"Queria muito estar noiva. Já imaginei tudo. Tenho os votos escritos"

A viver uma fase única na sua vida, uma vez que está noiva de David Ferreira da Silva, com quem tem três filhos em comum, Inês Aires Pereira viu estrear há cerca de uma semana o filme "Santo António - O Casamenteiro de Lisboa", de Ruben Alves, onde dá vida a Sofia.

Na trama, Inês Aires Pereira é mãe de um menino, Martim, papel de Santiago Lagerfield, e aceita casar-se pelo Santo António com o companheiro e pai do filho, Tiago, interpretado por Nuno Nolasco.

Logo de início percebe-se que, na verdade, Sofia e Tiago não estão numa das melhores fases da relação e só querem casar pelo Santo António porque habilitam-se a ganhar uma casa. No entanto, tudo muda ao longo do filme.

E a vida real não está muito distante da ficção. Apesar de não se identificar com a sua personagem, na vida real há também casais que tentam demonstrar uma realidade diferente da verdade, como Inês Aires Pereira reconheceu em conversa com o Notícias ao Minuto, destacando que o casamento dificilmente será apenas um mar de rosas. 

"É um bocadinho inevitável, nas histórias dos casamentos, uma vida inteira, as pessoas não entrarem em crise, não se afastarem. A vida está feita para o caldo entornar. Depois é o que nós fazemos com isso."

Na entrevista com o Notícias ao Minuto - ao falar sobre este projeto -, Inês Aires Pereira confessou também que "não sabia que há uns tempos davam mesmo uma casa" a quem dava o nó nos casamentos de Santo António.

"Sempre pensei que queria ser a única noiva, porque gosto pouco de ser o centro das atenções. Queria ser a única noiva, não me queria casar com mais ninguém. Mas depois comecei a pensar: espera lá, se me dessem uma casa… Se calhar... [risos] Mas sou-te sincera, nunca acompanhei muito os casamentos de Santo António."

Aliás, diz, a atriz não era a pessoa que ligava a televisão na RTP no dia 12 de junho para assistir a esta tradição tipicamente portuguesa.

Durante a conversa, Inês Aires Pereira foi igualmente questionada se sente que esta tradição - para sobreviver ao passar dos tempos - tem que se adaptar, por exemplo, ao mundo digital, como é abordado no filme, ou até a própria igreja. No filme, de referir, o padre recusa-se a casar os noivos Fábio e Nuno (interpretados por Pedro Nuno e Miguel Amorim, respetivamente) por serem um casal homossexual.

"Temos que nos adaptar em várias coisas, mas conseguirmos resistir a algumas e mantermos um bocadinho as nossas características como povo, como lisboeta ou como portuense, acho que seria bom", comentou, não deixando de falar também das mudanças na oferta alimentar, por exemplo, por causa da chegada do turismo.

"Mais cedo ou mais tarde vai-se começar a sentir. As pessoas vão-se fartar de torradas de abacate. Onde estão as nossas pastelarias, as nossas confeitarias, que são tão características? Mais cedo ou mais tarde, isto dá a volta. Alguém abre [um estabelecimento e as pessoas recordam o] antigamente, e fica tudo cheio. Depois vem tudo outra vez. A vida são ciclos."

Ainda sobre a chegada do turismo em massa a Portugal, que é também uma questão abordada no filme, Inês Aires Pereira partilhou a sua opinião: "Gosto muito de turistas, acho que nos dão muito dinheiro e nós precisamos, mas quando começamos a ver as nossas cidades a serem descaracterizadas é uma grande porcaria."

"Ri-me bastante", acrescentou, ainda assim, referindo-se ao momento em que ficou a conhecer o guião. "Quando estava a ler já sabia quem ia fazer [as personagens], portanto comecei logo a associar caras e pensei: isto ainda vai ter mais piada. Já está com graça, mas isto depois vai ter mais piada com as pessoas que o vão fazer."

De recordar que o filme é protagonizado por Rita Blanco, que dá vida a Carmo, e Joaquim Monchique, que tem o papel de Valentim, ambos funcionários da Câmara de Lisboa e que são durante largos anos os responsáveis pelos casamentos de Santo António.

O grande desejo de Inês Aires Pereira de casar. "Tenho os votos escritos há não sei quanto tempo"

Trazendo o filme para a vida real, Inês Aires Pereira também está a preparar-se para casar. Aliás, estava grávida quando decorreram as filmagens e, recorda, "esconderam" a gestação "o tempo todo".

"Lembro-me de experimentar os vestidos e estar histérica porque sempre quis casar. Tirei fotografias nas provas e mandava para as minhas amigas a dizer: mandem ao David para ele ver como fico uma noiva linda. Agora é mais especial ainda. Quando o filme estreia eu estou mesmo noiva", confidenciou.

E é precisamente por estar noiva que este filme se torna mais especial para a atriz, pois está quase a concretizar um sonho antigo - ao contrário da sua personagem, que não tem o desejo de casar.

"Sou exatamente o contrário da minha personagem. Queria muito estar noiva, amo casamentos e agora estou a disfarçar, a fingir que ainda não sei, que ainda não tratei. Já sei tudo, já imaginei tudo. Já sabia a Quinta antes de ser pedida em casamento. Tudo, tudo. Tenho os votos escritos há não sei quanto tempo", revelou.

"Não percebo de onde é que vem [este desejo]. Não sei. Estou muito feliz. E é bom porque nós só vamos casar para o ano e tenho muito tempo para preparar, para pensar nas coisas", acrescentou.

A terceira gravidez e o regresso ao trabalho

Inês Aires Pereira foi mãe pela terceira vez no dia 23 de abril, do pequeno Jorge, que veio juntar-se aos filhos mais velhos, Joaquim, de quatro anos, e Alice, de seis, todos fruto do noivado com David Ferreira da Silva.

A estreia deste filme representou também o seu regresso ao trabalho. "Não sou muito obcecada com trabalho. Portanto, gosto muito de ter o meu tempo em casa com a família e com os bebés. Por mim, ficava um ano sem trabalhar. Mas como a gente tem que fazer dinheiro e são muitas bocas para alimentar… Bora lá", confessou.

"Tenho muita sorte, muita ajuda, que é bom. Não venho com um sentimento de culpa a achar que os meus filhos precisam de mim. Está tudo certo. Mas por mim, ficava mais um tempinho em casa", disse ainda, admitindo depois que o regresso ao trabalho após ser mãe pela terceira vez está a "custar da mesma forma" quando comparado com a primeira gravidez, da pequena Alice.

"A cabeça ainda não está [completamente concentrada]. Estou aqui a tentar estar concentrada, mas já me passou pela cabeça que não mandei vir a fruta para se cozer e para fazer a papa. Antigamente era só um bebé. E agora, a Alice foi para a escola, vai para a primeira classe... É muito overwhelming, é muita coisa para pensar. Depois acho que vou fazer merda no trabalho porque não estou [focada]... Mas pronto, tudo se faz. Tenho desculpa", explicou.

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