Os peixes-lua estão entre os maiores peixes do mundo, podendo ultrapassar os três metros de comprimento e atingir duas toneladas de peso. São uma das presas habituais das orcas
Duas orcas foram observadas a embater contra peixes-lua gigantes com tanta violência que se desfizeram em pedaços. O comportamento, registado em várias ocasiões, intrigou os investigadores, que admitem que, em alguns casos, os animais possam estar simplesmente a brincar.
"Acreditamos que isso pode ajudar as orcas mais jovens a alimentarem-se com mais facilidade ou pode ser apenas uma brincadeira. As orcas são conhecidas por brincar com a comida", considerou a cientista Kathryn Ayres, da organização Beneath The Waves, citada pelo The Guardian.
O primeiro episódio foi captado em julho de 2024 por Kathryn Ayres através de uma câmara GoPro. Nas imagens, uma fêmea segura a cauda de um peixe-lua já morto enquanto um macho adulto acelera na sua direção.
Instantes antes do impacto, a fêmea larga a presa e ouve-se um forte estrondo quando o macho a atinge, provocando uma verdadeira explosão de tecido. Depois do embate, uma cria alimenta-se dos pequenos fragmentos, enquanto os adultos consomem o restante cadáver.
🦈💥 Living up to their ‘killer’ reputation! Orcas in the Gulf of California were filmed ramming a massive sunfish (up to 2 tonnes!) so hard it exploded into thousands of pieces.
One orca held the fish steady while another charged at full speed, a never-before-seen… pic.twitter.com/Z8THZxuPJM
— Skint Eastwood (@Skint_Eastwood1) July 23, 2026
Um segundo caso foi filmado, em setembro de 2025, por um operador turístico no Golfo da Califórnia, ao largo da costa mexicana. Também aí uma fêmea segurava um peixe-lua morto enquanto outra orca executava uma investida a alta velocidade que reduziu a presa a fragmentos.
Os peixes-lua estão entre os maiores peixes do mundo, podendo ultrapassar os três metros de comprimento e atingir duas toneladas de peso. São uma das presas habituais das orcas. Os investigadores admitem que esta técnica possa servir para dividir a presa em pedaços mais pequenos, facilitando a alimentação das crias, cujas mandíbulas são menos desenvolvidas.
Ainda assim, os especialistas consideram igualmente a possibilidade de se tratar de uma forma de brincadeira. Segundo Erick Higuera, biólogo marinho e coautor do estudo publicado na revista Frontiers in Ethology, citado pelo The Guardian, as orcas já demonstraram outros comportamentos sociais sem utilidade prática evidente, como atirar algas umas às outras, surfar nas ondas criadas pelos barcos ou participar em jogos complexos.
Nos anos 80, um grupo chegou mesmo a usar salmões mortos na cabeça como se fossem chapéus, uma tendência que voltou recentemente a surgir. O episódio surge ainda numa altura em que um grupo de orcas chamou à atenção do mundo pelas interações invulgares com embarcações ao largo de Portugal e Espanha.
Os investigadores defendem que, qualquer que seja a explicação, este comportamento revela um elevado nível de capacidade cognitiva, uma vez que exige coordenação e planeamento entre vários animais.
O recurso crescente a drones e câmaras subaquáticas por operadores turísticos tem permitido descobrir comportamentos até agora desconhecidos, embora os cientistas alertem também para o impacto que o turismo pode ter sobre estes cetáceos.