Brasil
Defesa diz que documentos sobre atuação de Mendonça divulgados por Moraes reforçam tese de que Lulinha não tem relação com fraudes no INSS
04/09/2026 20:25
, atualizado 04/09/2026 21:16

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), divulgou nesta sexta-feira (4/9) uma nota à imprensa na qual afirma que os relatórios de inteligência da Polícia Federal (PF) tornados públicos em meio à crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), reforçam a tese de que não existe qualquer conexão entre Fábio Luís e as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apuradas pela Operação Sem Desconto.
O texto, assinado pelo advogado Guilherme Suguimori Santos, ressalta que a defesa “sempre afirmou” que não existia conexão entre Lulinha e o esquema de fraudes investigado, e que essa posição teria se confirmado “após a criação de novos inquéritos expressamente alheios à operação, mas cuja própria origem indica a ocorrência de pescaria probatória e direcionamento ilegal”.
De acordo com o advogado, a suposta contaminação processual já vinha sendo questionada pela defesa e teria sido, agora, corroborada pelos próprios relatórios de inteligência da PF divulgados nessa quinta-feira (3/9). Os materiais fazem apontamentos sobre a legitimidade, os limites e o direcionamento de inquéritos produzidos no âmbito da estrutura investigativa da corporação.
A nota afirma ainda que Fábio Luís permanece à disposição das autoridades e que confia na possibilidade de provar sua inocência nos autos. A defesa também diz esperar que o Judiciário não relativize eventuais ilegalidades, parcialidades e direcionamentos políticos que, caso sejam confirmados, “exigem o arquivamento definitivo das investigações”.
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Leia a nota na íntegra:
“A defesa de Fábio Luís Lula da Silva sempre afirmou que não existia conexão entre Fábio Luís e as fraudes no INSS apuradas na Operação Sem Desconto. Isso se confirmou após a criação de novos inquéritos expressamente alheios à operação, mas cuja própria origem indica a ocorrência de pescaria probatória e direcionamento ilegal.
Essa contaminação já era objeto de questionamento pela defesa e foi agora corroborada pelos relatórios de inteligência da Polícia Federal publicizados ontem, contendo apontamentos sobre ilegitimidade, limites e direcionamento de inquéritos, registrados pela própria estrutura investigativa.
Fábio Luís Lula da Silva permanece à disposição das autoridades e provará sua inocência nos autos, mas mantém a confiança de que o Poder Judiciário não fechará os olhos para ilegalidades, parcialidades e direcionamento político que, sendo confirmados, exigem o arquivamento definitivo das investigações.
São Paulo, 04 de setembro de 2026.”
Crise Moraes x Mendonça
A manifestação da defesa de Lulinha ocorre no momento em que o STF vive uma de suas maiores crises internas. Nessa quinta, Moraes acionou o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, no âmbito do Inquérito das Fake News, para acusar Mendonça de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero, que investigam esquemas financeiros e de influência envolvendo o Banco Master e o INSS.
O estopim da crise foi a decisão de Mendonça de retirar o sigilo de uma investigação da PF sobre mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que sugeririam favorecimento e cobrança indevida de atuação por parte de Moraes no caso.
Em resposta, Moraes classificou a conduta de Mendonça como usurpação da direção das investigações, participação irregular em tratativas de colaboração premiada e direcionamento de alvos por motivações pessoais e políticas. Segundo Moraes, entre os possíveis alvos estaria o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Uma análise dos documentos, contudo, mostra que o material contém ressalvas. A própria PF classifica algumas das hipóteses apresentadas com grau de confiança “baixo” ou “moderado”. Além disso, o documento não possui cabeçalho oficial nem assinatura de delegados, traz o carimbo de “difusão restrita” e registra expressamente que se trata de uma peça de trabalho “sem valor probatório”.
O material esclarece, ainda, que não constitui um relatório final de investigação, mas uma análise temporária de cenário.