A Igreja da Lapa encheu-se esta terça-feira para o funeral de Nuno Cardoso, antigo autarca do município do Porto que morreu na segunda-feira com 64 anos. Apesar de ser grande, não restavam lugares sentados dentro do templo simbólico da cidade do Porto. De pé, e junto ao enorme portão, muitas pessoas não quiseram perder a última homenagem a um político e engenheiro com antiga e dedicada ligação à autarquia.
Pelas 13h30, a meia hora do arranque da cerimónia, já se iam concentrando no topo da escadaria algumas pessoas à conversa ou com abraços de solidariedade para os familiares e amigos. Foi também por essa hora que chegou Fernando Gomes, figura relevante para o percurso político de Nuno Cardoso no Porto.
O antigo autarca — que quando estava em funções chamou Nuno Cardoso para a vida autárquica do Porto — entrou na Igreja da Lapa em silêncio, pouco antes de André Villas-Boas, presidente do FC Porto. Também o dirigente desportivo não quis falar, depois de na segunda-feira o clube ter lamentado a morte de um “portista convicto e adepto fervoroso do FC Porto”, que “acompanhou sempre o clube com paixão e sentido de pertença”.
Se o tempo de Nuno Cardoso à frente dos destinos da Câmara foi curto — entre 1999 e 2002, em substituição de Fernando Gomes — o mesmo não se poderá dizer da ligação à cidade. Por esse motivo, foram muitas as figuras da vida autárquica portuense a marcar presença no funeral.
Morreu Nuno Cardoso, antigo presidente da Câmara Municipal do Porto
“Teve esta devoção até ao último minuto à nossa cidade, à região e à causa pública”, destaca Pedro Duarte
O atual presidente da Câmara, Pedro Duarte, chegou à Igreja da Lapa acompanhado da vice-presidente, Catarina Araújo. Pouco depois, chegaram ainda os vereadores Jorge Sobrado e Hugo Beirão, além de Manuel Pizarro. O executivo municipal tinha estado reunido nos Paços do Concelho para a reunião pública da autarquia.
Apesar de ter mantido o silêncio à chegada da cerimónia religiosa, tanto o autarca do PSD e ex-ministro dos Assuntos Parlamentares, como o vereador do PS e antigo ministro da Saúde, elogiaram Nuno Cardoso na reunião dessa manhã. “Diligentemente serviu e muito honrou a nossa cidade enquanto autarca, engenheiro, professor e cidadão”, disse Pedro Duarte.
Além de ter destacado a faceta mais conhecida de dedicação à cidade e à “causa pública” até “praticamente ao último dia”, o autarca quis deixar uma “nota pessoal”. “Mesmo depois das últimas eleições autárquicas, em que poderia dedicar-se a outras tarefas da sua vida, a verdade é que assim não aconteceu: eu tive inúmeras reuniões nos últimos meses com o engenheiro Nuno Cardoso, com algumas pessoas que ele fez questão de trazer. (…) Apresentou permanentemente ideias, sugestões, contributos… senti sempre um apoio incondicional, ele teve esta devoção até ao último minuto à nossa cidade, à região e à causa pública”, acrescentou Pedro Duarte.
Manuel Pizarro lembrou uma “relação muito longa” que começou quando o atual vereador — “então muito jovem” — foi número dois de uma lista encabeçada por Nuno Cardoso. Destacou ainda que mesmo tendo sido “aliados políticos” e mais tarde “adversários políticos”, a relação pessoal nunca esteve em causa. “Um homem cheio de ideias e cheio de vontade de as concretizar”, lamentou o socialista, antes de ter sido votado, e aprovado, o voto de pesar e respetivo minuto de silêncio.
Fora da vida autárquica do Porto, o funeral desta terça-feira também contou com a presença de António Silva Tiago, Presidente da Câmara Municipal da Maia, e de Francisco Porto Fernandes, Presidente da Federação Académica do Porto.