Corinthians queria tempo de adaptação sem bet e vê 'terra quase arrasada'

A casa de apostas Esportes da Sorte é a patrocinadora máster do Corinthians
A casa de apostas Esportes da Sorte é a patrocinadora máster do Corinthians Imagem: Fernando Bueno / Corinthians

O Corinthians queria pelo menos 90 dias para se adaptar ao fim das casas de apostas no Brasil. O prazo, porém, não foi incluído na medida provisória assinada nesta sexta-feira (25) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O que aconteceu

Segundo apurou o UOL, o Corinthians considerava três meses o tempo necessário para buscar novas receitas e reduzir o impacto da mudança sobre compromissos já assumidos.

A medida, porém, começa a valer logo após ser publicada no Diário Oficial da União. A partir daí, as plataformas ficam proibidas de receber novos depósitos.

As empresas têm até 5 de outubro para retirar anúncios, ações de marketing e marcas ligadas aos contratos de patrocínio — sites e aplicativos deverão sair do ar no dia seguinte. A medida ainda precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para continuar valendo.

O Corinthians, que vê "terra quase arrasada", agora avalia os efeitos da decisão sobre o contrato com a Esportes da Sorte. A casa de aposta é a patrocinadora máster do clube.

Corinthians acompanha impacto nos contratos

Veto das bets preocupa o presidente Osmar Stabile
Veto das bets preocupa o presidente Osmar Stabile Imagem: Fabio Giannelli/AGIF

A direção do Corinthians espera que o governo leve em conta os efeitos da mudança sobre os clubes. O Timão também considera que a reorganização do futebol brasileiro pode ajudar a reduzir o impacto da perda das receitas com as bets.

Fontes consultadas pelo UOL apontaram expectativa nas discussões da CBF sobre controle de gastos, fair play financeiro e responsabilidade administrativa. A avaliação é de que essas medidas podem ajudar os clubes a reajustar as contas após a mudança no mercado de apostas.

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As projeções do Corinthians apontam para uma queda nas receitas de patrocínio. Na avaliação interna, não há, no curto prazo, empresas capazes de substituir os valores pagos pelas casas de apostas.

Impacto pior que a Caixa

Corinthians teve patrocínio da Caixa até 2017
Corinthians teve patrocínio da Caixa até 2017 Imagem: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

O UOL apurou que a diretoria prevê uma queda nos valores dos contratos possivelmente maior que a registrada após a saída da Caixa Econômica Federal do futebol. O banco estatal encerrou os patrocínios aos clubes no início de 2019, depois de investir R$ 191,7 milhões na modalidade no ano anterior.

No caso do Corinthians, o contrato com a Caixa terminou em abril de 2017. O clube ficou 21 meses sem uma marca fixa no principal espaço da camisa, até fechar com o BMG justamente no começo de 2019.

Segundo a apuração do UOL, a avaliação corintiana é que o mercado de patrocínios voltou a crescer após a chegada das casas de apostas. As empresas passaram a ocupar os principais espaços dos uniformes e elevaram os valores dos contratos.

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O Corinthians ainda não consegue prever em que nível os valores vão se estabilizar após o fim das bets no Brasil. A direção acompanha esse cenário desde o início do ano, quando já havia identificado uma redução nos contratos de clubes de futebol com casas de apostas.

Nos estudos do clube, oito equipes da Série A começaram 2026 sem patrocinador máster. Clubes que inicialmente buscavam acordos de cerca de R$ 80 milhões também reduziram os valores pedidos diante da falta de interessados.

Contrato com a Esportes da Sorte

O maior impacto para o Corinthians está no contrato com a Esportes da Sorte. Renovado em fevereiro, o acordo vai até dezembro de 2029 e prevê R$ 150 milhões por temporada, podendo chegar a R$ 200 milhões com metas esportivas e comerciais.

O clube garantiu R$ 160 milhões fixos em 2026 ao incluir no contrato uma verba que seria usada inicialmente em ações de marketing. Parte desse valor foi destinada às ações de publicidade que viabilizaram a renovação do contrato do atacante Memphis Depay.

Parte do valor do patrocínio com a casa de apostas foi antecipada pelo Corinthians para pagar os salários em carteira do elenco e da comissão técnica masculina antes do jogo contra o Estudiantes. A partida, pela volta das quartas de final da Libertadores, terminou com derrota corintiana e eliminação na competição.

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A operação aconteceu depois de a CBF negar um novo pedido de antecipação de receitas. A alternativa permitiu pagar compromissos imediatos, mas reduziu o dinheiro disponível para os meses seguintes.

O Corinthians ainda tem direitos de imagem e premiações atrasados. O clube também não tem receitas garantidas para os próximos pagamentos.

Inclusive, o UOL apurou que a medida provisória do governo atinge uma receita que já estava prevista no planejamento financeiro. Esse dinheiro era usado para manter o fluxo de caixa do clube.

A direção corintiana também calcula que cerca de 15 clubes da elite nacional tenham problemas com a folha salarial após o veto das bets. O entendimento é de que a perda de uma fonte importante de receita pode afetar equipes que já dependem de parcelamentos, empréstimos e antecipações.

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