O Ministério da Educação já assinou quatro contratos públicos com a consultora privada Deloitte Technology este ano - três deles no espaço de duas semanas - num valor total de 2,6 milhões de euros, segundo avança, esta quarta-feira, o Correio da Manhã.
Os contratos foram celebrados entre a Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE) e a consultora entre 26 de fevereiro a 9 de julho, segundo os dados publicados no portal da contratação pública, dá conta o jornal. Em causa estaria a contratação de serviços de consultoria e de programação de software relacionado com a área digital do sistema de educação.
Três destes contratos foram celebrados no prazo de duas semanas:
- 1.º - 20 de fevereiro - 123 mil euros
- 2.º - 4 de março - 1,476 milhões de euros
- 3.º - 9 de março - 356.700 euros
- 4.º - 9 de julho - 701 mil euros
Este último, como sublinha o CM, foi assinado durante o caos nos exames nacionais, mas quando questionado pelo jornal, o Ministério da Educação afirmou que o contrato "não diz respeito à ajuda técnica que a Deloitte está a prestar ao EduQa no âmbito da resolução dos problemas relacionados com o processo de digitalização e classificação eletrónica das provas finais e exames nacionais". Acrescentando que "diz respeito à gestão de projetos no âmbito da AGSE, entidade distinta do EduQA".
O quinto contrato
O Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) celebrou um quinto contrato por ajuste direto simplificado com a mesma consultora para resolver os problemas técnicos da digitalização dos exames, refere também o matutino. Mas os detalhes sobre os valores e os termos não foram divulgados.
Os termos e valores do contrato vão ser colocados no portal da contratação pública, mas sem o público ter acesso, revela o mesmo meio de comunicação, recordando que, segundo o regulamento nº1000/2025, do Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção, o contrato é de acesso exclusivo à entidade que o adjudicou, o EduQA.
O EduQa informou, segundo a Sábado, que se trata de um ajuste direto urgente, mas sem referir mais detalhes. Questionado sobre a adjudicação, incluindo o objeto e o preço, o Ministério da Educação também não revelou à revista mais detalhes.
Recorde-se que pela primeira vez este ano, quase 300 mil exames nacionais do ensino secundário foram avaliados em formato digital, mas o processo registou várias falhas técnicas, obrigando ao adiamento por alguns dias da divulgação das notas.
As provas foram digitalizadas e os professores deixaram de classificar os exames completos, passando a ter acesso apenas a um dos itens da prova. O número de pedidos de reapreciação é já mais do triplo do registado no ano passado, mas ainda poderá aumentar, porque está a decorrer o prazo para a reapreciação de provas dos alunos que tiveram acesso às provas mais tarde.
A publicação das notas da 1.ª fase foi divulgada três dias mais tarde, a 17 de julho, mas só à noite, havendo escolas em que as pautas foram afixadas já de madrugada.
Milhares de alunos tiveram de esperar vários dias para ter acesso às suas notas e muitos outros viram os exames serem reclassificadas devido à correção de erros identificados em algumas disciplinas.
Os atrasos obrigaram igualmente ao adiamento da 2.ª fase dos exames nacionais, que decorreu entre 21 e 24 de julho.
Ainda assim, o Ministério manteve inalterado o calendário da 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, cujas candidaturas decorrem até 6 de agosto, defendendo que a criação da época extraordinária permite compensar eventuais prejuízos causados pelos problemas técnicos.
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