Nova linha do metro até Gondomar prevê remoção de centenas de árvores e 24 demolições

A construção da nova linha do Metro do Porto até ao centro de Gondomar vai implicar a remoção de até 533 árvores, número que pode ser reduzido para 394, e ainda a demolição de 24 edifícios, segundo documentos oficiais.

"A alternativa 1, com maior extensão subterrânea, apresenta menor impacte (394 árvores em ocupação definitiva) face à alternativa 2 (533 árvores)", pode ler-se no Estudo Prévio da ligação entre o Estádio do Dragão (Porto) e Souto, no centro de Gondomar, que entrou hoje em consulta pública no portal participa.pt, até dia 15 de setembro.

Em causa está a adoção de um troço em túnel ou à superfície entre as estações Parque Oriental (Porto) e Lagoa (Gondomar), parte de um trajeto que incluirá as paragens São Roque, Cerco, Parque Oriental, Lagoa, Valbom, Hospital Fernando Pessoa, Cosme Ferreira Castro, Oliveira Martins e Souto.

"Pressupõe-se que os exemplares arbóreos em zona de ocupação definitiva serão suprimidos", pode ler-se no estudo, mas a remoção de espécies pode ser feita através de abate ou transplante para outro local, tendo em conta uma avaliação fitossanitária.

O estudo revela ainda que "foram identificadas manchas com provável presença de sobreiros e azinheiras, embora parte das áreas se situe em propriedades privadas, tendo limitado o levantamento de campo realizado", apontando que, "no total, foram georreferenciados 89 sobreiros", que são espécie protegida e cujo abate necessita de autorização.

O estudo conclui que "os impactes associados à fase de construção sobre o património arbóreo são negativos", mas "pouco significativos" caso seja adotada a alternativa 1, e "significativos" no caso de ser adotada a alternativa 2.

Para mitigar os impactos, é sugerido no estudo que se garanta "um balanço positivo entre árvores a afetar (que devem ser o estritamente necessário à implementação do projeto) e árvores plantadas, de forma a expandir a área verde e maximizar sombra, sobretudo nos locais de passagem ou estadia".

Recomenda-se ainda "evitar a realização de ações de desarborização de árvores de grande porte na primavera, por ser o período mais crítico para a maioria das espécies de aves (coincidente com a época de reprodução)".

Numa fase posterior (projeto de execução), deverá ser definido, "de acordo com o levantamento efetuado das árvores potencialmente afetadas, o número exato de exemplares arbóreos a abater e o número de árvores a compensar pelo abate (sempre superior ao número de exemplares abatidos)".

Quanto a demolições de edificado, estão previstas 24, incluindo habitações, sobretudo junto à futura estação Lagoa, em Gondomar, onde está prevista a afetação de nove edifícios.

Está também prevista a demolição de uma casa na Rua das Cavadinhas, em Valbom, bem como duas edificações aparentemente abandonadas para a construção da futura estação, que contará com duas vias de resguardo, na Rua Pinheiro D`Aquém.

Além de mais edifícios em ruínas ou não habitacionais, no restante trajeto, no Largo do Souto "foram identificados três edifícios que terão de ser demolidos ou relocalizados no âmbito das obras previstas no desenvolvimento da linha".

O primeiro é a atual loja Andante, o segundo é um outro edifício de apoio no setor oriental da Praça da República e o terceiro "é o edifício do Anfiteatro do Largo do Souto, com uma área total de 247,63 m²", que "tem uma parte fechada e uma zona em balanço que é habitualmente utilizada para espetáculos".

A linha terá 6,9 quilómetros e sua construção deve demorar três anos, tendo já financiamento assegurado através do programa de fundos europeus Sustentável 2030, que tem 225 milhões de euros para esta linha e para a da Trofa.

Em janeiro, o presidente da Metro do Porto, Emídio Gomes, disse que o concurso para conceção e construção da linha será lançado este ano.