Hyundai Tucson. Voltámos a guiar um carro com caixa manual

Apresentado em 2004, o Hyundai Tucson é um SUV crossover compacto com créditos firmados no mercado com as suas mais de duas décadas de carreira.

Recentemente, o Auto ao Minuto/Notícias ao Minuto teve a oportunidade de experimentar um exemplar para lhe contar sobre este modelo sul-coreano.

Ao longo da experiência, fizemos uma condução de deslocações pendulares diárias interurbanas, fomos à cidade e não faltaram percursos em vias rápidas e autoestradas.

Contactámos com a versão 1.6 TGDi Black Edition, sendo que toda a combustão tem o motor quatro cilindros em linha 1,6 litros alimentado a gasolina que debita 148 cv de potência, estando associado a uma caixa manual de seis velocidades. A tração é dianteira. Há, depois, o Tucson HEV (full hybrid) e o PHEV (híbrido plug-in).

Atualmente, o Hyundai Tucson de combustão é proposto em Portugal a partir dos 31.550 euros, com a Black Edition a surgir desde os 35.050 euros no topo da gama.

Condução, comportamento e consumos

Notícias ao Minuto Zona do condutor© Notícias ao Minuto  

Primeiro que tudo: num mundo cada vez mais dominado por automóveis elétricos ou de transmissões automáticas, começa a ser "refrescante" ter uma experiência com uma clássica transmissão manual. E, nisso, este Tucson merece desde logo uma anotação por não abandonar esta "tradição".

O condutor está numa posição alta, em que se sente numa postura de comando. Agarra num volante suave ao tato e grosso, ergonómico. É de três raios e o centro parece-nos um pouco pequeno, incluindo não o logótipo da Hyundai, mas quatro pontos - o código morse para H.

Ao longo do ensaio, encontrámos um motor suave, refinado e silencioso, mesmo quando os regimes de rotações são mais elevados. É um carro que transmite segurança, confiança e tranquilidade desde os primeiros metros, sendo agradável de conduzir sem ser particularmente emocionante.

A aceleração do Hyundai Tucson pareceu-nos gradual e calma: a resposta sente-se logo, mas não é um processo rápido nem mesmo em modo Sport. Os outros modos de condução são Eco (em que sentimos um motor mais contido) e Comfort. Em todo o caso, para o utilizador que não "puxa" pelo carro, as subtis diferenças entre modos de condução não têm um impacto significativo na experiência de viagem e de condução.

A direção está do lado pesado e é precisa. Temos sempre o carro sob controlo, sem que se torne difícil de inserir em curvas, portando-se bem em percursos mais sinuosos. No que toca à travagem, confiante e eficaz, é feita a partir de um pedal que não é duro nem macio demais, encontrando-se num ponto ideal.

O pisar no solo é algo rígido e, em certas ocasiões, o Hyundai Tucson parece "dançar" um pouco com as irregularidades do piso - nada que prejudique a sua segurança ou estabilidade, nem que tenha um impacto muito nocivo no conforto. Só sentimos que o veículo podia ter uma suspensão um pouco mais refinada.

Após mais de 270 km, em que não puxámos demasiado pelo carro, registámos consumo médio recente na ordem dos 8,5 litros por cada 100 quilómetros - o que ficou bem acima dos pouco mais de sete litros anunciados. Dados que melhoraram nos 66 quilómetros seguintes a um reabastecimento, para os 7,3 litros a cada 100 quilómetros.

O limitador de velocidade desiludiu: é preciso estar com atenção constante ao velocímetro, pois o limite configurado é facilmente ultrapassado, especialmente em descida.

O condutor vê as informações essenciais à sua frente, num painel de instrumentos digital de 12,3 polegadas. Tem vários modos de visualização, incluindo velocímetro e conta-rotações em formato moderno ou clássico.

Não gostámos muito do posicionamento do botão de seleção dos modos de condução na consola central (à esquerda da alavanca de velocidades, mas pouco intuitivo), que em particular numa fase inicial de contacto pode obrigar o condutor a desviar o olhar da estrada para o procurar.

Como é por dentro?

Notícias ao Minuto Interior a partir da bagageira© Notícias ao Minuto  

Ao entrar no Hyundai Tucson, na verdade ficamos com a sensação de um carro aconchegante e mais pequeno do que realmente é. O espaço abunda, é confortável, mas a sensação visual é de que é bem menos amplo.

Talvez algo justificado, em parte, pelo desenho simples e convencional. Não falta uma multiplicidade de comandos físicos (incluindo atalhos físicos para funções no ecrã multimédia central de 12,3 polegadas com navegação e infoentretenimento Bluelink).

A climatização tem um painel próprio - um ecrã tátil de 6,6 polegadas. O ar condicionado automático é de duas zonas, com desembaciamento automático, havendo saídas para os bancos de trás.

No geral, o habitáculo é bem insonorizado e está longe de ter materiais premium, apesar da construção relativamente competente. Os estofos são em tecido, sendo os bancos de assento confortável - à frente, são ajustáveis em altura e têm ajuste elétrico do apoio lombar.

É possível usufruir de carregador sem fios para smartphone no fim da consola central, acima do qual há duas das quatro portas USB-C (as outras duas são para os passageiros de trás, que também têm direito a aceder ao controlo de climatização).

Ao centro, encontra-se um apoio para braços que oculta um compartimento de arrumação. Também há um porta-copos antes da alavanca da caixa de velocidades, uma divisória em que pode ir, por exemplo, uma chave, assim como os botões de auto hold e de travão de estacionamento.

A ladear a alavanca da caixa, estão vários botões (seleção de modos de condução à esquerda, ajuda ao estacionamento, câmaras e controlo de travagem em descida à direita. E, diante do passageiro da frente, existe um pequeno espaço de arrumação aberto - numa espécie de tabuleiro que inclui ranhuras nas quais pode ir um smartphone.

É, pois, um desenho interior pleno de praticicidade. E ainda há que falar da bagageira. Ampla visualmente e em termos reais, tem capacidade para 620 litros (expansíveis até 1.799 litros com os bancos traseiros rebatidos).

Por fora

Notícias ao Minuto Vista lateral do Tucson© Notícias ao Minuto  

O Hyundai Tucson apresenta um design distintivo, que lhe confere uma robustez pela grelha frontal agressiva. Os vincos do capô e a assinatura luminosa que se "mistura" com a grelha também marcam a diferença à frente, assim como o para-choques inferior volumoso.

Lateralmente, encontramos vincos angulares marcados e cavas das rodas pronunciadas em preto - criando uma linha que se estende às embaladeiras e comunica com o para-choques traseiro. Encontram-se vincos angulares na estrutura das portas e uma linha de cintura alta. As jantes são de 19 polegadas, em liga leve. Os puxadores das portas são clássicos e o friso superior das janelas em preto forma um arco que acompanha a linha de tejadilho. Já o friso inferior é cromado.

O tejadilho, esse, é elevado (com barras) e termina numa espécie de spoiler. Atrás, continua a verificar-se um design geométrico. Há uma barra luminosa contínua a toda a largura, da qual "saem" prolongamentos verticais formando como que garras. A zona inferior do para-choques é clara, contrastando com a restante carroçaria, albergando dupla saída de escape.

HYUNDAI TUCSON 1.6 TGDi Black Edition


MOTOR

Posição Central Dianteira, Transversal
Arquitetura 4 cilindros em linha
Distribuição 2 a.c.c./16 válvulas
Alimentação Inj. indireta, 1 Turbocompressor
Capacidade 1.598 cm3
Potência 148 cv às 6.000 rpm
Binário 250 Nm às 1.500-4.000 rpm

TRANSMISSÃO

Tração Dianteira
Caixa de velocidades Caixa manual de 6 velocidades

CHASSIS

Suspensão FR: Independente McPherson; TR: Independente multi-link
Travões FR: Discos ventilados; TR: Discos sólidos
Direção Assistência elétrica

DIMENSÕES E CAPACIDADES

Comp. x Larg. x Alt. 4.525 mm x 1.865 mm x 1.650 mm
Distância entre eixos 2.680 mm
Capacidade da mala 620 l (1.799 l com os bancos traseiros rebatidos)
Capacidade do depósito 54 l
Rodas FR/TR: 235/55 R18
Peso 2.065 kg

PRESTAÇÕES E CONSUMOS

Velocidade máxima 196 km/h
0-100 km/h 9,5s
Consumo misto 7,1 l/100 km
Emissões CO2 16,2 g/km

8

0-10

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ANÁLISE

Este Hyundai Tucson é um SUV compacto crossover competente, comedido na entrega do seu desempenho sem que este lhe falte, e proporciona a experiência clássica de uma caixa manual. O design exterior é ainda mais imponente e robusto na Black Edition, sendo que por dentro o espaço é a palavra de ordem quer no habitáculo, quer na bagageira. Os consumos não nos impressionaram, mas mesmo assim é um veículo mais do que apto: não só para as habituais deslocações diárias com uma família normal, como também para uma viagem mais longa num fim de semana ou de férias.

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