Cuba agradece à China novo donativo de 5.000 sistemas fotovoltaicos

Os equipamentos serão utilizados para levar eletricidade a habitações de zonas rurais dos 169 municípios cubanos, numa altura em que a ilha enfrenta uma crise energética que o próprio Governo classifica como "crítica" e "extremamente tensa"

O Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, agradeceu este domingo à China um novo donativo de 5.000 sistemas fotovoltaicos, recentemente chegados à ilha, que atravessa uma grave crise energética.

"Agradecemos profundamente este gesto do povo e do Governo chinês, que se junta aos esforços que Cuba está a fazer para mudar a sua matriz energética, no meio do bloqueio genocida", escreveu o Presidente cubano nas redes sociais, numa referência ao cerco petrolífero imposto pelos Estados Unidos à ilha.

Há dois dias, a Embaixada da China em Havana entregou este segundo donativo de 5.000 sistemas fotovoltaicos, destinados a fornecer eletricidade a habitações de zonas rurais dos 169 municípios da ilha, segundo informou o Ministério cubano do Comércio Externo e do Investimento Estrangeiro.

Em novembro passado, o Governo chinês já tinha doado outros 5.000 kits de painéis fotovoltaicos destinados às habitações que ficaram isoladas no extremo oriental da ilha depois da passagem do poderoso furacão Melissa.

Cuba atravessa uma grave crise energética desde meados de 2024, em parte devido a um sistema de produção de eletricidade profundamente envelhecido e sem os investimentos necessários durante décadas. A situação agravou-se desde janeiro com o bloqueio petrolífero aplicado pelos Estados Unidos, que impede a chegada de crude à ilha.

Nestas circunstâncias, a situação energética do país é "crítica" e "extremamente tensa", segundo reconheceu o Governo cubano, e atingiu níveis especialmente graves nos últimos meses. Desde o início de 2026 foram registados sete colapsos totais do Sistema Electroenergético Nacional.

A maioria das centrais termoelétricas, responsáveis por cerca de 40% da produção de eletricidade, foi construída nas décadas de 1960 e 1970. Diariamente, mais de metade das 16 unidades de produção encontra-se fora de serviço devido a avarias ou trabalhos de manutenção.

A principal aposta do Governo cubano para ultrapassar a crise tem sido a energia solar, sobretudo com apoio chinês. Havana colocou em marcha um programa para construir 92 parques solares em toda a ilha, com uma potência instalada total de cerca de 2.000 megawatts.

Segundo o Ministério da Energia e Minas, o projeto de transformação da matriz energética cubana prevê que as fontes renováveis assegurem 24% da produção de eletricidade até 2030.

Havana e Pequim mantêm relações políticas e económicas estreitas, fazendo da China um dos principais aliados de Cuba.