Exames: Estudantes de Coimbra pedem demissão do ministro da Educação

"Chegou a hora de, uma vez por todas, assumir a responsabilidade pelos seus fracassos políticos, pois, na política, senhor ministro, quem tutela é quem assume. O jogo da batata quente, no nosso entender, termina hoje. Demita-se. Saia com humildade e honestidade enquanto lhe resta tempo", afirmou o presidente da direção-geral da AAC, José Machado.

Numa conferência de imprensa, em que a AAC apresentou o seu posicionamento sobre a educação portuguesa, o líder associativo indicou que "caos nos exames nacionais" foi a "gota de água" para o pedido dirigido ao governante.

"O caos nos exames apenas comprovou que, de facto, o atual Ministério já não tem condições para continuar a ser tutelado pelo senhor ministro Fernando Alexandre, porque teve o tempo todo à sua disposição para implementar a sua visão, o seu entendimento sobre o futuro da educação portuguesa e, redondamente, falhou, fracassou. Neste caso, não cumpriu a sua missão", disse aos jornalistas.

Questionado sobre o que é que a AAC pretende fazer se o ministro da Educação não se demitir, José Machado adiantou que será mantida a contestação.

"Se o mesmo continuar com a sua normal teimosia governativa, nós iremos prosseguir com a nossa atividade política (...) até à sua demissão", afirmou.

Para José Machado, a educação "encontra-se seriamente ameaçada por uma tutela que teima em ignorar o estudante", exemplificando com o processo de revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, em que, em pouco mais de um ano, foram "auscultados em momentos pontuais".

Referiu ainda a reforma da ação social, que no papel "prometia e promete transformações na sua globalidade positivas", mas que hoje continuam "sem perceber em concreto se a tutela irá avançar ou não com o novo modelo de ponderação e atribuição de bolsas de estudo para estudantes do ensino superior".

José Machado apelou "ao bom senso" do Ministério da Educação para que "não execute reformas em cima do joelho" e argumentou que "não estão reunidas as condições para a implementação do novo modelo de bolsas para o próximo ano letivo".

A AAC colocou também hoje junto à porta principal do seu edifício sede um labirinto intitulado "Educação Sem Saída", no âmbito do movimento "Isto é Gozar com Quem Estuda", que, no seu entender, espelha o estado do sistema educativo.

O presidente da AAC confirmou ainda que a associação irá estar hoje presente na manifestação convocada pelos estudantes do ensino secundário, em frente ao Ministério da Educação, em Lisboa.

Na conferência de imprensa, a presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária Infanta Dona Maria, Mafalda Miranda, considerou que o processo dos exames nacionais mostrou-se desde o início "muito desorganizado" e elencou ainda vários casos de estudantes afetados em Coimbra com as classificações.

Mafalda Miranda questionou também a garantia de igualdade na época especial de exames, em setembro, sublinhando que alguns estudantes dispõem de mais tempo de preparação, que as vagas nos cursos diminuem nas segundas e terceiras fases de acesso ao ensino superior e as médias sobem.

"Ainda que esta medida procure reparar as injustiças que estão a acontecer, acabam inevitavelmente por criar outras", defendeu.

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