O primeiro debate entre candidatos ao Governo de São Paulo, na noite deste domingo (9), teve tom nacionalizado com trocas de críticas entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT). Os dois são os únicos participantes do programa na Band.
Tarcísio reclamou do desempenho do governo Lula (PT) na economia. Mas foi Haddad quem trouxe a gestão federal para a discussão, ao afirmar que o rival deveria agradecer o presidente por ações no estado. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também foi citado, mas seu filho, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), apoiado pelo governador, não.
Ao mencionar a desocupação da favela do Moinho, no centro da capital, Haddad perguntou se Tarcísio havia agradecido ao governo federal pela cessão do terreno, que pertencia à União, e pela liberação de R$ 180 mil para cada família poder se realocar.
"Você fala 'eu agradeço fulano, beltrano' e esquece de agradecer o governo federal. Você sempre procura não colocar as parcerias que nós, por obrigação, fazemos. Nós temos uma visão republicana de como tem que ser a gestão pública."
Tarcísio respondeu que empréstimos internacionais para o estado e financiamentos com o Banco do Brasil estão sendo travados pelo governo federal. "A visão não é tão republicana assim, vamos restabelecer [a verdade]", disse.
O petista afirmou que o adversário estava "faltando com a verdade" ao não aderir ao programa de renegociação da dívida do governo federal. Tarcísio rebateu: "Me impressiona o nível de mentira".
Haddad buscou vincular Tarcísio a Bolsonaro, em uma tentativa de nacionalizar a disputa que o governador inicialmente rejeitou, mas depois abraçou.
"Você está muito focado em Bolsonaro, falando de Bolsonaro, Bolsonaro, Bolsonaro. Esquece Bolsonaro, Haddad. Você não está concorrendo contra ele. Isso foi em 2018, já passou", chegou a dizer Tarcísio em um dado momento.
Depois, porém, o governador passou a concentrar as críticas na gestão federal, sobretudo na condução da economia e no patamar dos juros.
No segundo bloco, os dois foram questionados sobre a paternidade do projeto do túnel Santos-Guarujá. Embora ambos tenham reconhecido a parceria entre governo federal e estadual, Tarcísio enfatizou o papel da gestão paulista, enquanto Haddad focou a magnitude dos recursos federais liberados.
Em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, Haddad foi para o ataque contra Tarcísio, especialmente com críticas à gestão da segurança pública.
Tarcísio se defendeu, mencionando números positivos de sua administração e afirmando, diversas vezes, que era preciso "restabelecer a verdade".
Haddad afirmou que o Comando Vermelho vem se infiltrando no estado e que coronéis de alta patente da Polícia Militar estão vinculados ao crime organizado. Disse também que o ex-secretário de Segurança do governo estadual, Guilherme Derrite (PP), agora candidato ao Senado, bagunçou a polícia, e que Tarcísio deveria assumir a responsabilidade.
"Não adianta falar com correligionários que está arrependido", afirmou, em referência a notícias publicadas sobre a insatisfação do governador em relação ao trabalho de Derrite.
Tarcísio se defendeu dizendo que São Paulo tem os menores indicadores de homicídio, latrocínio, roubos e furtos de toda a história. Enalteceu também "mais de 500 operações em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Federal". Ainda assim, não citou o ex-secretário.
Logo na primeira pergunta, feita pelo apresentador, o petista afirmou que o estado caiu em posições na qualidade do ensino médio, tendo sido ultrapassado por entes com menos recursos. Também criticou a substituição de livro didático e professor motivado por aulas de slide e plataformas digitais.
Tarcísio, por sua vez, rebateu e emendou questionamento sobre se o ex-prefeito de São Paulo se comprometeria a dar continuidade ao trabalho atual sobre a cracolândia, destacando o êxito da atual gestão.
Sobre cracolândia, Tarcísio afirmou que a combinação de políticas públicas levou a uma vitória. Ao cobrar Haddad, perguntou se ele manteria a rede de assistência e as ações de combate ao tráfico no centro e por que seu programa quando estava na prefeitura não deu certo.
O candidato do PT respondeu dizendo que o programa reduziu o consumo de crack entre parte dos atendidos e afirmou que o combate ao tráfico cabe à polícia, enquanto a prefeitura deve cuidar dos usuários. Em seguida, acusou a gestão Tarcísio de não conter o avanço de crimes contra mulheres e de crimes raciais.
Ao falar de segurança, Haddad perguntou sobre a influência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) na gestão estadual, em uma referência à indicação de Derrite. Tarcísio, ao falar de Bolsonaro, mandou um abraço para o ex-presidente e disse que tem gratidão por ter aberto portas.
O petista, ao falar do tarifaço americano sobre produtos brasileiros, também ironizou o boné Maga (Make America Great Again) usado por Tarcísio, em 2025. "O que um governador tem que fazer é colocar o boné certo na cabeça, o boné do Brasil, colocar o chapéu de brasileiro."
Logo na primeira pergunta, feita pelo apresentador, o petista afirmou que o estado caiu em posições na qualidade do ensino médio, tendo sido ultrapassado por entes com menos recursos. Também criticou a substituição de livro didático e professor motivado por aulas de slide e plataformas digitais.
Os dois candidatos estão com as chapas completas presentes, incluindo os vices e os dois candidatos ao Senado. Do lado de Tarcísio, estão Felicio Ramuth (MDB), Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). No grupo de Haddad, Márcio França (PSB), Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede Sustentabilidade).
Outro presente é o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), aliado do atual governador.
Haddad e Tarcísio já haviam disputado o cargo em 2022, com a diferença que, neste ano, são os únicos participantes do debate, em uma espécie de segundo turno antecipado e uma amostra da eleição que se desenha.
Na pesquisa Datafolha de julho, o atual governador aparece na liderança isolada, com 46% das intenções, contra 30% do petista. Outros nomes testados têm 5% ou 4%. Assim, há chances de que a disputa estadual termine em primeiro turno.