Márcio de Souza, motorista de aplicativo e de transporte executivo, também afirma ter mudado a rotina depois de presenciar um ataque contra um veículo que estava à sua frente. "Foi questão de segundos. Quebraram o vidro, pegaram o celular e correram. Depois disso, se vejo alguém mexendo no telefone quando o trânsito para, eu aviso. Já teve passageiro que ficou incomodado, ignorou o pedido, mas eu prefiro explicar. Se quebram meu vidro, além do conserto eu posso ficar sem trabalhar."
Trânsito parado facilita ação
O próprio modo de atuação dos criminosos leva os motoristas a se preocuparem com o celular visível. Os ataques costumam ocorrer em situações nas quais o veículo está parado ou se movimentando lentamente, como congestionamentos e semáforos. Nessas condições, o criminoso consegue se aproximar a pé, quebrar o vidro, alcançar o interior do carro e fugir rapidamente.
Renato Araújo, especialista em segurança pública, explica que esse cenário torna o motorista e os passageiros mais vulneráveis. "Os principais fatores são os congestionamentos e semáforos. O veículo parado se torna um alvo estático e previsível. O criminoso pode abordar a pé, agir com rapidez e fugir por rotas que dificultam a resposta da polícia."
Segundo Araújo, o problema também envolve fatores sociais e falhas na prevenção. "As questões sociais como vulnerabilidade social e dependência química são causas primárias. A ausência de políticas públicas efetivas de acolhimento e tratamento produz o agente criminoso. Ao mesmo tempo, a falha na prevenção policial e no mapeamento dos modos de atuação permite que a reincidência se torne um ciclo vicioso."
O criminalista Jaime Fusco afirma que os ataques podem ser classificados dentro do conceito de "criminalidade de oportunidade". "A vulnerabilidade do motorista é resultado de um ambiente urbano propício à impunidade. Isso reduz o poder dissuasório da norma penal, independentemente de quão pesada ela seja."