"Opções militares adicionais". Míssil da Coreia do Norte apontado ao Mar do Japão

As Forças Armadas sul-coreanas revelaram esta quinta-feira ter detetado o lançamento de um míssil balístico de curto alcance da Coreia do Norte sobre o Mar do Japão, ao largo da costa oriental da península dividida. Este ensaio, o primeiro do género em mais de 40 dias, motivou uma reunião de emergência do gabinete presidencial em Seul.

“As nossas Forças Armadas detetaram um míssil balístico de curto alcance lançado da região de Wonsan, na Coreia do Norte, cerca das 17h00 (9h00 em Lisboa)”, indicou em comunicado o Estado-Maior sul-coreano.As estruturas militares da Coreia do Sul elevaram o estado de alerta para potenciais lançamentos e adiantaram estar a partilhar informações com os Estados Unidos e o Japão.

Também o Ministério da Defesa do Japão deu conta, na rede social X, de “um objeto que pode ser um míssil balístico” lançado a partir da Coreia do Norte, ressalvando posteriormente não se verificar “qualquer risco para as regiões em redor” do país.

The object no longer affects the surrounding areas of Japan. https://t.co/EKUXAROuMY

— Japan Ministry of Defense/Self-Defense Forces (@ModJapan_en) August 6, 2026

O regime norte-coreano voltou a levar a cabo, este ano, um conjunto de ensaios balísticos, empregando mísseis de curto alcance, artilharia e outro armamento tático.


Um ecrã de televisão numa estação de Seul | Jeon Heon-kyun - EPA

O último destes ensaios havia sido concretizado no final de junho – Pyongyang testava então um sistema de lançamento múltiplo de rockets de 240 milímetros, mísseis balísticos táticos e um lançador de 155 milímetros, segundo a agência norte-coreana KCNA.Coreia do Sul e Estados Unidos preparam-se para protagonizar, em agosto, os exercícios militares conjuntos Ulchi Freedom Shield, com o objetivo declarado de dissuadir a ameaça nuclear norte-coreana.

Ouvido pela agência Reuters, Lim Eul-chul, professor do Instituto de Estudos do Extremo Oriente da Universidade de Kyungnam, na Coreia do Sul, admitiu que o ensaio desta quinta-feira possa estar associado a recentes críticas, por parte de Kim Yo-jong, a proeminente irmã de Kim Jong-un, ao lançamento japonês de mísseis norte-americanos Tomahawk.

Por sua vez, em declarações à France-Presse, o investigador de origem norte-coreana Ahn Chan-il enquadrou o lançamento num plano de testes de armamento para potencial exportação na antecâmara da deslocação do líder norte-coreano à Rússia, a ter lugar ainda em 2026.

“Kim pode ter querido demonstrar que Pyongyang já havia testado esses sistemas de mísseis e obtido resultados satisfatórios”, estimou.
“Transformação do Japão”

No prefácio do livro branco anual sobre a defesa do arquipélago japonês, publicado esta semana, o ministro japonês da Defesa, Shinjiro Koizumi, considerou “imperativo que o Japão reforce e transforme ainda mais as suas capacidades de defesa, com um sentido de urgência e crise mais forte do que nunca”.

Tóquio elege como imperativo defensivo a resposta ao que considera ser a ameaça crescente de países como a China, a Rússia e a Coreia do Norte.

Um dia depois da publicação do livro branco japonês, a irmã do líder norte-coreano prometia a implementação de “opções militares adicionais” perante a “transformação do Japão”.Na esteira da ausência de resultados da cimeira de 2019 entre Donald Trump e Kim Jong-un, durante o primeiro mandato do magnata norte-americano na Casa Branca, a Coreia do Norte começou a declarar-se um “Estado nuclear irreversível”.

Igualmente citado pela AFP, o Ministério da Defesa do Japão, que se escusou a comentar diretamente as declarações de Kim Yo-jong, quis afiançar que as novas capacidades defensivas nipónicas não terão por finalidade “ameaçar outros países”.

“A nossa defesa não visa travar guerras, mas sim impedir novas; limita-se estritamente à legítima defesa e está em conformidade com nossa Constituição e o Direito Internacional”, acentuou.

O facto é que o Governo japonês decidiu incrementar já este ano a despesa militar em 9,7 por cento, para os 62,2 mil milhões de dólares, valor correspondente a 1,4 por cento do PIB. É o maior rácio desde 1958.

c/ Reuters e AFP