“Infelizmente, temos um problema com fraudes por IA no ensino médio”, disse o ministro da Educação da Dinamarca, Magnus Heunicke, esta quinta-feira. “É preciso agir agora”, apelou.
Os alunos dos 16 aos 19 anos terão de fazer uma defesa oral das suas provas e serão incentivados a fazer trabalhos escritos nas escolas, em condições controladas, em vez de em casa.
As escolas do ensino médio serão obrigadas a usar ferramentas de monitorização para supervisionar o uso de computadores em provas escritas. Deverão também instalar sistemas de segurança para filtrar o conteúdo disponível na rede escolar durante as provas e as aulas.
O Ministério da Educação afirmou que a inteligência artificial tem representado um desafio crescente para o ensino e os exames e espera que as novas medidas ajudem a estabelecer diretrizes mais claras sobre quando os alunos não estão autorizados a usá-la.
O Governo dinamarquês também está a preparar uma estratégia nacional abrangente para o uso da IA em todas as escolas e no setor educacional em geral.
O ministro disse que ia falar com as escolas, professores e alunos para “garantir que a IA não prejudica as competências, o profissionalismo e, principalmente, a capacidade dos alunos de pensarem por si mesmos”.
As ferramentas de Inteligência Artificial estão a transformar o sistema educativo em todo o mundo, tanto para os professores como para os alunos. Vários países da UE já adotaram medidas concretas sobre o uso da IA nas escolas, embora com abordagens muito diferentes. Alguns estão a integrar a IA de forma estruturada nos currículos e na formação de professores, enquanto outros impõem restrições ou proibições parciais, sobretudo para os alunos mais jovens.
Portugal ainda não tem um quadro legal específico para a IA nas escolas, mas em setembro, o Governo criou um grupo de trabalho dedicado ao “Digital e IA na Educação” para estudar e apresentar propostas sobre o papel das tecnologias digitais na educação em Portugal.
O Conselho Nacional da Educação (CNE) defende a integração da inteligência artificial nos currículos, desde o 1.º ciclo, como ferramenta para reforçar as literacias tradicionais, mas com “diretrizes claras” sobre os contextos em que o uso é adequado.