fáceis e médias, principalmente por conta da TRI", afirma Magalhães.
Márcia acrescenta que concentração também pesa na gestão do tempo. Insistir em uma questão pode consumir minutos importantes da prova. "Não adianta você ler uma questão e não entender, aí fica lendo de novo, lê de novo e começa a entrar em desespero porque não entendeu."
Outra recomendação é começar a responder à questão pelo comando, seguir para o texto-base e depois analisar todas as alternativas. O procedimento ajuda a evitar os chamados distratores, respostas plausíveis que deixam de ser corretas quando relacionadas ao que o enunciado e o texto pedem.
"Às vezes tem uma alternativa que responde ao comando da questão, o estudante fala ‘nossa, essa é legal’, mas aí você vai ver que tem uma alternativa que, quando relaciona o comando ao texto-base, ela é mais coerente, mais correta", afirma Márcia.