Da artista plástica Inês Zenha é inaugurada a exposição "Águas Turvas", apresentada aos jornalistas pelos curadores Luís Silva e João Mourão como o resultado de uma investigação sobre o corpo queer, sobre "identidades queer que estão sempre a sobreviver e a procurar caminhos".
Esta exposição em Lisboa é uma nova versão, mais extensa, de uma mostra que Inês Zenha apresentou em 2025 no Museu Centro de Arte Dos de Mayo (CA2M), em Madrid, intitulada "Águas Turbias".
Em Lisboa, a exposição apresenta pintura e escultura, uma das quais feita para a configuração da sala "Espaço Projeto" do Centro de Arte Moderna (CAM), intitulada "Somos Lodo", como se um grande tubo de esgoto libertasse matéria orgânica e água.
A sala onde acontece a exposição – até 08 de fevereiro – pode ser entendida como uma caverna, um espaço subterrâneo, onde estão presentes as esculturas e com a água como fio condutor.
Aos jornalistas, Inês Zenha (nascida em Lisboa, em 1995) disse que esta é uma exposição "bastante sentimental" que resulta de um olhar interior.
"Vem de um percurso pessoal, de eu própria, dentro da nossa cultura portuguesa e católica - com uma educação bastante católica - de lidar com essas questões, de tentar libertar desses constrangimentos sociais. A exposição tem-me ajudado, o trabalho artístico tem-me ajudado muito nisso, é um trabalho que me dá muita força nesse aspeto", afirmou a artista plástica.
No sábado, o CAM acolhe também "A exposição de um sonho", do curador inglês Mathieu Copeland com o músico alemão FM Einheit, acessível no Espaço Engawa até 22 de fevereiro.
Esta exposição de arte sonora ocupa uma sala junto à nova estrutura arquitetónica exterior do CAM, designada "Engawa" – criada com a renovação deste centro de arte – e consiste na distribuição de algumas dezenas de pequenas colunas de som, suspensas no teto, para uma experiência imersiva.
Das colunas são projetadas músicas, numa polifonia sonora criada pelo artista alemão FM Einheit, a partir de textos escritos por várias pessoas convidadas, como os realizadores Gabriel Abrantes e Apichatpong Weerasethaul, os músicos Lee Ranaldo e Laetitia Sadier e os artistas Alexandre Estrela e Tim Etchells.
As composições – algumas das quais interpretadas pelo Coro Gulbenkian -, são transmitidas em forma de mandalas sonoras, inspiradas na obra de Almada Negreiros ou Olivier Mosset, entre outros.
"É uma oportunidade de apreciar uma exposição como ouvir um álbum em casa", explicou o curador Mathieu Copeland numa apresentação à imprensa.
O curador Sérgio Mah, que dirige o Centro de Arte Moderna desde abril passado, acrescentou: "Não há muito para ver, mas há muito para experienciar com o corpo e a imaginação".
"A exposição de um sonho" é apresentada em Lisboa quase uma década depois de ter estado na Gulbenkian de Paris, em 2017, e, segundo Sérgio Mah, serve ainda o propósito de assinalar a afirmação do Espaço Engawa como "uma sala de exposições com o mesmo estatuto que os outros espaços do edifício do CAM".
A abertura destas duas exposições inserem-se ainda numa programação especial – a decorrer no fim de semana - para assinalar dois anos de reabertura do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.
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