Ex-funcionário acusa Rockstar Games de criar “lista de vigilância” após petição

Um ex-funcionário da Rockstar Games afirmou a um tribunal trabalhista em Glasgow que empregados da empresa podem ter sido colocados em uma espécie de “lista de vigilância” depois de participarem de uma petição contra a política de retorno obrigatório aos escritórios.

Dayne Oram está entre os 34 trabalhadores demitidos pela Rockstar North em outubro de 2025. O caso é acompanhado pelo Independent Workers’ Union of Great Britain, que representa 23 dos 31 funcionários baseados na Escócia que perderam o emprego.

Durante a audiência, Oram declarou que a petição, organizada na primavera de 2023, pode ter levado a empresa a monitorar mais de perto os funcionários envolvidos. Aproximadamente 150 pessoas teriam assinado o documento, embora apenas entre 15 e 20 fossem membros do sindicato.

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O ex-funcionário também ajudou a criar um servidor no Discord usado por cerca de 300 trabalhadores da Rockstar. Segundo seu depoimento, a mobilização em torno da petição teria sido o ponto de partida para uma lista interna com nomes de pessoas que deveriam ser observadas por possíveis novas atividades sindicais ou coletivas.

Parte da disputa envolve ainda canais não relacionados ao trabalho no Slack, removidos pela Rockstar por serem considerados uma “distração”. A decisão provocou reações no Discord. A empresa afirma que funcionários copiaram e compartilharam e-mails internos sobre a mudança no servidor, o que teria exposto informações confidenciais e motivado uma investigação.

Algumas mensagens também usaram um insulto contra um gerente e chamaram gestores de “covardes corporativos”. Questionado sobre a possibilidade de isso configurar falta grave, Oram respondeu que considerava a conduta uma infração, mas não uma falta grave capaz de justificar demissão.

A Rockstar Games nega que as dispensas tenham relação com filiação ou atividade sindical. Em posicionamento, a empresa afirmou que os funcionários do Reino Unido e do Canadá foram demitidos por falta grave após o compartilhamento de informações confidenciais e que pretende contestar as acusações.

O tribunal, presidido pela juíza Lucy Wiseman, deve durar cerca de seis semanas. O processo ocorre pouco mais de dois meses antes do lançamento de GTA 6, marcado para 19 de novembro, enquanto o sindicato tenta obter reconhecimento oficial dentro da Rockstar antes da chegada do jogo. A duração da audiência e a proximidade do lançamento colocam o conflito trabalhista sob atenção em um momento especialmente sensível para a empresa.

Eric Arraché

Eric Arrachéhttps://criticalhits.com.br

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.