A Associação Multicultural de Ativistas Voz e Expressão (Amavex) e a organização Venezuelanos Perseguidos Políticos no Exílio (Veppex), com sede na Florida, manifestaram "a sua mais veemente rejeição" ao incidente ocorrido no domingo, em Austin, no qual Wilber Rafael Garcés Pérez, de 28 anos, foi atingido no tronco por um disparo de um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).
"A aplicação das leis migratórias não concede licença para disparar, humilhar, manter incomunicável ou colocar em risco a vida de uma pessoa. Nem pode transformar-se numa perseguição dirigida à comunidade venezuelana ou a qualquer comunidade imigrante", afirmaram as organizações, em comunicado.
Garcés Pérez estava a fazer uma entrega através da plataforma DoorDash quando foi baleado durante uma operação policial de trânsito, segundo a porta-voz da sua advogada de imigração, Kate Lincoln-Goldfinch.
O venezuelano foi hospitalizado em estado grave, mas estável, tendo recebido alta com uma bala ainda alojada nas costas, de acordo com a mesma fonte.
Encontra-se agora sob custódia do ICE no Centro de Processamento do Sul do Texas, em Pearsall, a cerca de 209 quilómetros de Austin.
A porta-voz da advogada, Fabiana Meléndez Ruiz, esclareceu que Garcés Pérez conseguiu telefonar à mulher no domingo para lhe dizer que tinha sido baleado, mas que a família não voltou a conseguir contactá-lo.
As organizações de exilados consideraram "insuficiente" a resposta do Departamento de Segurança Interna (DHS), que anunciou uma investigação conduzida pela sua unidade de Investigação de Segurança Interna, com o apoio da polícia federal norte-americana (FBI).
Os grupos pediram ao secretário de Estado, Marco Rubio, que intervenha publicamente "em defesa da vida, da dignidade e dos direitos fundamentais dos venezuelanos" e solicite esclarecimentos sobre a localização e as condições de detenção de Garcés Pérez.
O DHS afirmou que o venezuelano se encontrava ilegalmente nos Estados Unidos e tinha uma ordem definitiva de deportação, mas não esclareceu o que motivou o disparo.
A defesa contestou esta versão, afirmando que Garcés Pérez é requerente de asilo, entrou no país através de um programa de autorização de permanência temporária e não tem antecedentes criminais.
As organizações venezuelanas juntaram-se a congressistas que exigem uma investigação "independente, transparente e imparcial", bem como a preservação e divulgação, nos termos da lei, das gravações das câmaras corporais dos agentes, comunicações operacionais e outras provas.
O incidente ocorre num contexto de intensificação das operações de fiscalização migratória durante o segundo mandato de Donald Trump, com o ICE a registar mais de 50 mil detenções mensais em julho e agosto.
Pelo menos quatro pessoas morreram este ano na sequência de disparos efetuados por agentes federais durante operações de imigração, segundo os dados citados pelas organizações.
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