Totalmente elétrico e com espaço para dar e vender, terá o Aion V argumentos para se bater com as propostas das marcas consagradas?
GAC Aion V
7/10
Não lhe falta nada, nem sequer um frigorífico na versão de topo. Teste completo ao GAC Aion V.
Prós
- Espaço
- Equipamento de série
- Conforto
- Consumos
Contras
- Ausência de comandos físicos no habitáculo
- Sistema de infoentretenimento com demasiados submenus
- Direção pouco comunicativa
Estamos perante um caso sério em termos de preço, equipamento, espaço e conforto. Se fosse uma casa, diríamos que oferece muitos metros quadrados pelo preço pedido.
É neste contexto que conduzi um 100% elétrico que pode não ser o rei da autonomia, mas por pouco mais de 40 mil euros é das propostas com mais equipamento e espaço a bordo do mercado. É preciso conduzi-lo para o entender e foi precisamente isso que fiz durante uma semana.

A sua imagem pode não ser a mais apelativa, mas as minhas costas não querem saber daquilo que os meus olhos veem. O GAC Aion V aposta quase tudo no conforto e ainda bem que assim é. Mas será suficiente para se impor aos nomes consagrados do mercado?
Discreto ou anónimo?
A diferença não é muita e os modelos chineses acabam muitas vezes por cair na segunda categoria.
Porém, penso que o Aion V fica na categoria dos modelos de visual discreto. Tem um ar sólido que resulta melhor ao vivo do que nas fotografias. Não tem o sex-appeal do Peugeot 3008, mas face a um Volkswagen ID.4 o seu estilo familiar não destoa.
Chega de ecrãs
Mas mal me sentei ao volante do GAC Aion V fui invadido por uma sensação de déjà vu. Não porque já tivesse conduzido este SUV, mas porque a sua apresentação interior segue uma fórmula transversal a muitas marcas chinesas. Retirem o logótipo do volante e dificilmente conseguiria dizer, à primeira vista, em que modelo estava sentado.
A receita é a habitual: poucos comandos físicos, muitas funções concentradas no ecrã central. A climatização? Regula-se através do ecrã. O sistema multimédia? Naturalmente. Os modos de condução? Estão lá também, embora seja necessário percorrer alguns menus até lhes chegar.
2 imagens
Mas a busca pelo minimalismo foi ainda mais longe. Diria mesmo longe demais, especialmente quando tenho de aceder a um menu para ajustar os espelhos retrovisores, abrir a cortina do teto panorâmico ou definir o nível da travagem regenerativa.
Já onde o GAC Aion V se afasta agradavelmente das propostas chinesas e revela estar à altura de nomes mais consagrados é no campo da robustez do seu interior.
No confronto com o empedrado lisboeta, o Aion V saiu vencedor. Sem ruídos parasitas a denunciar fragilidades, o habitáculo revela um especial cuidado com os acabamentos que sai reforçado pela agradabilidade dos materiais.
2 imagens
Espaço não falta
Se há área em que este «ilustre desconhecido» consegue medir forças com os europeus, é na habitabilidade. As dúvidas desapareceram quando os meus filhos comentaram: “Pai, neste carro não chegamos com os pés ao banco da frente“.
O espaço nos lugares traseiros é generoso, o piso totalmente plano facilita a vida a quem viaja ao centro e o enorme tejadilho panorâmico reforça a sensação de amplitude.
3 imagens
A isto juntam-se alguns daqueles mimos que os fabricantes chineses gostam de oferecer: bancos traseiros aquecidos e ventilados e, na versão de topo, até uma caixa refrigerada e aquecida na consola central. Tudo pensado para privilegiar o conforto.
Menos convincente é a bagageira. Os 427 litros sabem a pouco para as dimensões exteriores do Aion V.

Cumpre sem entusiasmar
Se são daqueles condutores para quem uma experiência de condução dinâmica é crucial na escolha do próximo carro, então o GAC Aion V talvez não seja a escolha certa.

Uma vez ao volante do Aion V, o foco no conforto torna-se por demais evidente, com o SUV chinês a revelar-se competente, algo que não me choca tendo em conta tratar-se de um SUV familiar.
A direção comunica pouco, o tato do travão tem margem de progressão — especialmente na transferência entre a travagem regenerativa e hidráulica — e o peso faz-se sentir quando o ritmo aumenta, expondo as dificuldades da suspensão em filtrar da melhor forma as irregularidades mais curtas.
Já em autoestrada, o GAC Aion V destaca-se pela estabilidade, conforto e isolamento acústico, quase que a recordar que será também produzido na Áustria.

Consumos convencem mais do que a autonomia
O motor elétrico dianteiro de 150 kW (204 cv) e 210 Nm assegura prestações mais do que suficientes para uma utilização familiar, com uma entrega de potência sempre suave e progressiva.
Em vez da habitual «impetuosidade» de alguns elétricos, o Aion V aposta numa resposta previsível, o que acaba por tornar a condução particularmente calma e fácil de gerir no dia a dia.

A bateria LFP de 75,3 kWh promete até 510 km de autonomia WLTP, um valor que, na prática, será difícil de atingir fora do laboratório. Ainda assim, a gestão energética merece nota positiva.
No final do ensaio, o computador de bordo registava uma média na ordem dos 18 kWh/100 km, descendo para valores próximos dos 14,6 kWh/100 km numa utilização mais cuidada e sem grande pressa.
Relacionado: Primeiro teste ao novo Kia Seltos com motor completamente a gasolina
No carregamento, o Aion V admite potências até 180 kW em corrente contínua, permitindo passar dos 10% aos 80% em cerca de 24 minutos. Em corrente alternada, suporta até 11 kW. São valores alinhados com a concorrência e que, na prática, tornam a espera num carregamento rápido suficientemente curta para um café e não para um gelado guardado no frigorífico do Aion V.
3 imagens
Não é especialmente barato
Com um preço base a partir dos 40 990 euros, o GAC Aion V não tenta ganhar terreno pelo preço. Pelo contrário, posiciona-se em linha com os principais rivais europeus do segmento.
Ainda assim, não precisa de ser barato para ser relevante. A versão Premium — já bastante bem equipada — oferece uma relação espaço/equipamento difícil de ignorar, permitindo mesmo dispensar a variante Luxury sem grandes perdas de equipamento.

Na prática, os cerca de 2000 euros de diferença acabam por parecer difíceis de justificar, a não ser que o frigorífico integrado ou os bancos com função de massagem estejam no topo da lista de prioridades.
Além disso, os oito anos ou 160 000 km de garantia geral e oito anos ou 200 000 km de garantia das baterias são um ponto tranquilizador, especialmente quando falamos de uma marca desconhecida.
Não quero com isto dizer que o GAC Aion V terá vida fácil. Os rivais são muitos e bem apetrechados, mas com argumentos como o amplo espaço a bordo, o elevado conforto e até uma robustez assinalável, mostra que a ambição de fazer face aos nomes consagrados não é descabida, depende é do que valorizamos num automóvel.
Veredito
GAC Aion V
7/10
O GAC Aion V tem argumentos para competir com os nomes consagrados. É espaçoso, confortável, eficiente e muito bem equipado, além de transmitir uma robustez pouco habitual numa marca ainda desconhecida entre nós. Não é especialmente envolvente de conduzir e leva demasiado longe a dependência do ecrã central, mas cumpre com competência aquilo que se espera de um SUV familiar elétrico. Num dos segmentos mais disputados do mercado, não chega para se destacar em tudo, mas chega para ser levado a sério.
Prós
- Espaço
- Equipamento de série
- Conforto
- Consumos
Contras
- Ausência de comandos físicos no habitáculo
- Sistema de infoentretenimento com demasiados submenus
- Direção pouco comunicativa