Os dados do Comando Central (CENTCOM) norte-americano, responsável pelas operações no Médio Oriente, apresentam o custo mais atualizado do conflito desde que este foi iniciado pelos Estados Unidos e por Israel, a 28 de fevereiro.
Um relatório do Gabinete Orçamental do Congresso (CBO), divulgado na terça-feira, indicava que a guerra tinha custado 38 mil milhões de dólares até agosto e continuaria a gerar despesas de cerca de três mil milhões de dólares mensais, mas a nova estimativa revela que entre esse mês e setembro o aumento foi quase o dobro desse valor, segundo a Associated Press.
Os gastos com armamento saltaram mais de 6 mil milhões de dólares em pouco mais de um mês, passando de 21,7 mil milhões de dólares — valor referido no relatório do CBO — para 28,1 mil milhões de dólares na estimativa do CENTCOM.
O relatório apresentado ao Congresso inclui os custos de operação de navios de guerra, aeronaves e bases, bem como despesas com a perda de equipamento e assistência médica às tropas.
O relatório não inclui os danos sofridos pelas bases no Médio Oriente, que a República Islâmica atacou com mísseis balísticos e drones.
Um relatório do inspetor-geral do Pentágono, divulgado na segunda-feira, apontou que os ataques iranianos danificaram ou destruíram centenas de edifícios e outras estruturas em bases norte-americanas no Kuwait, Bahrein, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Omã e Jordânia.
No novo relatório enviado ao Congresso, o valor referente às munições foi, de longe, o mais elevado, representando bem mais de metade de todos os custos. As armas avançadas com maior procura são os intercetores de mísseis defensivos, como os lançados pelos sistemas Patriot e THAAD do Exército.
O custo financeiro é apenas uma das dimensões do impacto da guerra contra o Irão, que afeta também os preços do petróleo e a bolsa, além de ter provocado mortes e ferimentos entre as tropas norte-americanas. Os custos políticos serão medidos nas eleições legislativas intercalares, em novembro, com os republicanos a enfrentarem dificuldades crescentes devido à impopularidade do conflito.
O CBO afirmou que se espera que a guerra contribua para a inflação até ao primeiro trimestre de 2027, elevando-a cerca de 0,5 pontos percentuais acima das estimativas anteriores.
Estes resultados estimados devem-se, em grande parte, à redução dos envios de petróleo e gás natural através do estreito de Ormuz e às interrupções no transporte marítimo através do mar Vermelho.
A Casa Branca solicitou, em junho, um financiamento suplementar de 87,6 mil milhões de dólares, destinado sobretudo ao esforço de guerra, mas o Congresso ainda não aprovou o pedido.
O CBO informou que a parcela deste pedido aparentemente relacionada de forma direta com o conflito, 42,3 mil milhões de dólares, é cerca de 10% superior à estimativa do próprio organismo para os custos do Pentágono.
O Departamento de Defesa recusou-se a aceder ao pedido de informação do CBO para a elaboração do relatório, rompendo com as práticas habituais.
Um relatório do inspetor-geral do Pentágono divulgado na segunda-feira apontou que a guerra resultou em "deficiências estratégicas nas reservas".
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