"Se a educação é verdadeiramente uma prioridade nacional, este tem de ser o ano em que essa prioridade se traduz em medidas concretas, capazes de produzir mudanças efetivas e de ser positivamente sentidas por quem todos os dias trabalha nas nossas escolas", refere a FNE, numa carta aberta enviada ao ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre.
A FNE considera que os principais problemas do setor estão identificados, mas falta a "passagem dos diagnósticos às decisões".
"Os problemas estão identificados, estudados, quantificados e repetidos há anos em relatórios", também "sabemos que faltam professores, que o corpo docente envelheceu e a profissão perdeu atratividade, que existem escolas onde faltam assistentes operacionais, psicólogos, técnicos especializados e outros profissionais" e "sabemos que a burocracia ocupa demasiado tempo", com "sobrecarga de trabalho", a que se soma "a indisciplina e a violência", resume a FNE.
Portugal "não tem, de todo, um problema de diagnóstico na Educação. Tem um problema de decisão", pode ler-se na carta.
Os resultados de uma consulta nacional, que teve a participação da FNE, indicam que 95,3% dos professores afirmam gostar da profissão, mas 71% dizem que não incentivariam um jovem a escolher a carreira docente.
Um total de 73% "consideram que a carreira docente não é atrativa e 91,1% entendem que a remuneração não está ao nível das qualificações e competências que lhes são exigidas", com 40% a apontarem dificuldades financeiras associadas às deslocações necessárias para trabalhar, ao mesmo tempo que 98,5% dizem-se com excesso de trabalho, pode ler-se.
"A falta de professores não começa quando uma sala de aula fica sem docente. Começa muito antes, quando uma profissão deixa de ser suficientemente atrativa para ser escolhida", refere a FNE, pedindo investimento.
"Sabemos que tudo isto custa dinheiro", mas "talvez tenhamos passado demasiado tempo a fazer a pergunta errada. A verdadeira pergunta não é quanto custa investir na Educação, mas quanto custa ao país continuar a não o fazer", salientam os professores.
A educação é "uma das principais infraestruturas estratégicas de um país", pelo que "precisamos de confrontar uma contradição que atravessa há demasiado tempo o discurso político português", em todos dizem que o setor é uma prioridade mas, depois, pouco é feito.
Na carta, a FNE diz-se disponível para "negociar e apresentar propostas responsáveis, exequíveis e capazes de conciliar a valorização dos profissionais com a sustentabilidade das políticas públicas", mas o diálogo social não pode significar "uma sucessão interminável de reuniões, calendários negociais, documentos e intenções sem tradução concreta na vida das pessoas".
Para a estrutura sindical, "negociar tem de servir para decidir e decidir tem de servir para mudar e implementar", indicam ainda.
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