"Irresponsável". Lula critica EUA por revogarem visto de embaixadora brasileira

O presidente brasileiro considerou esta quarta-feira “irresponsável” e irrefletida a atitude da Administração Trump ao revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington.

"Eles [Estados Unidos] tomaram a atitude de cessar o visto da nossa embaixadora. Se ela sair para cá, ela vai ter que tirar visto outra vez. Então, essa atitude é que eu acho uma atitude irresponsável, impensada para um país que tem 203 anos de diplomacia, de relação diplomática", declarou o líder brasileiro.

Um alto funcionário do Departamento de Estado explicou na terça-feira à agência Reuters que o visto foi revogado devido ao facto de o Brasil ter retido a aprovação diplomática formal do embaixador nomeado pela Administração Trump para Brasília e ter recusado vistos a vários diplomatas norte-americanos. Segundo os EUA, o visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti será restabelecido se "a situação for resolvida".

No mês passado, o Brasil disse ter recusado vistos a funcionários do Gabinete de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado dos EUA, argumentando que a sua visita tinha como objetivo minar o sistema eleitoral brasileiro antes das eleições de outubro.

Além disso, o Governo brasileiro tem adiado há semanas a aprovação formal da nomeação de Daniel Perez para o cargo de embaixador. Perez, deputado estadual da Florida e aliado do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, foi nomeado por Trump para a embaixada.

Esta quarta-feira, Lula da Silva afirmou que "os Estados Unidos não dão importância para embaixador no Brasil, faz um ano e meio que ele está no poder e não mandou para cá”.

“Aí, tenta mandar e acha que a gente tem a obrigação de fazer a data que eles querem? Não é correto e não é possível, nós queremos ser tratados com respeito", explicou.

"Depois, eu fico sabendo da notícia que vinham dois jovens pra cá para se intrometer e fiscalizar e investigar as urnas brasileiras. O Itamaraty [Ministério dos Negócios Estrangeiros], corretamente, negou o visto para eles", acrescentou o presidente.

"Não podemos aceitar interferências com as eleições no Brasil", alertou.

“Uma escalada deliberada de medidas hostis”
Na última madrugada, após o anúncio da revogação do visto da embaixadora, o Governo brasileiro tinha já repudiado a decisão e classificado como "falsas" as justificações apresentadas.

O Palácio do Planalto sustentou ainda que a decisão "faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil", motivadas por "razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral" historicamente pautada pelo respeito mútuo.

"Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente", refere o comunicado.

O Governo brasileiro acrescentou que o processo de concessão do aprovação é confidencial, recordando que os EUA divulgaram publicamente o nome do seu candidato à embaixada em Brasília, Daniel Perez, antes de apresentarem formalmente o pedido ao Brasil.

Brasília acrescentou na nota que segue "estritamente o direito internacional" e sublinhou que a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas não estabelece qualquer prazo para a concessão da aprovação, indicando que o pedido norte-americano continua em análise.

c/ Lusa