Ford une-se à chinesa Geely para produzir carros na Península Ibérica

A Ford e a chinesa Geely vão fabricar carros para a Europa na Península Ibérica - nas instalações já existentes do fabricante americano em Valência (Espanha). Será criada uma empresa conjunta para o efeito, conforme foi anunciado esta quinta-feira (23 de julho).

A 'joint venture' prevê a produção na fábrica que a Ford tem em Valência e que atualmente enfrenta dificuldades.

O projeto prevê que a nova empresa seja detida em 66 por cento pela Ford (fabricante de origem norte-americana) e em 34 por cento pela Geely e que os automóveis produzidos em Espanha tenham como destino o mercado europeu.

Que carros serão produzidos?

Segundo um comunicado das duas empresas, a fábrica de Valência (na localidade de Almussafes) continuará a produzir "sem interrupção" o modelo híbrido Ford Kuga a que se juntarão, a partir de 2028, um novo modelo Ford (Ford Bronco), dois SUV elétricos Geely e "um novo crossover familiar multi-energias concebido pela Ford desenvolvido em conjunto com a Geely".

São veículos de emissões poluentes baixas ou nulas, segundo as duas empresas.

"O nosso objetivo não é outro senão utilizar plenamente esta fábrica à sua capacidade máxima", afirmou o presidente da Ford Europa, Jim Baumbick, durante uma conferência de imprensa realizada hoje nas instalações da fábrica de Valência.

O acordo permitirá também à Ford e à Geely reduzir o custo de cada automóvel fabricado nesta fábrica, onde, em 2025, foram montados menos de 100 mil veículos, um mínimo histórico, segundo o sindicato UGT Ford.

A longo prazo, os dois fabricantes têm como objetivo atingir uma capacidade anual de produção de cerca de 500 mil veículos.

A segunda aliança sino-europeia em Espanha

Este acordo segue-se ao anúncio de maio da Stellantis (fabricante americano-franco-italiano) de que tenciona alienar parcialmente a fábrica de montagem que tem em Madrid à empresa chinesa Leapmotor, para produção de um novo modelo deste fabricante já este ano.

As fábricas de automóveis europeias estão atualmente a operar a 50 por cento da sua capacidade.

Em paralelo, face às taxas aduaneiras europeias e à vontade da Comissão Europeia de orientar a procura para produtos fabricados na Europa, a par dos objetivos de descarbonização, os fabricantes estrangeiros estão a adotar estratégias para conseguir produzir localmente, dentro do espaço europeu.

Criação de emprego

O vice-presidente da Geely, Victor Young, garantiu hoje em Valência que a empresa não vai "importar mão-de-obra da China" e vai "contar com a experiência dos colaboradores aqui em Valência e tirar o máximo partido das capacidades locais".

Victor Young garantiu ainda que este é "um compromisso a longo prazo".

Trabalham atualmente na fábrica de Valência 4.142 pessoas que passarão a integrar o quadro da nova empresa conjunta da Ford e da Geely, que deverá ser formalizada em 2027.

Segundo Jim Baumbick, "serão precisos mais trabalhadores, sem dúvida", quando a fábrica estiver a produzir em máxima capacidade.

Além dos responsáveis da Ford e da Geely esteve hoje na apresentação deste acordo em Valência o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que se congratulou com "a capacidade de Espanha para atrair grandes investimentos e para participar em grandes transformações que estão a definir o futuro da mobilidade".

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