O nível de endividamento de França vai continuar a aumentar, atingindo 119,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e 121,7% em 2027, níveis recorde, projetou hoje o Ministério da Economia e das Finanças francês.
© Riccardo Milani / Hans Lucas / AFP via Getty Images

"Esta subida é mecânica. É consequência de um défice que continua elevado", acrescentou o ministério numa conferência de imprensa, depois de ter submetido durante a noite os textos orçamentais para 2027 ao Alto Conselho das Finanças Públicas (HCFP)
O parecer desta instituição, ligada ao Tribunal de Contas, é obrigatória, devendo agora pronunciar-se sobre "a sinceridade e credibilidade" das trajetórias macroeconómicas.
Estes níveis de endividamento são os mais elevados desde 1995, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (Insee) francês.
Depois de 5,1% do PIB em 2025, o governo prevê um défice público de 5,4% em 2026. Este diminuiria para 5% em 2027, um objetivo que o ministro da Economia e das Finanças francês, Roland Lescure, considerou na quinta-feira "ambicioso", mas "obviamente realizável".
"A perspetiva de uma estabilização deste rácio [da dívida] só poderá ocorrer quando o défice público for reduzido para 3%" do PIB, um objetivo mantido para 2029, precisou ainda.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, apresentou na quinta-feira as grandes linhas de um orçamento para 2027 que quer "ofensivo", com um esforço maciço de 54 mil milhões de euros, deixando, contudo, ao Parlamento a tarefa de decidir sobre algumas medidas, como as consideradas sensíveis e relativas aos reformados.
Os projetos de Orçamento do Estado e da Segurança Social serão apresentados em Conselho de Ministros a 01 de outubro, antes da sua apreciação no Parlamento.
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