Gilmário muda espetáculo para África do Sul após nova recusa em Moçambique

"Confirmo que houve uma recusa de visto de atividades culturais para toda a equipa do Gilmário", explicou a fonte, contactada pela Lusa e acrescentando desconhecer os motivos.

A Lusa tentou obter uma reação do Serviço Nacional de Migração (Senami) a este novo caso com o comediante angolano radicado em Portugal, mas sem sucesso até ao momento.

A situação foi igualmente confirmada, em vídeo, nas redes sociais, pelo próprio Gilmário, que em 20 de julho de 2025, no aeroporto de Maputo, viu as autoridades moçambicanas recusar a sua entrada no país, para o espetáculo no mesmo dia.

"Infelizmente não vamos conseguir fazer o espetáculo de Maputo [este domingo] porque não temos autorização para fazer o nosso visto de atividade cultural, foi negado. Os promotores estavam a tentar inverter a situação, mas não conseguiram. Mas nós inventamos aqui uma solução, que é Nelspruit", anunciou Vemba.

A cidade sul-africana de Nelspruit dista cerca de 200 quilómetros de Maputo e será palco do espetáculo, este sábado, 25 de julho, para substituir os vários, incluindo o da capital moçambicana, que o comediante tinha previsto para este mês em Moçambique.

"Embora não tenha sido a solução ideal, fazer o espetáculo na África do Sul foi a única alternativa que encontrámos para quem já tinha comprado bilhete. Sabemos que não vamos conseguir deslocar as mais de 5.000 pessoas que tinham bilhete para as sessões de Nampula, Beira, Tete, Chimoio e Quelimane, mas acreditamos que algumas delas vão conseguir deslocar-se", disse a fonte.

A produção acrescenta que estão a "procurar compreender os fundamentos" da nova recusa, e a "tentar encontrar uma solução, caso ela exista", garantindo que têm cumprido "integralmente todos os procedimentos exigidos".

"Caso nos seja dada a devida autorização, reagendaremos os espetáculos nas cidades mencionadas", sublinhou.

No caso anterior, que além do angolano Gilmário Vemba, envolveu os comediantes português Hugo Sousa, o brasileiro Murilo Couto e um produtor português do espetáculo "Tons de Comédia", então agendado para Maputo, o diretor-geral do Senami justificou a recusa de entrada no país alegando que o tentaram fazer com visto de turismo (obtido no aeroporto) para realizar uma atividade.

"Vieram ao país mas não obedeceram aos critérios pelos quais eles vinham. Porque eles vinham para dar um espetáculo, um 'show'. É uma atividade cultural", disse o diretor-geral, Zainedine Danane, questionado então pela Lusa.

Os quatro passaram quase 24 horas no aeroporto de Maputo e foram transportados em 21 de julho de 2025 para Lisboa.

Zainedine Danane disse que o promotor do evento em causa deveria "ter solicitado" uma credencial para o espetáculo às autoridades competentes moçambicanas, que posteriormente seria utilizada para o pedido de emissão de visto cultural para entrada no país.

"Então, não tendo solicitado esta credencial, é como se esta atividade não existisse. E como é que vais proferir um espetáculo se quem devia, se calhar, autorizar, não tem conhecimento? Estou-me a referir a questões legais", sublinhou o diretor-geral do Senami, citando as alterações à lei de migração para a emissão de vistos para atividades culturais feitas em 2022.

A solo, Gilmário Vemba já tinha atuado em Moçambique no passado, sem registo de incidentes.

Dinis Tivane, assessor do político e ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que nunca reconheceu os resultados das eleições gerais de 09 de outubro de 2024 em Moçambique, afirmou na altura que Gilmário Vemba foi "impedido de entrar em Moçambique, por expor as suas opiniões".

Venâncio Mondlane e Gilmário Vemba partilharam há dois anos, publicamente, um encontro, em Lisboa, exaltando "Anamalala", que em língua macua, falada no norte de Moçambique, significa "vai acabar" ou "acabou" - expressão usada pelo político durante a campanha eleitoral e que se popularizou nos protestos por si convocados nos meses seguintes, com registo de mais de 400 mortos em confrontos com a polícia e destruição generalizada.