REN. Estados Unidos elogiam esforços de Portugal para reforçar soberania energética

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  • Os Estados Unidos elogiaram os esforços de Portugal para fortalecer a segurança energética, especialmente com a recente compra de 13,7% da REN pelo Estado português.
  • A participação adquirida por 380 milhões de euros torna Portugal o segundo maior acionista da REN, atrás da State Grid Corporation of China, que detém 25%.
  • A compra é vista como uma estratégia para garantir a segurança nacional e evitar dependências de fornecedores não fiáveis, especialmente em um contexto geopolítico tenso.

Os Estados Unidos apreciam “os esforços contínuos de Portugal” para reforçar a segurança e a soberania energética, incluindo nas redes elétricas, disse ao ECO esta quarta-feira fonte oficial da embaixada americana, em resposta a perguntas sobre a reentrada do Estado no capital da REN com a compra de uma participação de 13,7%.

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O Estado português, que terá pago 380 milhões de euros para comprar a fatia detida anteriormente pela espanhola Pontegadea Inversiones, torna-se assim no segundo maior acionista da gestora das redes energéticas nacionais. A maior acionista continua a ser a State Grid Corporation of China, com 25%.

“Acreditamos que a segurança energética e a soberania energética são fundamentais para a segurança nacional e vitais para a estabilidade global“, afirmou fonte oficial da embaixada liderada por John Arrigo.

“Exortamos todos os nossos aliados e parceiros a evitarem recorrer a fornecedores não fiáveis em qualquer ponto da cadeia de abastecimento energético — o que inclui quem detém e controla as infraestruturas críticas da rede elétrica e de produção de energia”, adiantou.

Para o Governo americano, o recurso “a fornecedores não fiáveis coloca em risco a segurança nacional e as infraestruturas críticas”, abre a porta a violações da privacidade, acarreta o risco de roubo de propriedade intelectual e “compromete os mercados livres, a inovação e os fluxos seguros de dados”.

Virando a atenção para Portugal, a Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa afirmou: “Congratulamo-nos com os esforços contínuos de Portugal para reforçar a resiliência e a segurança das infraestruturas críticas, de modo a garantir que as relações económicas e comerciais não criem vulnerabilidades que possam ser exploradas em detrimento da segurança nacional”.

Na passada sexta-feira, na Festa do Pontal, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, classificou a compra da participação na REN como “muito, muito importante”, explicando que “é para estar lá dentro, para salvaguardar o interesse estratégico de Portugal na sua infraestrutura elétrica, para participar nas decisões de investimento estratégicas e para que possamos baixar o preço da energia”.

O presidente Donald Trump reúne-se com novos embaixadores no Salão Oval, na terça-feira, 25 de março de 2025. Na foto, o embaixador dos EUA em Portugal, John Arrigo.Molly Riley

“Nunca vão controlar”

A State Grid Corporation of China comprou a participação de 25% na REN na segunda fase da privatização, enquadrada nas obrigações do programa da troika, depois de no ano anterior Portugal ter pedido um resgate financeiro internacional. Nessa altura a empresa estatal chinesa pagou 387,15 milhões de euros, ou 2,90 euros por ação, o que representou um prémio financeiro significativo em relação ao valor de mercado da REN na altura (cerca de 2,00 euros).

O acordo com o Governo liderado por Pedro Passos Coelho também envolveu financiamento. A par do pagamento direto pelas ações, a transação incluiu um acordo estratégico em que a State Grid facilitou uma linha de crédito de mil milhões de euros para ajudar a apoiar e refinanciar a dívida corporativa da REN durante o auge da crise financeira da Zona Euro.

Poucas semanas antes, em dezembro de 2011, o Governo escolhera a China Three Gorges (CTG) na oitava fase de privatização da EDP. A empresa chinesa pagou na altura 2,69 mil milhões de euros, num acordo que também envolveu linhas de crédito e financiamentos no valor de 4 mil milhões.

Em 2018, quando a CTG lançou uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre as ações que não detinha na EDP, o à data embaixador americano em Lisboa, George Glass, primeiro prometeu estar atento à questão e depois, no ano seguinte afirmou numa entrevista que os EUA opunha-se “absolutamente a esse negócio”, afirmando que “em nenhuma circunstância os chineses vão controlar o que a EDP tem nos Estados Unidos”.

A questão de energia na geopolítica global, e na relação tensa entre Washington e Pequim, tem estado no centro das atenções devido à enormes necessidades de energia para o centros de dados que apoiam as soluções de inteligência artificial, incluindo não só geração de energia, mas segurança e continuidade.

A EDP, que identifica os data centers como um dos seus principais motores de crescimento nos próximos anos, fechou em fevereiro deste ano uma parceria estratégica com a Start Campus – empresa financiada pelos americanos da Davidson Kempner – para acelerar o desenvolvimento de centros de dados de nova geração alimentados por energia renovável em Portugal, com a possibilidade de expansão para outros mercados.

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