A psicóloga portuguesa Carolina Nunes detida no Aeroporto de Bali, na Indonésia, com uma caixa de 50 munições na mochila, já regressou a Portugal, onde deu várias entrevistas a contar a experiência traumática que viveu recentemente.
Ao programa Casa Feliz, da SIC, Carolina Nunes, que é atleta de tiro desportivo, revelou que a caixa terá ficado esquecida numa das várias bolsas da mochila, durante uma prova ou treino.
Na viagem para Bali, a caixa não foi detetada em nenhum dos aeroportos pelos quais passou, mas quando regressava a Portugal, as autoridades indonésias encontraram-na.
A psicóloga acabou por ser detida, num país onde há pena de morte e onde a posse de armas e munições pode levar a condenações muito severas. Foram 15 dias difíceis, de muita incerteza, que recordou agora.
Carolina Nunes começou por contar que quando as munições foram encontradas também ela foi "completamente" apanhada de surpresa.
"Tinha estado três semanas na Indonésia, tinha estado em Bali, onde fiz um retiro, tinha andado a passear sempre com a mochila para todo o lado e nunca tinha reparado que tinha aquelas munições dentro da mochila”, disse, revelando que a caixa era de "munições desportivas", com cerca de 6 centímetros, ou seja, do tamanho de um cartão multibanco, e pesava cerca de 130 gramas.
"Quando ela foi detetada eu estava a regressar a Portugal. No Aeroporto de Bali já de regresso a Portugal depois das três semanas de férias. Perguntaram-me como é que eu não tinha dado conta de que a tinha. Eu parti de Portugal para Madrid e de Madrid para Bali. Passei a mochila no raio-x, perguntei se era preciso tirar o computador disseram que não. Passei, fiz Bali três semanas inteiras. De regresso, passo a mala no raio-x. Não tiro o computador porque na última viagem não me pediram. E, nesse momento, o segurança pede para tirar o computador. Eu tiro e volto ao raio-x. E é nessa altura que ele diz: há aqui qualquer coisa", explicou Carolina.
A atleta pensou que se tratava de um "creme de mãos", "uma garrafa de água". Nunca a caixa de munições. Mas foi surpreendida com o achado.
"Quando ele tira a caixa das munições da mochila, que é mochila militar - deve ter cerca de 40 bolsas dentro, sem exagero -, de um bolso junto às costas. Naquele momento, bloqueei. Mas pensei que conseguiria explicar. Não sabia que isto estava aqui mas consigo explicar. Tirei os cartões todos. Ando sempre com a minha licença de uso e porte de arma dentro da carteira. Mostrei o cartão da Federação Portuguesa de Tiro, da qual sou atleta", contou.
No entanto, Carolina foi na mesma "levada para a sala da polícia e aí começou uma tentativa de sobrevivência".
A psicóloga foi submetida a três dias de interrogatório "muito complicados". "Para tentar explicar a inocência de algo que me tinha esquecido - quando preparei a mochila, abri-a toda, meti as coisas lá dentro, para mim estava limpa - foi complicado. Tive de recorrer às entidades em Portugal. Amigos que contactaram entidades, autoridades, para emitirem rapidamente os comprovativos das licenças todas", referiu.
"Foram três dias e três noites de interrogatório com violência psicológica", revelou ainda ao mesmo programa, notando que as autoridades indonésias suspeitavam que Carolina fosse "terrorista".
"Na ideia deles eu tinha ido levar ou buscar munições lá. Por isso, as horas todas sem beber, sem comer, sem dormir era para ver se eu entrava em contradição, o que nunca aconteceu. Eu sou realmente atleta, fui eu que comprei, apresentei o comprovativo. Mas estava a ser difícil e há uma altura em que, naturalmente, quebro", confidenciou.
A questão da língua, como já tinha dito na chegada ao aeroporto, foi uma grande barreira para que as autoridades de Bali a percebessem. "A tradutora também tinha alguma dificuldade em falar inglês, mas estava sempre a ouvir pena de morte e 20 anos na melhor das hipóteses. Eu estava sozinha e aí comecei a temer por tudo. Eu tenho filhos e comecei a perder a esperança", lembrou, visivelmente emocionada.
Ao Correio da Manhã a profissional de saúde mental já tinha revelado que tinha vivido um verdadeiro "pesadelo" e que, durante a detenção, na Indonésia, chegou mesmo a ser levada para o hospital, devido a um "problema de saúde".
O caso acabou por ser arquivado porque a psicóloga portuguesa conseguiu provar a sua inocência.

Psicóloga detida em Bali já está em Portugal. "Foi realmente um pesadelo"
A psicóloga detida em Bali com 50 munições numa mochila já está em Portugal. Na chegada ao Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, Carolina de Freitas Nunes admitiu ter passado por um autêntico “pesadelo”.
Natacha Nunes Costa | 11:14 - 05/07/2026
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