Dívida do Corinthians: clube atrasa parcelas e arrisca acordo | Ge

A gestão Osmar Stabile não pagou as três últimas parcelas do acordo celebrado no início do ano, que renegociou dívidas com a União acumuladas ao longo de duas décadas. O clube pagou as quatro prestações de fevereiro a maio, mas não as de junho, julho e agosto.

O contrato com a PGFN prevê que a "falta de pagamento de três parcelas consecutivas ou alternadas" é hipótese de rescisão do acordo.

Osmar Stabile, presidente do Corinthians — Foto: Marcos Ribolli

Como o Corinthians deixou de pagar as parcelas, a PGFN notificou o clube em 14 de agosto "para regularização, sob pena de rescisão da transação", segundo informou a assessoria de imprensa do órgão ao ge.

A PGFN é responsável por representar a União em causas fiscais e fazer a cobrança (judicial e administrativa) de dívidas como impostos não pagos e débitos com o INSS, além de assessorar o Ministério da Fazenda.

Internamente, a diretoria diz estar trabalhando para regularizar as pendências. A próxima parcela do acordo vence no dia 30 deste mês.

Procurado pelo ge, o Corinthians não se posicionou até a publicação desta reportagem.

Modo prime na Seleção! Matheuzinho, do Corinthians, monta academia em casa

Modo prime na Seleção! Matheuzinho, do Corinthians, monta academia em casa

Na conta de débitos não previdenciários, cada uma das parcelas é de R$ 4.829.616,18. Como o Corinthians não pagou três delas, o total em atraso é de R$ 14.488.848,54. São 120 parcelas ao todo.

Nos débitos previdenciários, cada uma das 60 parcelas é de R$ 2.001.982,48, totalizando R$ 6.005.947,44 em atraso.

Os valores das parcelas são corrigidos pela Selic, a taxa básica de juros do Brasil.

Clássicos e jogos de seis pontos: veja sequência do Corinthians até fim do ano

Clássicos e jogos de seis pontos: veja sequência do Corinthians até fim do ano

Se o acordo for rescindido, o contrato prevê que o montante original da dívida é restabelecido, sem qualquer desconto, com a dedução apenas dos valores já pagos. Com isso, as cobranças judiciais e extrajudiciais seriam retomadas.

Além disso, o Corinthians ficaria proibido por dois anos de fazer qualquer novo acordo de transação, mesmo relativo a dívidas diferentes.

O acordo com a PGFN motivou uma polêmica na aprovação das contas de 2025, já que, apesar de o acordo ter sido assinado em 2026, a gestão incluiu os efeitos da transação tributária no ano passado. A renegociação resultou em uma diminuição de R$ 217,428 milhões na dívida bruta total do clube.

Com endividamento na casa dos R$ 2,8 bilhões, o Corinthians acumula déficit de R$ 246 milhões nos seis primeiros meses deste ano. O clube tem atrasado o pagamento de contas do dia a dia.

Para o elenco masculino de futebol, por exemplo, a diretoria deve dois meses de direitos de imagem, férias e premiações da Conmebol Libertadores e do Campeonato Brasileiro. Neste mês, o salário de CLT dos jogadores chegou a atrasar por uma semana.

Quarteto do Corinthians volta aos treinos antes do restante do elenco

Quarteto do Corinthians volta aos treinos antes do restante do elenco

+ Assista: tudo sobre o Corinthians na Globo, sportv e ge