Positivo afirma que risco com Casas Bahia é limitado - 18/08/2026 - Economia - Folha

A fabricante de computadores Positivo Tecnologia, fornecedora do grupo Casas Bahia, informou ao mercado na segunda-feira (17) que o pedido de recuperação judicial da varejista não tem impacto material no montante que ela deve à companhia.

O grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial no domingo (16) com uma dívida de R$ 17,3 bilhões. A medida engloba, além das lojas Casas Bahia, dez empresas da holding, incluindo a Ponto Frio e o e-commerce Extra.com. O anúncio veio após a empresa ter reportado prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segunto trimestre deste ano.

De acordo com a Positivo, o saldo atual de contas a receber do Grupo Casas Bahia é de aproximadamente R$ 19 milhões, o que corresponde a 2,7% de todo o saldo líquido da varejista reportado em junho.

A exposição, ou seja, os quase R$ 20 milhões, está coberta por seguro de crédito, contratado junto a duas seguradoras.

"A companhia acompanha de perto a evolução da situação das Casas Bahia e adotou as medidas comerciais e administrativas cabíveis para mitigação de eventual impacto, incluindo a ativação dos mecanismos previstos na apólice de seguro de crédito vigente", diz a Positivo em comunicado ao mercado. "A administração não identifica, no momento, risco material para os resultados do exercício de 2026 decorrente dessa exposição."

BANCOS E FABRICANTES DE ELETRÔNICOS ESTÃO ENTRE MAIORES CREDORES

Como mostrou a Folha, instituições financeiras, grandes empresas de tecnologia e fabricantes de eletroeletrônicos estão entre os principais credores da Casas Bahia. A lista é encabeçada pelo banco Digio, que faz parte do Grupo Bradesco, com R$ 3,28 bilhões a receber. Depois aparecem Banco do Brasil (R$ 2,99 bilhões), a seguradora Zurich (R$ 1,98 bilhão) e o próprio Bradesco (R$ 1,5 bilhão).

A indústria de eletroeletrônicos, também está exposta à dívida. A Samsung é a principal credora, com R$ 937,6 milhões em mercadorias fornecidas e que ainda não foram pagas.

Em seguida estão a Electrolux (R$ 700,1 milhões), LG Electronics (R$ 623,7 milhões), Motorola Mobility (R$ 619,0 milhões), Britânia (R$ 354,8 milhões) e TCL/Semp (R$ 330,9 milhões) —todas listadas como credoras quirografárias (ou seja, sem garantia).

Das dívidas da Casas Bahia, R$ 16,4 bilhões são com credores quirografários (ou seja, sem garantia), R$ 754 milhões de credores trabalhistas e R$ 154 milhões com microempresas e companhias de pequeno porte.

O CEO da Casas Bahia, Renato Franklin, afirmou em teleconferência nesta segunda-feira (17) que o pedido busca fortalecer a continuidade da operação da varejista, permitindo a captação de linhas de crédito de curto prazo e uma negociação organizada com os credores.

"Precisamos reformular todos os passivos da companhia para preservar esses pilares da operação e ter, de fato, uma operação saudável. E, quando falamos dessa reformulação, entra a recuperação judicial como instrumento necessário para fazer isso", afirmou.

A Casas Bahia fechou 298 lojas na semana passada e demitiu cerca de 1.900 funcionários.