O plano da FIFA para arrecadar até 4,2 mil milhões de dólares com a venda de participações na exploração comercial do Campeonato do Mundo a privados, anunciado na terça-feira, caiu como uma 'bomba' e está a motivar muitas reações. A UEFA já contestou publicamente a intenção da FIFA, dizendo que o "futebol não está à venda", mas a polémica promete não ficar por aqui, com as críticas dirigidas a Gianni Infantino a subirem cada vez mais de tom.
O que está em causa?
A FIFA explicou, em comunicado, que o objetivo passa por aumentar o financiamento destinado ao desenvolvimento do futebol para mais de 10 mil milhões de dólares, criando uma nova estrutura comercial, cuja criação depende da aprovação da maioria das 211 federações-membro e do Conselho da organização.
No entanto, o The Times revela que a FIFA pretende vender participações nos direitos comerciais dos Campeonatos do Mundo a investidores privados através da nova subsidiária, com Infantino a surgir como potencial comissário da nova empresa.
Para tal, a FIFA já está a trabalhar com o banco J.P. Morgan, figurando entre os potenciais investidores a Thrive Eternal, fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Foi, de resto, esta notícia avançada pelo The Times que motivou uma reação categórica da UEFA, que sublinhou que a proposta da FIFA "ultrapassa uma linha que as instituições que governam o futebol nunca deveriam cruzar".
"A alma e a governação do futebol não são ativos para negociar, especialmente sem qualquer transparência sobre quem beneficia financeiramente. Nenhum de nós é proprietário do futebol", vincou o organismo que rege o futebol europeu.
"Bomba nuclear" lançada por Infantino
Os planos da FIFA rapidamente geraram controvérsia e dominaram as manchetes dos jornais internacionais. De Espanha à Argentina, o tema foi comentado e debatido ao longo das últimas horas.
"O braço de ferro entre a FIFA e a UEFA, que se arrasta há vários anos, continua a subir de tom. O escândalo em torno da alegada ingerência de Donald Trump no Comité Disciplinar da FIFA durante o Mundial, no chamado caso Balogun, despoletou uma vaga de críticas à liderança de Gianni Infantino e marcou o início de uma ofensiva da UEFA", pode ler-se no El País.
Por sua vez, o AS destaca a resposta enérgica da UEFA aos planos da FIFA, classificando a mais recente polémica como uma "bomba nuclear".
"Gianni Infantino, presidente da FIFA, deu início ao processo que poderá culminar na venda de participações do Mundial e do Mundial de Clubes a investidores privados. A iniciativa motivou uma reação contundente da UEFA, que, em duro comunicado, atirou: "Nenhum de nós é dono do futebol. Não é propriedade da FIFA", escreve aquele jornal espanhol.
Já o Financial Times traça um cenário mais profundo sobre as mudanças que a FIFA quer implementar e o impacto económico que as mesmas podem ter, num artigo intitulado "FIFA põe o Mundial à venda".
"Na semana passada escrevemos que o futebol inglês estava à venda. Ontem revelámos que, afinal, é o futebol mundial que está à venda. E, desta vez, o prémio é o maior de todos: o Mundial. A FIFA, organismo que tutela o futebol mundial e organiza a sua competição mais lucrativa, está a criar uma nova entidade para concentrar as suas receitas comerciais. Mas o verdadeiro ponto de rutura é outro: a organização sem fins lucrativos, sediada na Suíça, pretende vender participações nessa entidade a investidores, por milhares de milhões de dólares", pode ler-se.
O jornal argentino Clarín aponta para os planos de Infantino que vão beneficiar o genro de Trump, revelando ainda que o presidente da FIFA pode auferir um salário bastante elevado.
"Infantino surge como o principal candidato a assumir o cargo de diretor-executivo ou comissário da nova empresa, assim que terminar o seu último mandato como presidente da FIFA. Embora essa possibilidade ainda não tenha sido formalmente definida nem debatida, prevê-se que o cargo venha a ser remunerado de forma semelhante ao de comissário da NFL. Atualmente, Roger Goodell aufere cerca de 64 milhões de dólares por ano", destaca.
"Ninguém tem o direito de vender o nosso jogo"
A relação próxima de Infantino e Trump volta a estar na ordem do dia, com Joseph Blatter, antigo presidente da FIFA, a apontar, uma vez mais, o dedo ao atual líder do organismo que rege o futebol mundial.
"A estreita relação entre o presidente da FIFA e o presidente dos Estados Unidos atingiu uma dimensão financeira que está a prejudicar profundamente o futebol. Ninguém tem o direito de vender o nosso jogo", lamentou Blatter, numa mensagem partilhada na rede social X.ç
The close relationship between the FIFA President and the US President has reached a financial dimension that is deeply damaging football. No one has the right to sell our game. #GianniInfantino #DonaldTrump #FIFA #UEFA #USA #Sellout
— Joseph S Blatter (@SeppBlatter) July 28, 2026
UEFA pondera boicote
Para lá da reação pública, as nações da UEFA estão a debater a possibilidade de levarem a cabo um boicote no Campeonato do Mundo feminino, que acontece no próximo ano, 2027, no Brasil, de acordo com a Sky News.