Cadê os camisas 10? Veja onde estão os das seleções de base do Brasil | Ge

O técnico da Seleção, Carlo Ancelotti, revelou que encontrar meio-campistas é a prioridade do novo ciclo. Diante disso, o ge responde a uma pergunta: onde estão os últimos camisas 10 das seleções de base do Brasil?

Camisas de Neymar à venda na frente do Bezerrão — Foto: Cahê Mota

Ex-técnico da seleção sub-20 e da seleção pré-olímpica, Ramon Menezes explica a situação atual dos meio-campistas na base brasileira.

— A gente está muito preocupado com intensidade, velocidade, força, organização e resultado. A gente está deixando a criatividade em segundo plano. Isso que sempre foi a marca registrada do nosso futebol. A característica do futebol brasileiro sempre foi o drible, sempre foi o improviso. O 10 não desapareceu, a gente tem talentos. Agora, temos que ver a plataforma, o modelo de jogo, a maneira como você vai encaixar esse jogador dentro da sua estrutura — diz Ramon.

Ramon diz que saída precoce de jovens influencia na formação dos camisas 10

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A análise das últimas grandes competições sul-americanas e mundiais revela como a figura do armador centralizado migrou para outras funções, muitas vezes adaptada para pontas, segundos volantes ou até atacantes em esquemas como o 4-2-4, que foi utilizado por Ancelotti na última Copa.

Ciclo a ciclo

Veja abaixo os nomes utilizados na função de camisa 10 — e suas variações — nos últimos 10 anos.

2025

No Sul-Americano Sub-20 de 2025, em que a Seleção ganhou o título utilizando o esquema 4-2-3-1, a responsabilidade criativa passou por nomes como Pedro, atualmente no Zenit e titular daquela geração, e Gabriel Carvalho, hoje no Al-Qadsiah, que era opção no banco quando ainda defendia o Internacional.

Para Ramon Menezes, Pedro, ao lado de Estêvão, é um nome que pode ser aproveitado como camisa 10 no atual ciclo da seleção brasileira por Carlo Ancelotti.

Ramon Menezes cita Pedro, do Zenit, e Estêvão como camisas 10 para a Seleção

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— O Pedrinho (pode ser usado), o próprio Estêvão da base que teve comigo. O Pedrinho pelo histórico, ele teve conosco em duas competições, e nas duas competições ele fez gol na final, e nas duas competições nós tivemos sucesso, nós fomos campeões.

— Nesse último Sul-Americano ele foi o nosso principal jogador, um jogador já com esse histórico de Seleção, referência dentro do campo. Ele tem esse potencial, embora no Zenit ele esteja jogando em outra função.

Pedro, revelado pelo Corinthians, hoje no Zenit — Foto: Reprodução / Instagram

Meses depois, no Mundial Sub-20 de 2025 — competição em que o Brasil acabou eliminado ainda na primeira fase —, a equipe voltou a adotar o 4-2-3-1, tendo Erick Belé, do Palmeiras, centralizado na armação. João Cruz, do Athletico-PR, outro jogador que pode atuar como 10, atuou aberto pelo lado direito. Pedro não foi liberado pelo Zenit para jogar a primeira fase.

Erick Belé comemora gol do Palmeiras contra Jacuipense — Foto: Cesar Greco / Palmeiras

2023

No ciclo de 2023, o cenário foi de variações ainda mais acentuadas. No Mundial Sub-20 daquele ano — em que a Seleção foi eliminada nas quartas de final —, o Brasil utilizou uma formação em 4-2-4, alternando jogadores como Marquinhos (atacante do Cruzeiro) ou Matheus Martins (atacante do Botafogo) atuando por dentro, além de contar com Pedro (do Zenit), que acabou cortado.

Marquinhos acerta em definitivo com o Cruzeiro — Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Já no Sul-Americano Sub-20 de 2023, conquistado de forma invicta pelo Brasil, a equipe de Ramon se notabilizou por não utilizar um camisa 10 fixo tradicional, montando o meio-campo com um trio dinâmico formado por Marlon Gomes, Andrey Santos (que estavam no Vasco na época) e Alexsander (ex-Fluminense, hoje no Atlético-MG).

— A ideia era usar o Sávio (Savinho, do Tottenham, revelado pelo Atlético-MG) nessa função, e ele já tinha aceitado muito bem. Só que ele teve uma lesão, e acabou que nós optamos por um tripé, com jogadores que poderiam ocupar esse espaço também, fazer essa função, como fizeram Andrey, Marlon e Alexander. Jogadores criativos, intensos, inteligentes para jogar. O Andrey, dentro desse tripé, foi o artilheiro da competição — contou Ramon, ao ge.

Andrey Santos é anunciado como jogador do Manchester United

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O jogador que mais se assemelhava à função de 10 era o ponta Luis Guilherme, revelado pelo Palmeiras e hoje no Sporting. Antes dos vetos dos clubes por liberação, a lista também tinha o meia Matheus França, que era do Flamengo e hoje pertence ao Crystal Palace, da Inglaterra.

Ramon compara sucesso da Argentina e do Brasil em formar meias: "Dão continuidade"

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— O Matheus França, no Flamengo, na base ele jogava por dentro, e talvez ele perdeu um pouco dessa característica dele. Um jogador inteligentíssimo para jogar por dentro também, muito rápido, associativo, que chegava na frente, que fazia gols, que tinha a possibilidade também de dar um passe — contou Ramon.

Matheus França em retorno ao Crystal Palace — Foto: Divulgação/Crystal Palace

2021

A Fifa e a Conmebol cancelaram o Mundial Sub-20 e o Sul-Americano Sub-20 devido à pandemia da Covid-19. Sem as competições tradicionais do calendário, o ano ficou marcado pela disputa dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em que o Brasil conquistou o bicampeonato olímpico.

A seleção brasileira de André Jardine conquistou o ouro jogando em um 4-4-2, que contava com uma dupla de atacantes móveis e uma dupla de pontas armadores. Antony, Claudinho, Matheus Cunha e Richarlison formaram o quadrado da frente que conquistou o título em cima da Espanha, que era o time-base da seleção que ganhou a última Copa do Mundo.

No elenco, os meias eram Claudinho (ex-Bragantino e agora Al-Sadd, do Catar) e Reinier (que estava no Borussia Dortmund, emprestado pelo Real Madrid, e agora defende o Atlético-MG).

Claudinho comemora a conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 — Foto: Reuters

2019

No Sul-Americano Sub-20 de 2019, em que o Brasil terminou apenas na quinta colocação do hexagonal final, sem se classificar para o Mundial, a criação passava por nomes como Marcos Antônio, hoje no São Paulo, e Igor Gomes, atualmente no Atlético-MG. No banco, o time treinado por Carlos Amadeu também tinha o meia Alanzinho, revelado pelo Palmeiras, que hoje está no Vitória de Guimarães.

Os destaques do time, obviamente, estavam nas pontas. Rodrygo e Vini Jr, destaques do Real Madrid, foram convocados para o Sul-Americano, mas apenas Rodrygo foi liberado (na época ele ainda estava no Santos). O jogador revelado na Vila Belmiro já atuou como 10 na carreira e vestiu a numeração na Seleção na ausência de Neymar, mas era ponta esquerda no início de sua trajetória profissional.

Rodrygo foi camisa 10 no Sul-Americano Sub-20 2019 — Foto: Elvis González/EFE

2017

No ciclo após o ouro olímpico de 2016, a referência do meio campo da seleção brasileira no Sul-Americano Sub-20 de 2017 era Lucas Paquetá, único da lista dos meias de ofício até aqui que disputou Copa do Mundo. O jogador revelado pelo Flamengo teve destaque no Brasil antes de ser vendido para a Europa. Sete temporadas depois, ele voltou ao Flamengo.

Paquetá em ação na última Copa do Mundo — Foto: John Sibley/Reuters

O meia era uma das opções para a posição, ao lado de Matheus Sávio, também revelado pelo Flamengo, que hoje atua no Urawa Red Diamonds, do Japão, e de Everton Felipe, meia revelado pelo Sport que se aposentou aos 26 anos, em uma luta contra lesões e a depressão.

Everton Felipe Seleção Brasileira Sub-20 Sport — Foto: Rafael Ribeiro/CBF

2016

Há 10 anos, o Brasil era campeão dos Jogos Olímpicos pela primeira vez. Em casa, no Maracanã lotado, Neymar deu à seleção brasileira o título que a faltava. O atacante, que surgiu pelo lado do campo, já dava indícios de que se tornaria um meia com o passar dos anos.

Retrospectiva 2016 - Neymar Jr - Rio 2016

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Em entrevista recente ao ge, Rogério Micale, técnico campeão dos Jogos Olímpicos em 2016, também disse que as mudanças em prol da "modernidade" no futebol brasileiro afetaram os jogadores que atuam mais livres, como camisas 10. O time que conquistou o ouro olímpico tinha Luan e Neymar se revezando por dentro.

— Hoje 90% dos jogos no Brasil se tornaram posicionais, cada um no seu quadrado. Um cara que é solto, que é um jogador que tem liberdade, que sempre jogou dessa forma, encaixar naquela caixinha, o Luan tem dificuldade — avaliou Micale, em entrevista ao ge no mês passado.

Técnico do ouro olímpico em 2016, Rogério Micale analisa declínio de Luan, ex-Grêmio

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Anteriormente, no ciclo para as Olimpíadas de 2016, jogadores como Nathan, revelado pelo Athletico-PR e sem clube desde o ano passado, Otávio, revelado pelo Internacional e que se naturalizou português, e Boschillia, que surgiu no São Paulo e atualmente está no Operário-PR, foram testados.

Boschilia em aquecimento antes de jogo do Operário-PR — Foto: Giovani Baccin/OFEC