Assim que o logótipo dos Florence + The Machine surgiu nos ecrãs gigantes do Palco NOS, os gritos tornaram-se ensurdecedores. A entrada da emblemática Florence Welch foi feita ao som de “Everybody Scream” e bastaram os primeiros segundos para perceber que aquele seria um dos espetáculos mais grandiosos desta edição do NOS Alive. A cantora apareceu, como já é tradição, descalça, acompanhada por um grupo de bailarinas que elevaram a componente teatral do concerto a um nível raramente visto no festival.
Sem perder tempo, a banda avançou para “Shake It Out”. Florence parecia visivelmente emocionada com a receção do público português, enquanto exibia uma potência vocal que continua a colocá-la entre as melhores cantoras da sua geração. O recinto, o mais cheio de todo o festival, respondia em uníssono a cada verso.
A intensidade aumentou com “Which Witch”. Florence corria de um lado para o outro do palco como se tivesse uma fonte inesgotável de energia, sem que a voz mostrasse qualquer sinal de cansaço. Em “Spectrum”, um longo instrumental inicial transportou o Passeio Marítimo de Algés para outra dimensão. Aproveitou o momento para cumprimentar os fãs espalhados pelo recinto, incluindo quem estava mais longe e nas laterais. Quando milhares de pessoas começaram a gritar o seu nome, respondeu simplesmente com um “obrigada”, em português.
“É incrível estar de volta aqui. Passámos o ponto mais alto do solstício, quando fazemos oferendas para boa fortuna e bom tempo. Alguém gostaria de fazer uma oferenda comigo? Alguém gostaria de ser uma oferenda? Se sim, vão ter de se pôr aos ombros de alguém”, disse.
Vieram depois “You’ve Got the Love” e “Hunger”, que deixaram o público praticamente sem voz. A dela, porém, permanecia irrepreensível. Em “King”, Florence voltou a demonstrar por que motivo é considerada uma das maiores intérpretes da atualidade, ao sustentar uma nota durante vários segundos.
Seguiram-se “Howl” e “What Kind of Man”, um regresso aos primeiros anos da banda que levou muitos fãs a cantar cada palavra. Em palco, Florence parecia uma figura saída de um conto de bruxas — misteriosa, intensa e hipnotizante —, mas uma bruxa que todos pareciam dispostos a seguir.
A teatralidade atingiu um novo patamar em “Heaven Is Here”. A atuação terminou com uma espécie de ritual protagonizado pelas bailarinas, enquanto Florence permanecia imóvel, a olhar sobre o Passeio Marítimo de Algés.
Depois de “One of the Greats”, voltou a agradecer a receção. “Muito obrigada. Vocês são um público incrível”, afirmou, antes de apresentar uma das canções mais recentes do alinhamento. Confessou, entre risos, que quase não a incluía no álbum por estar cansada de escrever músicas sobre alguém que nunca respondia às suas mensagens. Acabou por gravá-la e, segundo a própria, tornou-se uma das favoritas dos fãs.
“Este é o público mais barulhento que já tivemos num festival”, garantiu pouco depois. A declaração ganhou ainda mais força durante “Never Let Me Go”. Florence interrompeu a atuação durante alguns segundos apenas para ouvir os aplausos e os gritos. A música terminou, mas o público continuou a cantar e a celebrar como se ninguém quisesse deixar aquele momento acabar.
Em “Symathy Magic”, abandonou o palco e caminhou pelo meio da multidão, cumprimentando os fãs como uma verdadeira fada a espalhar boas energias. Cantava à capela e apenas a sua voz bastava para prender a atenção de milhares de pessoas.
O ponto alto da noite chegou com “Dog Days Are Over”. As primeiras notas foram imediatamente abafadas pelos gritos eufóricos do público. Antes de começar, Florence fez um pedido: que todos guardassem os telemóveis. “Eu sei que é difícil, especialmente porque querem gravar esta canção. Mas estou aqui para vos dizer que gravar impede-vos de a viver esta experiência. E vocês estão aqui para viver tudo, certo?”, questionou. Depois lançou um segundo desafio: saltar o mais alto possível no refrão — e o recinto abanou graças ao terramoto Florence Welch.
O Passeio Marítimo de Algés transformou-se então numa enorme pista de celebração. Milhares de pessoas obedeceram, cantaram e saltaram em simultâneo, criando um dos momentos mais memoráveis desta edição do NOS Alive.
A despedida fez-se ao som de “Free”, numa celebração coletiva que resumiu tudo o que tinha acontecido durante cerca de hora e meia: uma atuação teatral, intensa e emocional de uma artista que continua a reinventar-se a cada álbum que passa. Quando as luzes se apagaram, ficámos com vontade de mais.
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