CRÓNICA INGLATERRA 2-1 NORUEGA || Foi depois do prolongamento, esclareça-se. Foi injusto quanto baste, esclareça-se também. Mas aconteceu e os ingleses lá vão andando
Há jogos que deviam durar para sempre, não é? O Noruega-Inglaterra, pelo menos, sim. Que jogaço de futebol, com direito a prolongamento e tudo, e um pequeno amargo de boca de não passarem aqueles que passaram o Mundial a remar.
Foram melhores durante os 90 minutos, temos de o dizer, mas faltaram as forças para um prolongamento cínico e pragmático dos ingleses, que se colocaram a ganhar num lance quase fortuito para carimbarem a passagem às meias-finais.
Estão lá, sim, mas não mereciam assim tanto. Não mais do que a Noruega, pelo menos, que cai e faz com que quase todos a sigamos em queda com esta seleção - quem é que não estava pelos vikings?
A história do jogo, essa, é a história de um Mundial. De um jogo a eliminar, pois, que aqui não se perdoam erros, e aí sim, a Inglaterra foi mais forte.
Desde logo porque há Jude Bellingham, o rapaz que nos põe todos a cantar The Beatles e não Oasis. Sim, “Wonderwall” é a música dos Três Leões, mas “Hey Jude” é a música da noite, é a música do apuramento. Uma música nova que a Noruega não merecia aprender, mas que vai a cantar de boca fechada para casa.
Dois golos para o médio do Real Madrid, autêntico amuleto perante o desaparecimento de Harry Kane, que fez o seu papel de capitão, sim, mas não esteve a um nível tão elevado como vinha demonstrando até aqui.
Jogaço em Miami, então, com aquela sensação de que ninguém devia ser eliminado. No limite, a Noruega não devia ser eliminada, que foi um autêntico show durante este Mundial.
Esta noite o show começou em Andreas Schjelderup - sabes, Benfica? -, que fez um remate que não era remate e marcou o primeiro. Não era remate, pois não? É um lance na esquerda em que fica a sensação de que o ala-esquerdo queria cruzar mais do que outra coisa, mas acabou a rematar e a festejar como se quisesse mesmo fazer aquilo.
Será que queria? Perguntem-lhe quando chegar a Portugal, isto se ficar por cá.
Inglaterra reagiu prontamente pelo rapaz dos The Beatles. Não John Lennon, claro, mas Jude Bellingham, o rapaz que recuperou uma música só para colocar a sua seleção nas meias-finais.
Marcou o empate, sim, e marcou o 2-1. Isto num lance em que o guarda-redes que foi herói contra o Brasil nos quartos de final não conseguiu ter o mesmo nível perante um remate de meia distância.
Uma história já no prolongamento, imagine-se, sítio a que a Noruega podia ter evitado estar, mas acabou por ir parar para mal dos seus pecados, já que perdeu e acabou aí a sua participação no Mundial.
Justo para Inglaterra? Provavelmente sim, pelo sofrimento. Injusto para a Noruega? De certeza que sim, pelo encanto e chama que nos deu.
E agora, Inglaterra? Argentina? Venha ela. Senão vem a Suíça.