De Cascais à Comporta, o verão quente de Georgina e Meghan

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Margarida, férias com crianças é uma canseira, mas eu acho que não te estou a dizer nada de novo.

Olha que eu acho que a agenda das celebridades em agosto conseguiu ser ainda mais intensa.

Sim, de facto, foi um verão quente e a culpa nem sequer foi das ondas de calor. Do Avesso, um podcast sobre moda com Margarida Brito Pais e Maria Ramos Silva.

O melhor é começarmos pelo acontecimento que surpreendeu o mundo inteiro e que na realidade envolveu uma manobra de diversão digna de James Bond.

Secretíssima. Quando demos por ela, já Georgina e Cristiano Ronaldo estavam casados. Nem um paparazzi, nem uma suspeita sobre o que se estava ali a passar, nada. Foi, de facto, uma manobra de mestre.

A coisa implicou uns despistes. Andávamos ali todos de olho nas férias paradisíacas do casal, com uma polémica sobre o corpo da Georgina pelo meio. Aquilo ainda ocupou uns dias de Instagram e até nos fez esquecer o casamento. Depois alguém jurou que o Cristiano se casava no Funchal no dia 8 de agosto. Olha, foi uma romaria à praça. Os fãs foram a correr e olha que chegaram a tempo de ver a noiva. Problema: era a Nicole, não era a Georgina.

Mas olha que levava um vestido mais vistoso do que a Georgina, mas já lá vamos. Antes disso, tenho que lembrar que há um outro detalhe importante para a cerimônia se manter tão discreta. A noiva não convidou a sogra ou, uma outra forma de dizer, o noivo não convidou a mãe, optando antes por ter amigos, empresários, a própria irmã da Gio como testemunhas. É impossível não dizer que havia pouca gente, mas também um enorme levante na sala.

Sim, de certeza. Não é assim uma pessoa que seja fácil de descartar da cerimônia, mas olha, foi. Não convidaram a família, mas convidaram o fotógrafo de moda, Juergen Teller, para fazer as fotografias do casamento. Fotografias essas que foram parar à capa digital da Vogue e a uma entrevista recheada de detalhes. A cerimônia foi na casa de Cascais no dia 11 de agosto, data que assinalou os 10 anos desde que os noivos se conheceram. Ainda trabalhava a Georgina na Gucci.

A Gucci que foi, de resto, a marca escolhida para vestir toda a família neste momento. Estilo círculo perfeito. Aliás, há uma fotografia ótima de todos os sapatinhos Gucci alinhados, de todas as crianças.

Parecem os sete anões.

É verdade. A noiva foi de branco, lá está, mas com uma saia travada, uma camisa de seda de manga comprida, um look muito distante dos vestidos justos e rendados, que todos esperávamos que fosse a escolha para um dia de casamento.

Mas ela disse à revista que ainda teria uma grande festa.

Sim, isto foi o momento civil.

O céu é o limite.

É verdade, mas o que tu achaste desta escolha?

Olha, desde logo achei tudo muito justo ao corpo.

Também era. Apesar de não haver essas rendas, mas sim.

Não é que eu não goste de coisas justas ao corpo, mas aquilo era justo de uma maneira que parecia que até nem assentava bem.

Estava curto. Aquilo parece que ia mexer.

Pronto, confesso que esperava um vestido e não também assim um look tão formal. Isto parecia mais uma coisa para ir a uma conferência do que propriamente para te casares.

Na cimeira.

Sim, mesmo que seja na sala de tua casa. E véu, claro está, nem vê-lo, até porque a cerimônia foi civil.

Nem fazia sentido.

Seguiu-se depois uma bênção no Santuário de Fátima. Isto tudo sempre com a Vogue a reboque. E ainda bem, porque as fotografias são mesmo muito boas.

Há ali um lado muito kitsch.

É muito engraçado. Temos os noivos a treinar, temos a Gio de toalha na cabeça, à beira da piscina, cheia de joias. Temos a família reunida junto à imagem de Nossa Senhora de Fátima. Isto tudo sempre com muitos diamantes à mistura.

Sim, porque a Georgina diz que foi tudo muito simples. Tem um lado simples, mas não é toda a gente que se casa com 50 milhões em cima. Assim até dava para ir de jeans e camiseta branca que compunha a coisa.

É, de facto, um conjunto de joias impressionantes da Chopard. Aliás, marca da qual a Georgina é embaixadora. Aliás, ela publicou há poucos dias também uma nova imagem dela para a marca.

O jardim de Kalaghan, aquela cereja em cima do bolo quando falamos deste nível de milhões. De facto, é um set com seis peças desconstruídas que se reuniam ali quase como um puzzle, dos pendentes do colar aos brincos, ainda a pulseira que guarda ali um relógio secreto. Na verdade, a Georgina já tinha usado parte do conjunto com diamantes originários do Botswana em momentos anteriores, nomeadamente na Met Gala em maio, quando ela surgiu com aquele look, lembras-te certamente, homenagem à Nossa Senhora.

Até foi especulado se o vestido de noiva não seria ascendentes desse evento.

Aquilo, na verdade, serviu de aperitivo para a boda em agosto. Vemos agora.

Mas depois, olha, não se comprovou aqui nenhuma parecença. Eu sei que no fundo, isto tudo te surpreendeu. Mas o que realmente a ti te chamou a atenção foi o Ronaldo admitir à revista Vogue que poderia estar perto da reforma.

Não, o que me surpreendeu, sobretudo, foi ver que muita boa gente ficou surpreendida por ele deixar cair esta informação a uma revista de moda. O que diz muito de uma certa desconfiança que o grande público ainda tem sobre o setor e sobre este tipo de publicações, e achar que há outros espaços mais interessantes para partilhar este tipo de informação. Mas o facto é que eu, pelo menos, tenho a teoria que não é com vinagre que se apanham moscas, como se costuma dizer. É muito mais fácil ver Ronaldo ou outra grande personalidade partilhar uma notícia de peso como esta durante uma produção mais glossy, mais descontraída, do que, na verdade, se estiver numa conferência de imprensa, ser metralhado por dezenas de microfones da imprensa desportiva.

Nem que seja porque estão mais descontraídos.

Sim, e na verdade, ele geriu o seu timing. Ele é que sabe o que diz, quando diz e pronto, mantém o seu registo.

Olha, de facto, foi o acontecimento do verão em geral e da jornalista Gabby Brooks em particular. Porque isto uns dias depois de sair este exclusivo com Cris e Gio Ela entrevista Marta Ortega, herdeira do império Zara, para a Vogue espanhola. Portanto, está em grande esta jornalista.

Totalmente. A Marta Ortega, que foi fotografada por outra veterana da fotografia e da fotorreportagem, a Annie Leibovitz, agora mais naquele estilo onírico, conto de fadas, bastante diferente do Taylor. Mas sabes que até há um ponto em comum com os acontecimentos em Cascais, isto é, a Zara de certa forma também esteve presente no casamento do Cristiano e da Georgina e nem precisou de convite.

É que não perdem pitada. Como é que isso aconteceu?

Porque o vídeo dos bastidores, nós vimos aquilo um bocadinho ao pormenor, mostra a conservadora que supervisionou a cerimônia civil, e a senhora estava a usar um vestido da marca. Vê-se tudo bem.

Era uma referência bem popular e que se vai espalhar pelo Instagram, é publicidade gratuita.

E nem é preciso pagar.

E sem precisar de pagar. Mas de facto, olha, foi a Zara e foi Portugal também que não pagou, mas teve por cá muitos acontecimentos este verão em solo português.

Campanha extraordinária.

Fizeram assim correr tintas internacionais. No dia 3 de agosto, demos também por cá as boas-vindas à filha da Princesa Eugenie, que nasceu em Lisboa e até se chama Adelaide, que é um toque nacional.

Sim, é um toque british, mas também um toque português, como a princesa assumiu. Olha, e uma coisa muito curiosa, eu acho que poucos repararam, mas a bebê foi fotografada com um baby doll cor-de-rosa, com umas asinhas de anjo, que é um artigo da marca da Marie Chantal, a princesa que em 95 casou com o príncipe Pavlos da Grécia, e que, talvez nem toda a gente sabe, mas tem uma linha premium de roupa de bebê que até tem peças ao alcance dos comuns mortais. Algumas um pouco mais caras, é verdade, mas também não são das marcas mais caras, são coisas muito mais estratosféricas.

Encontras coisas a partir de 60 € no site.

Para um presente, para ser uma coisa especial.

Encontras ali várias coisas e provavelmente até foi um presente, percebe-se que elas se conhecem.

É verdade, sim. E que estão bem, há uma ligação muito próxima.

Olha, foi pena foi o príncipe Harry já não estar por terras lusas nessa altura, porque bem podia ter ido logo fazer uma visita à prima.

Mas sabes que dizem que a Sarah Ferguson, especula-se, ela que tem andado desaparecida, pode ter estado cá acompanhar a filha neste momento.

Estiveram cá todos. Os duques de Sussex, como estava a dizer, estiveram na Comporta aqui nos finais de julho e Meghan Markle até andou a ver lojas de interiores. Olha, quem nos diz que não traz para cá a sua marca de lifestyle, Hazever.

Hazever, ou que tenta expandir em termos internacionais, o que nos daria boas razões para falar de muito homeware, porque a senhora vende compotas, chás, vinhos, são tudo coisas que na verdade se produzem cá e muito bem. Bom, eles vão voltar mais regularmente a Portugal, de certeza, sobretudo agora que se sabe que vão instalar-se de novo no Reino Unido.

Vão estar mais perto.

Sim, vão estar mais perto. Mantêm esta casa no litoral alentejano, isso também foi público. Mas para mim o mais interessante é esperar para ver o que é que irá vestir a Meghan nos próximos tempos. Admitindo que se possa juntar a alguns momentos-chave oficiais da família, como o Natal em Sandringham. Ou não. Mas é interessante ver, de facto, como é que ela vai aparecer publicamente.

Ela habituou-nos ao minimalismo em Montecito, muito quiet luxury. Aliás, até a cozinhar molho de tomate toda vestida de negro, com um pulôver aos ombros, nós a vimos. O que realmente é uma coisa que só pessoas sem medo nenhum de estragar roupa podem fazer. Agora a grande questão é: será que ela vai aparecer de novo de unhas pintadas de preto ou fazer outras quebras a protocolo?

A quebrar o protocolo. Se quiser voltar a dar enxaquecas à família real, o que me parece que não está totalmente excluído. Vamos ver. O fato é que está em aberto a agenda que seguirão, a exposição pública que terão ou não, as ocupações que poderão ter ou não. Quem nos diz que a Netflix não quer um especial agora sobre a vida no countryside britânico, Margarida, imagina. E lá está, acima de tudo, se irão coincidir com a família em alguns momentos oficiais, e que normalmente pedem uma composição de imagem ligeiramente diferente.

Os Sussex, de resto, já fizeram saber que não querem que se saiba onde é que os filhos Archie e Lilibet vão estudar. Agora, o que nós não sabemos é se a imprensa britânica irá respeitar esta vontade, até porque a imprensa britânica muitas vezes não respeita bem as vontades da realeza. Mas de facto seria um ótimo contexto para a Meghan reaparecer e ter assim o seu momento Princesa Diana pós divórcio.

Tu achas isso? Tu lembraste-me dessa fase em que a Diana se livrou de alguns espartilhos, passou a ver a sua vida fotografada pelos paparazzi, a levar os filhos à escola, ao ir e vir do ginásio, e que corresponde a muitos daqueles momentos de moda que nós elogiamos mais até hoje, ali no começo dos anos 90.

É, e até porque é um momento que é menos encenado.

É, mais descontraído. Pelo menos era assim.

Pode ser um momento para aquecer um bocadinho de novo o coração dos ingleses, que eu diria que está completamente gelado com a situação da Meghan.

A Meghan está sempre a encenar muita coisa. Portanto, não sei se ela se conseguirá livrar disso.

É, também não sabemos é se a Meghan vai usar mais marcas britânicas, como a Chloe ou Herdan, algo que chegou a fazer aqui antes do Megxit. E com isto tudo, já ninguém se lembra é que a Taylor Swift também casou em junho.

Isso já passou. Parece que já foi há uma eternidade.

Até porque nós nem sequer tivemos imagens do vestido ou dos vestidos, não tivemos nada para comentar.

Sabes, foi de certa forma um verão quente, mas um verão também dos casamentos discretos. Discretos dentro do gênero, porque alugar o Madison Square Garden três dias e mandar fechar ruas não é bem o conceito geral de discreto, pelo menos o meu não é, mas talvez o termo seja mais restritos, que discretos. Apesar de a Taylor também ter tido uma catrefada de celebridades nos convidados.

Sim, está a ser interessante seguir um bocadinho estas diferentes abordagens. Olha, a Portuguese girl Vicky Montanari teve para já um casamento civil aqui na embaixada de Itália em Lisboa. Ela é italiana e brasileira, mas vive em Lisboa, com um grupo muito reduzido de familiares e amigos, eram 30 pessoas, e que depois da cerimônia seguiram todos para um copo de água. Lá está, muito informal, num conhecido restaurante da Madragoa, que penso que seja também de amigos da Vicky. E tens fotografias ótimas, tudo de prato na mão, no meio da rua. É muito engraçado e reforça, de facto, esta ideia de informalidade.

Uma noiva de Prada, pelo menos por agora, porque prometeu que haveria, de facto, mais festa por diante, portanto, são precisos mais looks teremos nós.

E sapatos, porque a noiva foi de branco, mas foi com sapatos amarelos clarinhos, portanto, estamos para ver o que é que ela irá usar

Nos próximos momentos.

Do casamento. Já agora que estamos a falar de sapatos, temos que falar dos sapatos mais polêmicos do verão.

Oh, meu Deus.

Ou da falta deles.

Vamos a isso.

É que eu nem sei bem se posso dizer que aquilo são sapatos.

É excessivo. Eu acho que é um pouco excessivo.

Não sei, acho que não entra na categoria. Falamos dos calcanhares com anilhas da Chanel. Na altura, estas sandálias pé descalço, como ficaram conhecidas nas redes, deram muito que falar. E claro, o maior argumento dos defensores do modelo é que se tratava apenas de um produto pra desfile, para servir ao conceito do designer. Mas a verdade é que apareceram agora na rua, nos pés da atriz Margaret Qualley, saindo desse universo cênico, que é um desfile de moda.

Sim, também marcando ali, de alguma forma, uma ideia de provocação. E ao mesmo tempo comprovando o peso que uma marca ainda tem. Porque nós também falávamos disso, parece que quando tem a marca-

E isso será tão pesado ao ponto de tu poderes usar uma coisa que não faz sentido nenhum pro dia a dia?

Exatamente. E que se não tivesse essa marca, de facto, era só uma coisa estranhíssima. Olha, é assim tão polêmico e controverso como esta outra tendência estival agora nas redes, que foi o kind of chic, que é um ótimo exemplo do que não é chique todo, mas pirou-se todos os dias, digo eu.

Olha, tu não começas já com os olhos a tremer.

Não, eu tenho que me poupar.

Nem com dores de cabeça para isto. Tu tens que te guardar mesmo, porque os próximos capítulos aqui do folhetim Sussex vão dar cabo dos nervos.

E o verão ainda nem acabou.

Não.

Até pra semana.