Candidato ao Governo de São Paulo, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) apresentou, na tarde desta segunda-feira (10), propostas para a área de segurança pública, em mais um sinal de que o tema, que é pauta mais frequente da direita, vai ser prioridade da campanha petista.
Os destaques do plano são a criação de um placar de segurança, com dados de resolução de crimes a cada três meses, e de uma agência estadual antifacção, que integraria órgãos estaduais e federais para combater organizações criminosas.
A ideia de divulgar as propostas para a área antes do restante do plano de governo já havia sido antecipada pela coluna Painel. Como mostrou a Folha, a segurança pública, uma das principais atribuições do governador e desafio histórico da esquerda, foi um dos assuntos que mais recebeu atenção da pré-campanha do ex-ministro.
Na esfera federal, pesquisa Datafolha de maio apontava que o governo Lula (PT) se saía pior, na avaliação do eleitor, em temas considerados prioritários para o próximo presidente. Na opinião de 16%, a área em que a gestão petista registrava o pior desempenho é a segurança pública, seguida de saúde (15%), economia (13%) e combate à corrupção (13%).
O "SP Protege", como foi apelidado o programa de governo para a segurança pública do ex-ministro em São Paulo, confirma o que já vinha defendendo em entrevistas e falas públicas nos últimos meses: um plano dividido em três frentes complementares, com foco em inteligência, tecnologia e cooperação federativa.
A primeira frente é a recuperação do espaço público, com o objetivo de combater crimes de rua, como furtos e roubos de celulares, por meio da integração entre polícias e guardas municipais e do uso de inteligência e tecnologia.
Uma das propostas é usar inteligência artificial para cruzar imagens de câmeras, dados de ocorrências e chamadas ao 190 para montar mapas de calor que mostram onde e quando o crime acontece.
O placar de segurança publicaria indicadores de esclarecimento de roubo, furto, homicídio e feminicídio, com dados abertos por região e metas públicas.
A segunda camada do plano é a proteção do espaço privado, com foco nos crimes que ocorrem "dentro de casa", como violência doméstica.
Nesse eixo, Haddad propõe fortalecer a Delegacia da Mulher para melhorar a categorização de casos e facilitar o acionamento da polícia.
O ex-ministro também promete criar uma plataforma de IA para cruzar dados e alertas de diversas áreas para classificar o risco de crimes, permitindo que as policiais das DDMs ajam antes da tragédia.
Completa o plano o combate ao crime organizado, mais especificamente ao que Haddad costuma chamar de "andar de cima" da criminalidade, com o objetivo de asfixiar a cúpula dessas organizações.
O ex-ministro citou como exemplo a Operação Carbono Oculto, contra lavagem de dinheiro e infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no mercado financeiro. A operação envolveu a articulação das polícias, da Receita Federal, do Ministério Público e do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
Aqui a ideia é criar a agência antifacção —uma estrutura permanente de inteligência e investigação sob a direção do governador, reunindo Ministério Público, polícias, Receita Estadual e órgãos de controle.
O objetivo é desarticular as organizações criminosas com bloqueios de patrimônio, retirada de mecanismos criminosos que operam na economia formal e destinação social de bens confiscados.
Também espera-se usar a inteligência artificial para a prevenção de crimes e para aumentar a eficiência das investigações.