Fazer uma caneta é caro e o preço não deve desabar mais, diz VP de fabricante brasileira

Duas caixas de Ozempic em uma bancada de madeira, com prateleiras de farmácia desfocadas ao fundo. A caixa em primeiro plano é branca e vermelha, exibindo o nome do medicamento, informações de dosagem e uma imagem de uma caneta injetora azul.
Embalagem com seringas de Ozempic, caneta usada no apoio ao tratamento do diabetes tipo 2 (Mario Tama/Getty Images)

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Com o fim da patente do Ozempic no Brasil, no início deste ano, a primeira grande leva de similares e genéricos da caneta de semaglutida, usada no tratamento da obesidade e da diabetes do tipo 2, já começa a chegar ou a se preparar para chegar às farmácias. Essa corrida de novas concorrentes promete derrubar o preço do produto em relação ao original – o que já começou a acontecer e é, justamente, a ideia da política de genéricos: tornar os novos medicamentos mais acessíveis a todos. 

De acordo com especialistas e os próprios fabricantes, porém, já não há agora muito mais espaço para que o preço do Ozempic e suas cópias caiam, mesmo que os genéricos estejam apenas começando a ser vendidos. Isto porque os primeiros que chegaram já deram descontos agressivos em relação ao Ozempic original e, principalmente, porque as canetas são por si um produto caro de fazer, o que cria uma espécie de piso de preço e impede reduções muito mais fortes.

“A tendência, com novos entrantes, é, sim, que o preço vá caindo, mas, nesse caso, ele não vai desabar”, diz Marcus Sanchez, vice-presidente do Grupo EMS, a farmacêutica nacional que se tornou, neste ano, a primeira a oferecer um similar do Ozempic fabricado no Brasil depois que a patente da marca caiu no país, em março. “Quando é um produto muito fácil de fazer, como era a sildenafila, o princípio ativo do Viagra, o preço realmente desaba, mas não é o caso da caneta de semaglutida. Ela é um produto caro de se produzir em tudo.” A EMS foi a vencedora do prêmio Top30 da VEJA NEGÓCIOS, que reconhecem as melhores empresas de cada setor, e Sanchez falou em entrevista para a edição deste mês da revista.

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A Lei dos Genéricos no Brasil exige que, ao chegar ao mercado, os genéricos sejam pelo menos 35% mais baratos que o medicamento de referência. Lançado apenas em junho, o Ozivy, marca da caneta para diabetes do tipo 2 da EMS que replica o Ozempic, chegou às prateleiras com um desconto da ordem de 60%. Ele é vendido atualmente com preços que partem de 330 reais a caneta, a depender do kit comprado. No Ozempic, o valor parte de 1.000 reais. Com apenas dois meses de mercado, o Ozivy já é o quinto medicamento mais vendido nas farmácias do Brasil, de acordo com dados do setor. 

E, em breve, novas concorrentes similares e genéricas do Ozempic também devem começar a chegar: nas últimas três semanas, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já aprovou a comercialização de outras sete. É comum levar alguns meses entre a aprovação da agência e a chegada dos produtos de fato ao varejo.

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Máquina industrial automatizada com braços robóticos e muitos cabos pretos e brancos, processando pequenos tubos azuis em uma linha de produção
Produção do Ozempic e do Wegovy, canetas para diabetes e obesidade, em fábrica da Novo Nordisk, na Dinamarca (Carsten Snejbjerg/Bloomberg/Getty Images)

De acordo com Sanchez, da EMS, a abertura da concorrência leva a um movimento natural de competição por preço e de novas rodadas de desconto. Como, porém, o piso do custo de fabricar o produto é alto, o que deve começar a acontecer é que as empresas comecem a buscar maneiras de reduzir esses custos, por meio de ganhos de escala ou da renegociações com os fornecedores, por exemplo. 

“Como o volume de vendas cresce muito, nós conseguimos renegociar com os fornecedores”, explica o executivo. São parceiros que fornecem as peças das canetas ou as matérias-primas para montar as moléculas da semaglutida, por exemplo. “Como vamos comprar quantidades maiores, porque o mercado está mudando, é possível conseguir também preços melhores.”

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Leonardo Albuquerque, que é analista do setor farmacêutico da agência Moody’s no Brasil, também acredita que o espaço para novos descontos nas versões alternativas do Ozempic já está perto do piso. “Já houve uma boa redução nos preços, mas eles já se achataram bastante e, agora, para cair, mais, deve ficar um pouco mais difícil”, diz ele.  “Não é um medicamento simples de fazer e substituir, ele precisa da caneta, de uma solução, o que cria um pouco mais de dificuldade.”

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