A Coreia do Sul estima que a Coreia do Norte possui entre 80 e 120 ogivas nucleares, informou seu ministro da Defesa na quinta-feira (20), citando um alcance significativamente maior do que a recente afirmação do presidente dos EUA, Donald Trump, de que Pyongyang possui 57 armas nucleares.
O ministro da Defesa, Ahn Gyu-back, disse aos legisladores que se acredita que a Coreia do Norte geralmente possuía cerca de 80 a 120 ogivas, embora tenha alertado que é difícil determinar um número exato.
"Normalmente vemos entre 80 e 120, mas é consideravelmente limitado declarar um número exato", disse Ahn a um comitê parlamentar.
Mais tarde, Ahn esclareceu que o número foi derivado de estimativas de organizações privadas de pesquisa, acrescentando que as forças armadas da Coreia do Sul não puderam confirmar oficialmente os números.
Questionado sobre o comentário de Trump no dia anterior de que Kim possuía 57 "armas nucleares muito poderosas", Ahn disse: "os números parecem um pouco diferentes."
O líder norte-coreano Kim Jong Un discursa durante a segunda reunião plenária do Nono Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia (PTC), em Pyongyang, Coreia do Norte, nesta foto divulgada em 23 de junho de 2026 pela Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA). — Foto: KCNA via Reuters
Trump fez esse comentário na Casa Branca na quarta-feira (19) enquanto discutia o líder norte-coreano Kim Jong Un e seus planos de se reunir com ele ainda este ano.
A Coreia do Sul tradicionalmente evita divulgar publicamente estimativas detalhadas do arsenal nuclear norte-coreano e não reconhece oficialmente Pyongyang como um estado com armas nucleares sob sua política de longa data de apoio à desnuclearização.
Ahn reiterou essa posição quando questionado se o governo reconhecia a Coreia do Norte como um estado com armas nucleares.
"Não podemos reconhecer isso oficialmente", disse ele.
Ele também se recusou a comentar se a referência de Trump às 57 ogivas equivalia a um reconhecimento dos EUA do status nuclear da Coreia do Norte, dizendo que não seria apropriado que o ministro da Defesa da Coreia do Sul comentasse as declarações do presidente dos EUA.
Ahn afirmou que a Coreia do Sul continuará a depender do guarda-chuva nuclear dos EUA, em linha com a política de longa data de Seul não nuclear.
"Não podemos desenvolver armas nucleares. Também não devemos aceitar o uso de armas nucleares táticas dos EUA", disse Ahn.
Presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso em 14 de agosto de 2026 — Foto: Ken Cedeno/Reuters
A Coreia do Norte respondeu com frieza à medida. Kim Yo Jong, irmã influente do líder norte-coreano, disse que os exercícios reduzidos continuam provocativos e agressivos apesar de sua duração reduzida.
Ela rejeitou qualquer sugestão de que Pyongyang veria a medida como um gesto significativo de boa vontade e disse que não tinha conhecimento de quaisquer contatos recentes entre Trump e Kim, embora tenha descrito a relação pessoal entre os líderes como "excelente".
Trump disse na Casa Branca na quarta-feira que esperava se encontrar com Kim ainda este ano, potencialmente revivendo a diplomacia que havia paralisado após uma série de cúpulas sem precedentes em 2018 e 2019 que colapsaram devido a divergências sobre o alívio das sanções e o programa nuclear da Coreia do Norte.

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