São Paulo
Willian Barile Agati, apelidado pela PF de “concierge do PCC”, segue preso preventivamente sob acusação de elo com facção e máfia
29/08/2026 02:10

Willian Barile Agati, apelidado pela Polícia Federal (PF) de “concierge do Primeiro Comando da Capital (PCC)”, teve habeas corpus negado pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Com a decisão, dessa quarta-feira (26/8), ele segue preso preventivamente.
Investigações apontam que Agati foi o responsável por conectar a alta cúpula da facção a compradores de drogas no exterior, em especial a máfia italiana ‘Ndrangheta, utilizando contatos na Europa para intermediar a exportação de cocaína. A defesa nega as acusações.
O “concierge” também é acusado de ter operado uma rota marítima para o transporte da droga que partia do Porto de Paranaguá, no Paraná, com destino ao Porto de Valência, na Espanha. A cocaína era ocultada em cargas legítimas de exportação de produtos agrícolas.
Além do mar, Agati ainda gerenciava uma rota aérea entre o Brasil e a Bélgica. Segundo a PF, o acusado fornecia aviões privados adaptados para o transporte de grandes quantidades de entorpecentes entre a América e a Europa.
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Concierge do PCC ligou máfia paulista à máfia italiana
Gui Primola/Arte/Metrópoles

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À esq. Marcola, apontado como líder do PCC, e à dir. Willian Barile Agati, conhecido como o “concierge do crime do PCC”
Reprodução/Arte Metrópoles
O “concierge playboy”
Agati teria sido escolhido pelo PCC pela possibilidade de circular pela alta sociedade e pelas potenciais relações com pessoas influentes. O disfarce de um empresário de sucesso justificava o padrão de vida luxuoso e permitia a movimentação de quantias bilionárias em contas bancárias sem levantar suspeitas imediatas. Ele movimentou cerca de R$ 2 bilhões entre 2017 e 2024, segundo a PF.
O acusado foi apelidado de “concierge” por prestar serviços que iam muito além do tráfico internacional de drogas.
De acordo com as investigações, Agati atuou na lavagem de dinheiro da facção ao criar diversas empresas de fachada, focadas na ocultação e integração de valores advindos do narcotráfico na economia formal.
Ele também disponibilizava jatos, veículos importados, imóveis de alto padrão e artigos de luxo para os criminosos.
Para coordenar as transações internacionais e manter comunicação com as quadrilhas criminosas, o concierge utilizava o aplicativo de mensagens criptografadas Sky ECC sob codinomes como “Senna”, “Boxeador”, “Jogador” e “Playboy”.
O “playboy” também teria usado suas conexões com cônsul honorário de Moçambique, Deusdete Januário Gonçalves, para tentar uma carteira de cônsul falsa e resgatar Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, braço direito de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. Na época, o faccionado estava detido no país africano.
Ele ainda teria repassado, em 2021, R$ 5 milhões ao clube de futebol Cruzeiro em uma suposta operação de lavagem de dinheiro identificada pela PF, e teria ordenado um duplo homicídio após um roubo de carga de cocaína, e manteve relações estreitas com o doleiro Tharek Mourad Mourad.
Em nota oficial compartilhada nas redes sociais à época, o Cruzeiro Associação e o ex-presidente Sérgio Santos Rodrigues negaram irregularidades. Eles confirmaram que receberam o dinheiro de Agati como um empréstimo legal, mas garantiram que o valor foi totalmente devolvido com juros entre 2021 e 2022.
O concierge foi preso em janeiro do ano passado, na primeira fase da Operação Mariusi, que buscou desarticular a organização criminosa responsável pelo tráfico internacional de toneladas de cocaína à Europa. Em março do último ano, ele foi encaminhado ao Presídio Federal de Brasília, onde está Marcola.
Defesa nega acusações
A defesa de Agati nega todas as acusações. O advogado Eduardo Maurício afirmou, e nota, que a defesa impetrou um habeas corpus perante o STF requerendo a revogação da prisão preventiva fundamentada na “evidente ausência de contemporaneidade”.
Ele destacou que a presunção de inocência deve ser respeitada até o trânsito em julgado e que o processo é baseado em prova nula, se referindo aos telefones criptografados Sky ECC.