O director global de marketing da Ferrari, o italiano Emanuele Carando, admitiu ter ficado surpreendido pelas reacções negativas ao primeiro eléctrico da marca, o Luce. Contudo, recorda que não foi a primeira vez que os que adoram os coupé desportivos do construtor fundado em 1939 por Enzo Ferrari reagiram intempestivamente à revelação de um novo modelo, que não estivesse em linha com os coupés baixos, curtos e leves da casa do Cavallino Rampante, como foi o caso do SUV Purosangue, que marcou a estreia da marca nos modelos com quatro portas e quatro lugares, simultaneamente volumosos e pesados.
Ferrari Luce é uma berlina eléctrica com 1050 cv desenhada pelo designer da Apple
Carando recorda que, quando lançaram o Purosangue, há cerca de quatro anos, as reacções foram igualmente muito negativas, não faltando quem acusasse o SUV de levar o fundador Enzo a revolver-se na campa. Mas, passados poucos meses, o Purosangue já era o modelo mais pretendido da gama e facilmente seria o mais vendido não fosse a Ferrari pretender evitar os erros de marcas como a Porsche, que apesar de comercializar modelos menos possantes e menos sofisticados do que a Ferrari, na ânsia de aumentar a facturação, permitiu que a marca reconhecida pelos seus coupés, como o 911, passasse a vender maioritariamente SUV pesados e volumosos, como o Macan e Cayenne.
Hamilton e Leclerc apertam com o Luce, que fez acções caírem e depois… subirem
Consciente do potencial de vendas que possuía o SUV, a Ferrari sentiu a necessidade de limitar a produção do Purosangue a somente 20% das vendas totais, o que num construtor que produz anualmente cerca de 14.000 unidades, não ultrapassa as 3 mil unidades por ano. As más reacções e o posterior sucesso do Purosangue, permitem a Carando encarar as críticas ao Luce com um sorriso nos lábios, ainda que admita que a tempestade em torno do modelo eléctrico tenha superado a que foi gerada pelo SUV.
Polémico Ferrari Luce foi criticado por coleccionador da marca
Numa entrevista publicada no Edmunds, o marketeer da marca italiana afirmou que “a Ferrari é um construtor tão amado que pertence a todo o mundo, pelo que todos têm direito a opinar sobre ele”. Para admitir depois que, “sempre que criamos algo novo, as novidades mais extremadas cabam por assustar muita gente”, o que deve ser particularmente verdade num período em que a necessidade de apostar na mobilidade eléctrica exija grandes investimentos e que a incursão da Ferrari por terrenos nunca antes trilhados, que obviamente não domina, elevou o nível do desafio face à concorrência.