Promovido em julho pela Associação Empresarial de Portugal (AEP) junto de 400 empresários e hoje divulgado, o inquérito evidencia "um tecido empresarial mais resiliente e capaz de acomodar, em parte, os impactos extremamente adversos, de origem interna e externa, que têm condicionado a atividade das empresas".
"Persistem, porém, constrangimentos significativos, com a burocracia a assumir-se como o principal obstáculo ao desenvolvimento da atividade empresarial", nota a associação.
De acordo com a AEP, a "perspetiva mais favorável" para o segundo semestre surge depois de um primeiro semestre "particularmente difícil", marcado por fenómenos climáticos extremos, como a tempestade Kristin, e por um contexto internacional "de forte instabilidade", nomeadamente com os impactos associados ao encerramento do Estreito de Ormuz.
No mercado nacional, 53,9% das empresas perspetivam um aumento do volume de negócios no segundo semestre, 51,3% antecipam um aumento ligeiro e 2,6% um aumento significativo, contra 48,7% que tinham registado crescimento no primeiro semestre.
Paralelamente, diminuiu de 25,7% para 20,5% a percentagem das que antecipam uma redução da atividade.
Também no mercado internacional as perspetivas melhoraram, embora "de forma mais moderada": 30,8% das empresas esperam aumentar o volume de negócios no segundo semestre, face a 25,7% que registaram crescimento no primeiro semestre, embora se mantenha nos 28,2% a percentagem das que prevê uma quebra.
"Depois de um primeiro semestre muito difícil, é positivo verificar que as empresas encaram a segunda metade do ano com uma perspetiva de alguma melhoria da atividade", afirma o presidente do Conselho de Administração da AEP, Luís Miguel Ribeiro, citado num comunicado.
Contudo, alerta, "estes resultados devem ser lidos com prudência", já que se trata de uma "recuperação ligeira, que surge depois de um período marcado por fortes adversidades".
Para o dirigente empresarial, o que os resultados do inquérito também mostram é que Portugal tem hoje "um tecido empresarial mais resiliente e capaz de acomodar, em parte, impactos extremamente adversos, de origem interna e externa".
"Esta maior capacidade de resistência não significa, contudo, que as empresas estejam a operar num contexto menos exigente. A instabilidade geopolítica, os custos energéticos e das matérias-primas e a crescente fragmentação do comércio internacional continuam a condicionar decisões e a exigir capacidade de adaptação. É importante que a ligeira melhoria das expectativas se confirme, mas também que sejam criadas condições para que as empresas possam transformar essa expectativa em crescimento efetivo", acrescenta.
Entre os principais constrangimentos apontados, destaca-se a burocracia, apontada por 84,2% dos inquiridos. Seguem-se os custos dos bens energéticos (82,1%), as tensões geopolíticas (79,5%), os custos das matérias-primas, excluindo bens energéticos (75%), e os preços dos transportes (73%).
Já a fiscalidade é identificada por 65,8% das empresas como estando a afetar o desenvolvimento da atividade, enquanto a concorrência internacional e a falta de mão de obra são apontadas, respetivamente, por 57,9% dos inquiridos. O financiamento, com 28,6%, é o fator menos referido entre os constrangimentos avaliados.
Os empresários identificam ainda um conjunto de riscos que continuam a condicionar as decisões empresariais, como a instabilidade internacional, a crescente fragmentação geopolítica e criação de novas barreiras aduaneiras, a instabilidade fiscal, a manutenção dos preços dos combustíveis, a inflação, a falta de agilidade dos organismos públicos, os custos de contexto e o excesso de legislação.
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