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Dezenas de moradores vaiaram o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, nesta segunda-feira, 17, quando ele chegou a uma região devastada por incêndios florestais, protestando contra a gestão do governo diante da pior crise do tipo em décadas. A visita ocorreu enquanto a Europa continua a enfrentar incêndios florestais em vários países simultaneamente, em meio às ondas de calor recorde no continente.
Cerca de 200 pessoas vestidas de preto se reuniram em frente à Prefeitura de Le Porge, no sudoeste da França, onde 183 casas foram destruídas por um enorme incêndio florestal que atingiu a região entre o final de julho e o início de agosto. Eles vaiaram, assobiaram e gritaram frases de crítica ao governo enquanto o carro com vidros escuros que transportava Lecornu, premiê do governo do presidente Emmanuel Macron, se aproximava para se encontrar com o prefeito Martial Zaninetti.
“Onde ele está? Onde ele está? “, gritava a multidão. “O mínimo que ele poderia ter feito” era se encontrar com os moradores, lamentou Tony Veiga, um aposentado de 65 anos.
O gabinete do primeiro-ministro afirmou ter conversado com habitantes locais e agricultores afetados. “Não temos absolutamente nada a esconder sobre como as operações de combate ao incêndio foram conduzidas nas últimas semanas”, declarou Lecornu na cidade vizinha de Mérignac.
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Alguns moradores de Le Porge acreditam que o governo sacrificou suas casas para proteger a península de Cap Ferret, destino de férias exclusivo onde muitos parisienses ricos passam o verão. O megaincêndio, que devastou 42 mil hectares, foi o maior na França em área desde 1949. As chamas chegaram a poucos quilômetros da cidade de Bordeaux e obrigaram mais de 220 mil moradores e turistas a fugir.
Fogo se alastra
Além da França e Espanha, que registram grandes incêndios desde o mês passado, a Bélgica, a Grécia e Portugal estão sofrendo com as chamas causadas pelas altas temperaturas e por ventos fortes.
Na Bélgica, quase 500 bombeiros e militares lutam contra o incêndio em Hautes Fagnes, que devastou quase 3 mil hectares em um parque natural e provocou uma enorme nuvem de fumaça que se estende por toda a região, afetando Alemanha e França. Segundo autoridades locais, este é o pior incêndio florestal de sua história recente, mas a chuva que começou a cair ajuda o trabalho dos bombeiros.
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O governo grego, em paralelo, anunciou que conseguiu controlar um foco nas imediações de Atenas. Os incêndios começaram no domingo 16 perto de praias lotadas ao sul e ao leste da ilha, propagando-se em apenas sete minutos devido aos fortes ventos — quase 600 pessoas precisaram ser retiradas da região pelo mar. “A situação melhorou, já não há nenhum foco ativo”, declarou um porta-voz do corpo de bombeiros, acrescentando que dois helicópteros e mais de 200 agentes permanecem na região por precaução.
Centenas de bombeiros foram mobilizados no norte de Portugal, onde vários focos de incêndio surgiram ao longo do fim de semana, especialmente perto da fronteira com a Espanha. As áreas mais afetadas são Torre de Moncorvo, Boticas, Chaves e Dine, onde cinco bombeiros ficaram feridos no sábado.
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E em solo espanhol, onde a crise é profunda, a região nordeste de Aragão mobilizou no domingo um dispositivo de combate a incêndios sem precedentes para enfrentar o fogo que queima há sete dias e se aproximou de dois mosteiros históricos de San Juan de la Peña. Atiçadas pelo vento, as chamas se espalharam por 16. 600 hectares e provocaram a fuga de mais de mil pessoas. Um militar da Unidade Militar de Emergências (UME) que participava das operações de combate morreu, informou o presidente regional, Jorge Azcón.
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