Procura por quartos sobe e oferta cai

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Esta é a Boa Moeda, Má Moeda das manhãs. 360, comigo já estás, Judite França. Olá, Judite, bom dia.

Bom dia.

Hoje começamos por uma Má Moeda.

Começamos pela instabilidade no Médio Oriente, que esta semana assinala meio ano de duração e as repercussões no setor dos combustíveis continuam a penalizar severamente os consumidores e a atividade das empresas em Portugal. Conforme aponta uma análise avançada pelo Dinheiro Vivo, os cálculos do Automóvel Clube de Portugal indicam que o litro do gasóleo simples ascende agora aos 2,061€, enquanto a gasolina 95 simples passa a custar 1,985€. O salto é evidente quando comparado com o cenário do final de fevereiro, altura em que o gasóleo se fixava nos 1,596€ e a gasolina nos 1,681€. Na prática, trata-se de um encarecimento no diesel superior a 29% em apenas seis meses, uma subida expressiva que ocorre mesmo com o desconto de ISP aplicado pelo governo.

Judite, a evolução do mercado nacional também ilustra bem essa forte instabilidade.

Sem dúvida. Segundo o histórico mantido pela Direção-Geral de Energia e Geologia, as revisões efetuadas às segundas-feiras contabilizaram, ao longo deste semestre de conflito, 15 agravamentos e 10 reduções na cotação do gasóleo, somando-se agora a 16ª subida do período. O cenário atual destaca-se ainda por uma anomalia no mercado. O gasóleo mantém-se mais caro do que a gasolina, contrariando aquele que é o comportamento histórico. O motivo reside no estrangulamento do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, ponto de passagem estratégico para cerca de um quinto da produção petrolífera do planeta. O tipo de petróleo extraído no Golfo Pérsico é fundamental para a transformação em gasóleo e combustível de aviação. O aumento do risco na navegação e o custo elevado do transporte enfraqueceram a oferta global e colocaram as refinarias ocidentais sob forte pressão.

Judite, esta escassez refletiu-se na margem internacional de refinação do diesel.

Claramente. Foi ultrapassada a fasquia histórica dos 102 dólares por barril. Com o barril de Brent a fechar a semana perto dos 94 dólares, os sinais indicam que a volatilidade nos postos de abastecimento está longe de terminar.

E agora vamos à Boa Moeda, porque também existe uma. Vamos falar do preço dos quartos.

É, o preço dos quartos subiu apenas 1% no segundo trimestre deste ano, face ao mesmo período do ano anterior. Uma estabilidade que pode surpreender num mercado sob forte pressão, em que a procura cresceu 27% a nível nacional, enquanto a oferta recuou 11%. Portanto, este aumento de 1% é, de facto, uma boa notícia. Segundo uma análise do site de imobiliário Idealista, e apesar desta estabilidade média, os preços dos quartos para arrendar aumentaram em 13 dos 20 municípios analisados. Foi no Funchal e em Vila Real, onde os preços mais subiram, ambos com um aumento de 14% face ao mesmo período do ano passado. Seguem-se Beja, Ponta Delgada, Santarém, Setúbal, Évora, Faro, Guarda, Porto, Leiria, Viana do Castelo e ainda Viseu. Em Bragança e Portalegre, os preços desceram 4%. Em Aveiro, Braga, Castelo Branco, Coimbra e Lisboa, os preços mantiveram-se estáveis durante o período analisado.

Então, mas Lisboa continua a ser a cidade com quartos mais caros.

Sim, com preços medianos a rondar os 550€ mensais. Segue-se o Funchal, com 500€ por mês, o Porto com 450, depois Ponta Delgada, Faro, Setúbal, Évora, Aveiro e Viana do Castelo. Um quarto em Braga custa, em média, 350€ por mês. Segue-se Coimbra e Santarém. Até 300€ por mês encontra-se quarto em Leiria, Vila Real, Beja, Viseu, Castelo Branco e Portalegre. As cidades mais econômicas continuam a ser a Guarda e Bragança.

Bem lá pra cima. E Judite, continua a haver muita procura por quartos no país.

No segundo trimestre deste ano, o crescimento da procura foi transversal a todo o país, mas com intensidades diferentes entre as cidades. Por exemplo, Beja foi o mercado com maior explosão de procura, com aumento de 160% em termos homólogos. Seguem-se Coimbra e Porto, dois dos maiores mercados do país, onde a procura mais do que duplicou num ano. Évora, Viseu e Bragança também registaram subidas muito expressivas. Já Lisboa avançou 17%, seguida de Viana do Castelo, enquanto os crescimentos mais moderados registaram-se no Funchal e em Leiria. Setúbal, Vila Real, Faro, Braga, Castelo Branco e Portalegre foram as únicas cidades onde a procura recuou face ao ano passado. Se olharmos pra oferta, a evolução foi muito diferente entre as cidades analisadas. Por exemplo, Ponta Delgada foi o mercado onde a oferta mais cresceu. Cresceu 94%, seguida de Bragança e Funchal, Viana do Castelo, Vila Real e Portalegre também registaram aumentos expressivos. Curiosamente, em sentido contrário, Porto e Coimbra registaram as maiores contrações de oferta, cerca de 40%, precisamente dois dos mercados onde a procura mais do que duplicou, o que agrava a pressão sobre os preços nestas cidades, claro. Évora, Lisboa e Leiria também viram a oferta recuar.

O certo é que estamos numa fase em que os estudantes do ensino superior estão à procura de quarto pra arrendar depois de terem sido conhecidas as colocações. Isso já se nota aqui?

Estes dados ainda não revelam essa procura, mas demonstram que arrendar quartos não é só para estudantes. Os dados publicados nesta análise revelam que o arrendamento não é uma opção habitacional apenas para estudantes, lá está, convertendo-se também na opção eleita para jovens nos seus primeiros anos no mercado de trabalho e, em alguns casos, até mais tarde. A atual realidade do mercado de arrendamento nas grandes cidades faz com que seja complexo para muitas pessoas solteiras suportar o custo de uma casa, tornando o arrendamento de um quarto opção mais vantajosa. Por outro lado, partilhar casa continua a ser um estímulo pra muitos jovens com vontade de serem independentes e de saírem de casa dos pais, uma tendência que deverá, aliás, aumentar nos próximos anos.

A torcer por eles. Boa Moeda, Má Moeda, com a Judite França. Amanhã mais. Obrigada, Judite.

Até amanhã.

Até amanhã.