O Governo vai aumentar o desconto do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP), apesar da esperada subida dos preços do gasóleo e descida da gasolina na próxima semana. O apoio sobre o gasóleo sobe para 2,59 cêntimos no caso do gasóleo e 1,43 cêntimos na gasolina.
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EscolherNa portaria, publicada esta sexta-feira em Diário da República, o Governo explica que a partir de segunda-feira passam a vigorar descontos para o gasóleo rodoviário e gasolina que são de “97,58 euros e de 65,92 euros por 1000 litros, respetivamente”. Esta semana, o apoio atingiu 71,63 euros para o gasóleo e 51,62 euros para a gasolina por cada mil litros.
Esta decisão resulta da “perspetiva de que na próxima semana se irá registar uma subida do preço do gasóleo rodoviário e uma descida do preço da gasolina sem chumbo”, explica a portaria. O gasóleo, o combustível mais usado em Portugal, deverá subir cinco cêntimos e a gasolina deverá descer cinco cêntimos, avançou ao ECO fonte do mercado. Por seu turno, a Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC) aponta ao ECO uma subida de dois cêntimos do diesel e uma redução de quatro cêntimos da gasolina.
Esta semana, inicialmente, a expectativa era de que os preços do diesel iriam disparar 15 cêntimos, enquanto os da gasolina arriscavam um aumento de 12 cêntimos por litro, de acordo com as estimativas avançadas pelo Automóvel Club de Portugal (ACP). Mas com a atualização do apoio do Governo, as cotações finais da matéria-prima e o comportamento do mercado cambial, afinal o diesel subiu 7,5 cêntimos, depois da redução de 3,7 cêntimos da semana anterior, e a gasolina subiu oito cêntimos (tinha subido 2,7 cêntimos na última semana de agosto) — o maior aumento desde 20 de julho no caso do gasóleo. Mas na gasolina a escalada é a maior em mais de três anos.
De sublinhar que o aumento de dez cêntimos é contabilizado a partir da semana de 2 a 6 de março, antes do ataque concertado dos Estado Unidos e de Israel ao Irão, que levou à disseminação do conflito pelo Médio Oriente e ao encerramento do Estreito de Ormuz. Desde então o gasóleo regista um aumento acumulado de 47,4 cêntimos e a gasolina de 39 cêntimos, sem ter em conta as previsões para a próxima semana.
Os contratos futuros do Brent, que servem de referência para o mercado europeu, estão esta sexta-feira a descer 2,92% para os 104,72 dólares depois de a comunicação social estatal iraniana ter noticiado planos para conversações com os Estados do Golfo, em Omã, sugerindo que estão a ser mobilizados esforços diplomáticos, apesar de uma forte escalada das tensões na última semana. Espera-se que altos diplomatas dos seis membros do Conselho de Cooperação do Golfo se reúnam com o seu homólogo iraniano na segunda-feira para discutir um possível acordo temporário para a gestão do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
Por outro lado, a Agência Internacional de Energia (AIE) reviu drasticamente em baixa as suas previsões para a procura global de petróleo, prevendo uma contração de 2,5 milhões de barris por dia em 2026 — a maior queda anual desde a pandemia da Covid-19 –, à medida que os preços mais elevados e a oferta mais restrita pesam sobre o consumo. A AIE alertou que a procura poderá enfraquecer ainda mais se o conflito persistir, enquanto a OPEP reduziu a sua previsão de crescimento da procura para este ano pela quinta vez consecutiva. Apesar da queda registada esta sexta-feira, o Brent está a subir pela segunda semana consecutiva, uma vez que as ameaças dos houthis à Arábia Saudita continuam a suscitar preocupações quanto ao abastecimento. O mercado aposta numa subida semanal de subida de 10% — a mais significativa desde 17 de julho.
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