Hutis deixam aviso à Turquia e Paquistão sobre guerra no Iémen

"Aconselhamos os turcos e os paquistaneses a não se deixarem envolver pelos ganhos políticos e materiais do inimigo saudita", afirmou Abdelmalik al Huti, num discurso transmitido pela televisão por ocasião do 12.º aniversário da conquista da capital, Sanaa, pelos Hutis em 2014, altura em que eclodiu a guerra no Iémen e os rebeldes tomaram o controlo de grande parte do noroeste do país.

A Arábia Saudita, o Paquistão e a Turquia assinaram, no dia 07 de agosto, um acordo de defesa conjunta que estipula que qualquer ataque contra um destes países será considerado uma agressão contra os três, numa altura em que os Hutis estavam a intensificar as suas operações militares em território saudita.

Paralelamente à sua ofensiva contra as tropas governamentais no Iémen, os Hutis vêm, há meses, a lançar mísseis e drones contra instalações militares e energéticas da Arábia Saudita, ao mesmo tempo que impõem um bloqueio a todas as embarcações ligadas a Riade que transitam pelo mar Vermelho.

Segundo meios de comunicação norte-americanos, o maior produtor de petróleo da OPEP terá pedido a vários países — entre os quais os Estados Unidos — que intervenham militarmente contra os Hutis, algo que estes terão recusado para evitar uma maior escalada no Médio Oriente.

"O inimigo saudita quer trazer os turcos e os paquistaneses e clama pela ajuda deles dia e noite para que se juntem a ele no pecado e na agressão contra o nosso querido povo", afirmou Al Huti, que acusou Riade de pedir ajuda também aos Estados Unidos e a Israel.

Neste contexto, afirmou que, até ao momento, os aviões de combate sauditas lançaram mais de 760 ataques aéreos na sua campanha contra posições Hutis no Iémen, e acusou Riade de bombardear pontes e instalações civis, bem como a prisão central de Al Yauf (centro-norte), onde morreram reclusos, segundo o líder rebelde.

A ofensiva Huti reacendeu a guerra no Iémen, iniciada em 2014 após a tomada de Sanaa e que se encontrava congelada desde que as partes acordaram um cessar-fogo mediado pelas Nações Unidas no final de 2022, que se manteve em grande parte até agora.

Segundo a ONU, quase 130.000 pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas no Iémen nas últimas semanas, durante as quais o movimento insurgente aliado do Irão tomou o controlo de grande parte da costa sul iemenita do mar Vermelho, o que aumenta a pressão sobre a Arábia Saudita, somando-se ao bloqueio do estreito de Ormuz.

Os Hutis alegam que as operações militares no Iémen não procuram atingir a navegação comercial, exceto para os navios sauditas, que estão sujeitos a um bloqueio dos rebeldes desde julho.

Após anos de relativa calma no Iémen, a frágil trégua acordada em 2022 entrou em colapso em julho, quando os Hutis desafiaram o controlo de Riade sobre o espaço aéreo iemenita, permitindo a aterragem no Iémen de um avião com representantes iranianos.

Nas últimas semanas, os Hutis lançaram uma grande ofensiva militar contra as tropas do Governo reconhecido internacionalmente e apoiado por Riade, que está sediado em Aden.

Os Hutis integram o chamado eixo da resistência, formado por grupos políticos e armados apoiados pelo Irão, a par do Hamas na Palestina, o Hezbollah no Líbano e milícias xiitas no Iraque.

Entre 2023 e 2025, atacaram navios comerciais no Golfo de Aden e Mar Vermelho, como forma de apoio ao Hamas na guerra com Israel na Faixa de Gaza.

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